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09/02/2010
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Minibombas classificadas como ''preventivas'' seriam utilizadas, afirma especialista militar

Nos planos dos EUA, o ataque nuclear ao Irã - Entrevista com Michael Chossudovsky


AUTOR:  Blanche Petrich, 30 de Abril de 2007

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Para o investigador canadense e diretor do Centro de Investigações sobre a Globalização, Michel Chossudovsky, cada vez há mais evidências sobre um eventual ataque dos Estados Unidos à nação persa.

Há dois anos, a comunidade acadêmica da América do Norte qualificou o professor da Universidade de Ottawa, Michael Chossudovsky, de "paranóico" por publicar seus achados como analista militar. Dizia, então, que os preparativos dos Estados Unidos para declarar guerra ao Irã incluíam o uso de armamento nuclear. "Hoje há mais evidências. E ninguém mais me chama de paranóico", diz o economista canadense em entrevista a La Jornada.

Dedicado há três anos à busca, desclassificação e leitura de documentos oficiais do Pentágono, autor do site www.globalresearch.ca (em inglês) e www.mondialisation.ca (em francês) - primeiro em sua categoria na Internet -, Chossudovsky revelou um sólido processo de planejamento de um ataque contra a nação localizada na antiga Pérsia. E analisou o funcionamento do eixo Estados Unidos-Israel-OTAN como a nova força de ocupação.

"A idéia de um ataque ao Irã data da gestão de Bill Clinton. Mas, em razão da ocupação do Iraque, o Irã surgiu como o objetivo seguinte, em 2003. Primeiro foi o desenho de um projeto que, sob o código Theater Iran Near Term (Tirannt), elaborou um cenário simulado de uma invasão de marines. Existe, além disso, o plano de contingências, como rascunho, para grandes operações de combate ao Irã, "CONPLAN 8022", que se colocaria em marcha frente a um eventual segundo 11 de setembro.

Trata-se, explica, de "planos conceituais" que estabelecem operações tipo blitzkrieg (guerra-raio) contra cerca de 10 mil alvos identificados, não somente militares, mas sobretudo de infra-estrutura civil.

- Para atacar o Iraque, os Estados Unidos falaram de uma "coalizão" que, na realidade, não existiu, ainda que tenha contado com a participação do Trio das Açores, com a Grã-Bretanha e a Espanha. Será igual no Irã, uma aventura unilateral?

- Não. Em primeiro lugar, não existe um movimento antibélico tão grande como em 2003. A fabricação do Irã como um "Estado canalha" foi efetiva. Foi dito que tem potencial e intenções de construir armamento atômico. Os informes da Agência Internacional de Energia Atômica são categóricos: Teerã não dispõe, nem agora, nem em longo prazo, de capacidade, tampouco de planos para ter uma bomba nuclear. Entretanto, a máquina de propaganda dos Estados Unidos trata disso como um fato.
Outro exemplo é a suposta declaração de Mahmud Ahmadineyad sobre o desaparecimento do Estado israelense. O que ele disse, em sua tradução correta, é que Israel poderia desaparecer como entidade sionista, como, em seu momento, desapareceu a União Soviética.

- Você observa um resultado tão desastroso como o da ocupação do Iraque?

- Não, algo pior. O mais perigoso é a redefinição dos conceitos teatro de guerra e guerra convencional, que agora incluem o uso de armas nucleares, as minibombas táticas conhecidas como mininukes, que, apesar de seu reduzido tamanho e do nome que sugere algo pequeno, têm um potencial de destruição entre seis e 30 vezes maior que a bomba de Hiroshima.
A troca de rótulo permite a utilização dessas armas letais de acordo com as novas doutrinas militares dos Estados Unidos, que apresentam uma guerra nuclear quase como uma ação humanitária. O risco está em que essas armas, reclassificadas como convencionais, foram incorporadas como parte do arsenal para o Oriente Médio. Segundo esta nova categoria, essas armas mortais não são dissuasivas, mas preventivas.
Nos informes sobre os ensaios com essas armas, elas são descritas como 'inofensivas para a população civil', porque as provas são realizadas sob a terra. Entretanto, não é mencionado que se trata de apenas 20 pés de profundidade. Tampouco é feita alusão ao mais grave: o efeito da radiação.
Outra característica é que os comandos em ação têm à sua disposição, no teatro de guerra, o que chamam de a 'caixa de ferramentas', onde podem escolher, no local, o que considerem melhor para maximizar a eficiência de um ataque determinado. No menu se oferece desde uma Kalachnikov até bombas de fragmentação, ou uma mininuke.
Somente falta afirmar que 'essas bombas são boas para sua saúde'. Nas campanhas de propaganda interna das forças armadas se minimizam os efeitos colaterais dessas armas.


