HOME TLAXCALA
a rede de tradutores pela diversidade lingüística
MANIFESTO DE TLAXCALA  QUEM SOMOS ?  OS AMIGOS DE TLAXCALA   PESQUISAR 

AO SUL DA FRONTEIRA (América Latina e Caribe)
IMPÉRIO (Questões globais)
TERRA DE CANAà(Palestina, Israel, Líbano)
UMMA (Mundo árabe, Islã)
NO VENTRE DA BALEIA (Ativismo nas metrópoles imperialistas)
PAZ E GUERRA (USA, UE, OTAN)
MÃE AFRICA (Continente africano, Oceano índico)

ZONA DOS TUFÕES  (Ásia, Pacífico)
KOM K DE KALVELLIDO (Diário de um cartunista proletário)
TEMPESTADE CEREBRAL  (Cultura, Comunicação)
OS INCLASSIFICADOS 
CRÔNICAS TLAXCALTECAS 
O FICHÁRIO DE TLAXCALA  (Glossários, dicionários, fichários)
BIBLIOTECA DE AUTORES 
GALERIA 
OS ARQUIVOS DE TLAXCALA  

23/10/2017
Español Français English Deutsch Português Italiano Català
عربي Svenska فارسی Ελληνικά русски TAMAZIGHT OTHER LANGUAGES
 
Hoje, número de veteranos mortos por suicídio supera baixas do conflito em 1982

A segunda rendição na guerra das Malvinas


AUTOR:  Omar L. de Barros Filho, 14 de Abril de 2007


Metida em um beco sem saída, a Junta Militar que governava, ditatorialmente, a Argentina, encontrou na guerra das Malvinas a solução para sua permanência no poder, ao apelar para o nacionalismo exacerbado da população e de seus dirigentes políticos, incluídos aí líderes sindicais, empresariais e intelectuais de relevância de todos os matizes ideológicos. Em 2 de abril de 1982, os comandos militares ordenaram o início do Plano Goa de invasão das ilhas, colonizadas, no Atlântico Sul, pela Grã-Bretanha, desde 1833. A Argentina, escudada em sua justa reivindicação, mergulhou, então, em uma aventura bélica que levou o país a um dos maiores desastres de sua história, e deixou, como conseqüência, feridas até hoje não cicatrizadas, 25 anos depois.

Os últimos relatos dão conta da dramática situação dos ex-combatentes argentinos, hoje uma das faces mais visíveis da derrota. Transformados em motivo para um profundo mal-estar nacional, os militares sobreviventes das lutas nas geladas trincheiras das Falklands, como preferem os ingleses, nos navios da armada ou nos aviões da força aérea, sofrem com  todo o tipo de depressões, distúrbios mentais e sociais.


Memorial da guerra das Malvinas em Ushuaia

Quem conhece o orgulho pátrio argentino talvez possa avaliar na medida correta o quanto a vergonha da derrota contribui com a situação, agravada pelo  descaso governamental, as baixas pensões e a marginalização da vida quotidiana. A razão principal, entretanto, é a auto-estima arrasada pela consciência de ter sido um  passageiro induzido ou forçado a uma viagem inglória ao interior mais profundo da alma de um país que deixara de reconhecer a democracia como um valor permanente.

Não vou lembrar aqui, de propósito, os nomes daqueles senhores fardados que, naquela ocasião, manipularam as leis, os direitos humanos, os sentimentos e as liberdades populares de toda uma nação.. Deixemos que os historiadores e os juízes os coloquem na lata de lixo que merecem. Mas, recordemos, hoje sim, os constantes suicídios que, vez ou outra, surgem indiscretos nas páginas da imprensa, e que soam como gritos de desespero das testemunhas de abandono.

Tornam-se mais freqüentes a divulgação de estatísticas que reportam uma cruel contabilidade. Segundo uma delas, a pesquisa do Programa de ajuda Mútua Integral (Pami), em um universo de 200 ex-combatentes, 47,8% admitem consumir álcool de forma exagerada; 78,2% têm problemas com o sono; 86,9% consideram-se mais irritáveis que as demais pessoas: 53,3% de suas esposas temem atos violentos por parte dos maridos; dois de cada cinco filhos têm dificuldades de conduta e aprendizagem. O pior de tudo, no entanto, é o desamor pela própria existência, a angústia, o temor, os ataques de pânico, as crises de choro, a culpa. O número de veteranos desiludidos, que acabaram com sua própria vida, já supera a cifra estimada de 326 mortos durante a luta nas ilhas Malvinas.
Agora, trata-se, portanto, de uma  segunda rendição, a definitiva.


Cemitério militar argentino das Malvinas em Darwin


Omar L. de Barros Filho é jornalista brasileiro, diretor de redação de www.viapolitica.com.br e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Este artigo é Copyleft para qualquer uso não comercial. Pode ser reproduzido livremente, sob a condição de que sejam respeitadas integralmente as menções de autor e fonte.
URL deste artigo: http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=2425&lg=po


PAZ E GUERRA: 15/04/2007

 
 IMPRIMIR IMPRIMIR 

 ENVIAR ESTA PÁGINA ENVIAR ESTA PÁGINA

 
VOLVERVOLVER 

 tlaxcala@tlaxcala.es

HORA DE PARÍSI  10:14