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14/12/2017
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Contra-revolução na Palestina: uma república bananeira em Ramalah, mas por quanto tempo?


AUTOR:  Fausto Giudice, 20 de junho de 2007

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Nos últimos dias, nasceu um novo regime em Ramalah, Cisjordânia, que governa cerca de 15% do território da Palestina histórica. O que podemos pensar?

Para analisar os recentes acontecimentos da Palestina, é preciso recordar outras tantas situações históricas.

De fato, a contra-revolução dirigida por Mahmud Abbas está inspirada nos exemplos argelino, turco e centro-americano, todos de uma vez só.
Não é nada surpreendente, posto que Abbas não é mais que o procônsul eleito pelos amos do império, para aplicar suas diretrizes sobre uma parcela do território palestino.

Para descrever o regime de Abbas, podemos elaborar o seguinte coquetel:

- Um quinto de generais argelinos e chefes da segurança militar da Argélia, daqueles que deram um golpe de Estado em janeiro de 1992 para anular a vitória eleitoral da FIS (1);

- Um quinto de contra-revolucionários nicaragüenses, os famosos “contras”, que tentaram derrotar o regime sandinista nos anos 80;

- Um quinto de esquadrões da morte salvadorenhos e hondurenhos;

- Um quinto de generais turcos "laicos";

- Finalmente, acrescentar um quinto de “Judenrat”(2), de Varsóvia de 1942.

Misturar tudo muito bem e servir frio.

Resultado: uma república bananeira no coração da Palestina, à maneira das repúblicas promovidas pela companhia “United Fruit”, na América Central (3), das que o "novo regime" de Ramalah tem todas as características: é uma mistura de gangsters, torturadores, aventureiros e tecnocratas, cujo melhor ornamento é o sinistro Salam Fayyad, empregado modelo do Banco Mundial formado em uma universidade... texana!

Eles vêm preparando o golpe há quase dois anos, inclusive antes das eleições palestinas de janeiro de 2006. "Eles" são os homens de Abbas e seus padrinhos e patrocinadores: a CIA, o Mossad, o Shin Bet, os serviços secretos egípcios e jordanianos, sob a tutela dos “neocons” sionistas de Washington (Casa Branca e Pentágono), e com a bênção dos cretinos de Bruxelas, com Barroso e Solana à frente (ambos antigos esquerdistas, não o esqueçamos).

A imprensa árabe e os sítios anglófonos na Internet estão cheios de informação sobre essa conspiração há meses. Abbas e seu bando receberam dezenas de milhões de dólares e milhares de armas para, pura e simplemente, liquidar a resistência personificada principalmente pelo Hamas. Transformaram uma boa parte dos combatentes do Fatah em vulgares mercenários. Todo o mundo pode constatá-lo em Gaza, onde esses “combatentes” fugiram com o rabo entre as pernas diante dos combatentes do Hamas, começando por seu chefe, Mohamed Dahlan, que nunca chegará a ser o "rei de Gaza".

Hoje, portanto, a Palestina está dividida em três: o território ocupado pelos sionistas em 1947; a Cisjordânia, controlada precariamente pelo bando Abbas/Dahlan; e Gaza, em mãos do Hamas. Sem esquecer "a outra Palestina", uma "quarta", composta pelos palestinos dos  campos de refugiados dos países vizinhos e a diáspora mundial.

Essa situação foi fomentada por Washington, Tel Aviv e Bruxelas, com o apoio do Cairo e Aman.
É uma estrita aplicação do lema "divide e vencerás" em seus aspectos mais criminosos, e está condenada a um fracasso estrepitoso, como no Iraque, Líbano, Irã, Afeganistão ou Sudão.

Essa é a situação lá; aqui, em nossa “velha Europa” – culpada das desgraças da Palestina - as pessoas que se pretendem de boa fé falam de “golpe de estado do Hamas em Gaza”, e se preocupam com o destino dos “militantes” do Fatah. Eu dividiria essas pessoas em duas categorias: uma minoria de cínicos “democratas laicos”, anti-muçulmanos viscerais e basicamente pró-israelenses, e uma maioria de gente sincera, mal informada e manipulada.

Cada um tem que assumir suas responsabilidades. Mas seja como for, estou seguro de uma coisa: o clima da Palestina não é apropriado para o cultivo da banana; na melhor das hipóteses, quando muito, somente para a reciclagem de cascas de bananas importadas.

 

 

Notas de Caty R. :

(1) A partir de 1830, a França estabeleceu, progressivamente, uma importante colônia na Argélia, que chegou a ter o estatuto de departamento da França até a independência, em 1962.
Livre da tutela colonial, o país seguiu o modelo de partido único até 1988. Em fevereiro de 1989 se realiza na Argélia uma reforma constitucional que permite a legalização de partidos políticos, depois de 27 anos de partido único. Após a legalização do multipartidarismo, a Frente Islâmica de Salvação (FIS) ganhou as eleições municipais e o primeiro turno das eleições legislativas de 1991, mas o exército decretou o estado de emergência e lhe impediu de assumir o poder.

 

(2) http://es.wikipedia.org/wiki/Judenrat

(3) http://bambupress.wordpress.com/2007/05/20/517/


Fontes: http://azls.blogspot.com/2007/06/contre-rvolution-en-palestine-une.html e http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=3056&lg=es
Tradução de
Omar L. de Barros Filho, editor de ViaPolitica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística, a partir da tradução para o espanhol de Caty R., que pertence aos coletivos de Rebelião, Tlaxcala e Cubadebate. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores e à fonte.
Desenho de Ben Heine, Tlaxcala

URL deste artigo : http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=3093&lg=po




TERRA DE CANAÃ: 25/06/2007

 
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