- Qual seria o efeito?

- Os especialistas determinaram que o uso de uma só dessas mininukes no Irã poderia ter um efeito mais catastrófico que em Chernobyl. O perigo da radiação nessa zona seria um desastre humanitário de grande escala, inclusive se não se usasse uma arma nuclear. Basta ver o mapa. No Irã se juntam todos os teatros de guerra contemporâneos: Líbano, Afeganistão e Irã que, além disso, compartilham, em sua composição multiétnica, populações com uma mesma língua, o farsi.

- Quem entraria nesse plano de guerra?

- Sob o guarda-chuva da Conplan 2004, dos Estados Unidos, firmou-se um acordo de cooperação entre a OTAN e Israel, segundo o qual Israel tratou de montar um estoque de armas supostamente "preventivas". A Turquia, e possivelmente o Azerbaijão e a Geórgia, entram nesse esquema.
Em 2005 esse plano deu mais um passo com a ordem do então secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, ao Comando Estratégico para que formulasse um plano "em caso de que ocorresse um segundo 11 de setembro", sob a suposição de que o Irã estivesse por trás desse hipotético plano terrorista.
Em 2006, o Post publicou um informe do Pentágono no qual se admitia que um catastrófico segundo 11 de setembro daria a oportunidade ao exército para avançar sobre esse objetivo previamente planificado. Esse plano está ativado a partir da diretiva emitida pelo presidente, dentro do Plano de Segurança Nacional, que autoriza a movimentação de armas nucleares. Não se conhece o detalhe desse plano, mas se suspeita que possa incluir uma ampla mobilização tipo teatro de guerra, que inclui a Europa.
Em suas bases, são cinco os países que têm mininukes e pilotos treinados para bombardear com elas: Bélgica, Alemanha, Holanda, Turquia e Itália.

A guerra que vem

- Por que esta informação não provocou alarme em escala mundial?

- Porque tudo está perfeitamente camuflado. O uso da mininuke já não está condicionado à ordem do telefone vermelho. Um militar no teatro de operações pode decidir usá-la dentro do menu de opções que tem. E a opinião pública está profundamente desinformada.

- Quando essa guerra poderia explodir?

- Isso não se pode dizer, diversos fatores incidem. Mas desde agosto do ano passado, os Estados Unidos incorporam a China e Rússia em exercícios de grande envergadura. Em paralelo, se registra uma grande movimentação militar no Mediterrâneo sob comando alemão; militarizam-se as costas da Síria e do Líbano, com Israel como força aliada. Enquanto isso, nos exercícios militares do Mediterrâneo e no golfo Pérsico, o Irã é apresentado como inimigo hipotético.

- A perda de popularidade e margem de manobra de Bush não lhe impede de dar um passo dessa dimensão?

- Ele não decide. São a CIA, o vice-presidente Dick Cheney e o complexo industrial- petroleiro-militar. Alguns fatores são favoráveis. Não será uma decisão unilateral. No Conselho de Segurança da ONU, a França, que se opôs na primeira fase da invasão ao Iraque, agora está de acordo. A Alemanha também. Outra desvantagem é que não há um movimento anti-bélico como o de há quatro anos.
Por dizer isso, há dois anos me chamaram de paranóico. Agora já não me chamam mais. Mas não há um alerta mundial.

- A virtual derrota dos Estados Unidos no Iraque pode frear esse plano?

- Sim, é um fator.

- No início da ocupação no Iraque, apesar do que se dizia, não houve resistência. Como se organiza o exército do Irã frente a esta ameaça?

- Comenta-se que, no Iraque, ocorreram subornos dos altos mandos militares para que abandonassem a luta. Mas o Iraque sabia que iria perder o primeiro confronto de qualquer modo. O Irã é diferente. Sabe que não pode ganhar, mas os Estados Unidos tampouco. O país tem um forte sistema de defesa aérea, com mísseis chineses e russos. No Iraque, antes, foi desmantelada sua capacidade aérea. No Irã, com 60 milhões de habitantes, há serviço militar obrigatório. É uma potência militar. E uma mininuke não seria catastrófica só para eles, mas para a humanidade inteira.


Fonte: La Jornada
Traduzido do Espanhol para o Português por Omar L. de Barros Filho, jornalista, diretor de redação de
ViaPolítica e membro de
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