HOME TLAXCALA
a rede de tradutores pela diversidade lingüística
MANIFESTO DE TLAXCALA  QUEM SOMOS ?  OS AMIGOS DE TLAXCALA   PESQUISAR 

AO SUL DA FRONTEIRA (América Latina e Caribe)
IMPÉRIO (Questões globais)
TERRA DE CANAà(Palestina, Israel, Líbano)
UMMA (Mundo árabe, Islã)
NO VENTRE DA BALEIA (Ativismo nas metrópoles imperialistas)
PAZ E GUERRA (USA, UE, OTAN)
MÃE AFRICA (Continente africano, Oceano índico)

ZONA DOS TUFÕES  (Ásia, Pacífico)
KOM K DE KALVELLIDO (Diário de um cartunista proletário)
TEMPESTADE CEREBRAL  (Cultura, Comunicação)
OS INCLASSIFICADOS 
CRÔNICAS TLAXCALTECAS 
O FICHÁRIO DE TLAXCALA  (Glossários, dicionários, fichários)
BIBLIOTECA DE AUTORES 
GALERIA 
OS ARQUIVOS DE TLAXCALA  

13/12/2017
Español Français English Deutsch Português Italiano Català
عربي Svenska فارسی Ελληνικά русски TAMAZIGHT OTHER LANGUAGES
 
Reportagem 25 anos depois da guerra das Malvinas em Mount Pleasant, a base britânica onde militares são treinados para outras guerras como a do Iraque

Uma fortaleza militar nas ilhas Malvinas


AUTOR:  Martín Rodríguez Yebra, 7 de abril de 2007

Traduzido por  Traduzido por Omar L. de Barros Filho


Puerto Argentino - Assim que o sargento Derek Gewars levanta o polegar direito, a bateria de mísseis Rapier começa a se mover da esquerda à direita. Sobe um pouco; baixa. Seis jovens soldados operam a lançadora e gracejam como se provassem um brinquedo novo. Um caça Tornado F3 cruza, rasante, o horizonte. Os oito foguetes o seguem. Só isso. Inofensivos.

"Oxalá  possam vir em junho; faremos provas com mísseis reais”. O capitão Ed Lloyd Owen quebra a ilusão bélica. É o encarregado de guiar um grupo de jornalistas argentinos pelo labirinto de Mount Pleasant, a fortaleza militar britânica para proteger as Malvinas de um ataque como o que desencadeou a guerra em 1982.

Os soldados posam com os visitantes; sorriem. A simulação os tira da modorra de uma manhã de sexta-feira santa. Alguns vêm de zonas do Oriente Médio, onde há guerras de verdade, e nos seis meses que passarão nas ilhas terão treinamento duro, muitas horas mortas e pouco fogo.

Vão se acostumar, seguramente, ao ruído do vento. Mount Pleasant foi levantada em 1985, na  região mais plana da ilha Soledad, com acesso fácil ao mar e sem obstáculos para o movimento de aviões e helicópteros.

Como é feriado, quase não há trânsito na rede de avenidas que comunica os quartéis, os campos de operações, a base aérea e os bairros de casinhas marrons de teto verde, onde vivem os cerca de 1.500 militares britânicos acantonados aqui. Em outra ponta, há um complexo com cinemas, bares e um bairro para uns 500 civis. Também o aeroporto das ilhas funciona na base.

Para chegar, é preciso percorrer 60 quilômetros desde a capital. "Você está ingressando em zona militar. Detenha-se." O cartaz é redundante: uma barreira e dois soldados em roupa camuflada já eram bastante convincentes. "Bem-vindos!" O capitão Lloyd Owen – muito jovem, elétrico e desestruturado – recebe, depois da barreira, os jornalistas de quatro meios argentinos que cobriram o 25° aniversário da guerra nas ilhas. É o chefe de imprensa da base e quem aceitou o pedido de uma visita, que era proibida para veículos argentinos. "Tão logo se registrem poderão tirar fotos onde queiram", convida.

Os oficiais do escritório de entrada devem fazer fotos digitais dos visitantes, registrar seus dados e emitir uma credencial. Mas o sistema caiu. "Preencham este papelzinho", disse um soldado escocês de cabelos cor de fogo.

Descrições

Primeira parada: o quartel-general. Chris Moorey, comando da Royal Navy, se apresenta na porta do bloco verde onde trabalham os que mandam. Com passo apressado e roupa de combate, guia o grupo. Ele faz a primeira pergunta: "Chá ou café?" Serve um por um e oferece bolachinhas galesas.

Cabe a ele descrever as forças desdobradas em Mount Pleasant, a 700 quilômetros da costa de Santa Cruz, que custam ao Reino Unido uns 150 milhões de dólares ao ano. Enumera, ajudado por diapositivos: 1.500 homens, quatro aviões de caça Tornado F3, um VC10, um Hércules, dois helicópteros Sea King, mais outros quatro da Royal Air Force, três barcos da frota real, baterias antiaéreas, tanquetas, mais submarinos e o quebra-gelo Endurance, que entram e saem da zona.

"A missão central é prover segurança nos territórios de ultramar no Atlântico Sul", explica. Uma versão diplomática das declarações que, há dois meses, foram dadas pelo chefe máximo da base, brigadeiro Nick Davies: "Estamos aqui para evitar que 1982 se repita".

A pasta de imprensa que Lloyd Owen entregou no início deixa claro: "São objetivos das Forças Britânicas no Atlântico Sul assistir ao governo das ilhas em seu direito à autodeterminação (…), demonstrar o compromisso do Reino Unido na defesa da zona (…) e, em caso de ser necessário, usar a força militar para manter a soberania britânica".

Moorey, homem da Marinha, tem que lidar com militares argentinos. Diz que existe uma relação sem complicações e que se cumprem os acordos de 1995, que fixaram áreas do Atlântico nas quais um navio de um país deve avisar ao outro se vai entrar.

A pasta de informações não deixa de transmitir o dado sobre o endurecimento da política argentina para as Malvinas. Diz ali: "O presidente Kirchner anunciou em público que a demanda por soberania continuará formando parte central da política exterior argentina em 2007".

Isso significa um alerta para os militares britânicos? Evitam as respostas. Nem ligam ao que a Argentina faça, diante do fato de que este ano parte da frota destinada às Malvinas será renovada (chega o HMS Clyde) e trarão caças Eurofighter Typhoon novos. O equipamento de Mount Pleasant é similar aos que os britânicos têm no Iraque e Afeganistão.

O giro segue por um bloco de hangares e quartéis, até chegar ao pé de um Sea King amarelo, de 1978, que se usa para resgates de doentes. "Temos mais ou menos um por semana", conta o chefe de esquadrão, Yan MacFarlane. Está há três semanas nas Malvinas. Resta-lhe outro tanto para voltar à Inglaterra. No ano que vem lhe caberão outras seis semanas aqui.

A maioria está nesse esquema.

Perto do Sea King a bateria móvel de mísseis Rapier começa a se movimentar. "Fazemos exercícios para mantê-las em condições", explica o sargento Gewars. São como as que foram usadas em 82, agrega.

Que alcance têm esses mísseis? "Isso não posso dizer." O mesmo responde quando alguém quer saber quantas lançadoras existem na base. De qualquer modo, o dado figura no dossiê de imprensa: os foguetes podem alcançar objetivos até oito quilômetros, e há outras 30 baterias terra-ar instaladas e "prontas nas 24 horas do dia".

O capitão Lloyd Owen traz una notícia. "Em um minuto e meio o Tornado passará ", adverte aos fotógrafos. E é assim. O caça passa como um raio entre nuvens baixíssimas. Chove um pouco, o meio-dia se aproxima, e acaba de passar a surpresa final da função.



Martín Rodriguez Yebra foi enviado especial de La Nación, de Buenos Aires, Argentina, às ilhas Malvinas, por ocasião dos atos que recordaram a guerra contra a Inglaterra.
Fonte: http://www.lanacion.com.ar/politica/nota.asp?nota_id=898047
 

Fotos : Fabián Marelli, La Nación 
Traduzido do espanhol para o português por Omar L. de Barros Filho, diretor de redação de Via Política e membro de Tlaxcala, rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução é Copyleft para qualquer uso não comercial. Pode ser reproduzida livremente, sob a condição de que sejam respeitadas integralmente as menções de autor, tradutores e fonte.

URL deste artigo:
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=2424&lg=po

Veja também texto sobre o livro Los viages de Penélope. La historia del barco más viejo de la Guerra de Malvinas, de Roberto Herrscher, ex-combatente argentino, lançado pela Ed. Tusquets.


 


PAZ E GUERRA: 15/04/2007

 
 IMPRIMIR IMPRIMIR 

 ENVIAR ESTA PÁGINA ENVIAR ESTA PÁGINA

 
VOLVERVOLVER 

 tlaxcala@tlaxcala.es

HORA DE PARÍSI  14:3