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14/12/2017
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Tony Blair, o enviado de brincadeira


AUTOR:  ATZMON, Gilad

Traduzido por  Cristina Santos


Carlos LatuffQue grande dia para os entusiastas da paz! O Quarteto nomeou um novo enviado para o Médio Oriente que mais não é do que o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. Blair, o homem que deu a luz verde aos israelitas para arrasarem Beirute. Blair, o homem que começou uma guerra ilegal no Iraque. Blair o homem que, de acordo com a Convenção de Genebra, é pessoalmente responsável por mais de 700,000 mortos no Iraque por não “proteger a população civil contra determinadas consequências da guerra” [1]. Um homem que deveria ser julgado por genocídio na Haia. Sim, um homem que deveria terminar os seus dias detrás das grades vai agora ser envidado da paz.

Talvez não seja tão má ideia. Parece que o seu amigo de Washington entendeu assim. É bem possível que quando a paz está em perigo quem pode fazer alguma coisa sejam os belicistas, os criminosos sanguinários, os homens que não têm piedade nem compaixão. Ao fim ao cabo, um violador sabe mais de abusos sexuais do que um juiz inocente, que não sabe do assunto. Não devemos esquecer que para os que rodeiam Bush, mesmo Sharon, o assassino de massas de Sabra e Chatila, nunca foi nada mais do que um “homem de paz”.

Quem sabe a verdade destes assuntos tão complicados? É possível que Bush tenha razão. Quem sabe se ter feito correr tanto sangue qualificou Blair como pacificador. Ainda assim, há aqui um pequeno problema, um assunto marginal que deve ser abordado antes de Blair atracar no Porto Internacional de Gaza ou no concorrido heliporto de Ramallah. Hamas, o partido que o povo palestino elegeu democraticamente, não está contente com o novo enviado. Se eu pudesse falar com ele, dir-lhe-ia: “Olhe senhor Blair, como as coisas estão é com o Hamas que deve falar. E os libaneses, já pensou neles senhor Blair? Acha que eles vão receber bem o homem que há menos de um ano aprovou entusiasticamente a destruição total da infra-estrutura do seu país, da capital e da região sul?”

“Por isso, eu tenho uma pequena sugestão para si, senhor Blair. Antes de se tornar numa pomba, quando for a caminho da sua primeira missão de paz, passe uns dias na Haia, ponha-se no lugar onde deve estar. Prove-nos, a nós e aos nossos irmãos da região, que é um homem de paz e harmonia. Não se preocupe muito, o senhor sempre acreditou no que estava a fazer. Sempre disse que acreditava que o correcto era libertar o povo iraquiano. Também acreditava que destruir a infra-estrutura do Líbano trairia estabilidade à região. Acreditava que repudiar o governo palestino democraticamente eleito era um acto de humanismo.”

“Não ceda, senhor ex-primeiro-ministro, pode ter os seus dois melhores amigos do seu lado. Provavelmente nomeará Lorde Goldsmith para tratar da sua defesa. Ele vai pôr-se do seu lado, quando chegar a hora, porque foi ele que lhe deu a autorização legal para começar a sua “pequena” guerra ilegal. Também não se deve preocupar com dinheiro. Lorde Levy, o seu angariador de fundos nº 1, tratará dos gastos. Agora, que já são públicas as transacções ocultas para outorgar títulos nobres a quem doasse dinheiro ao seu Novo Partido Trabalhista, o senhor não tem nada a temer.”

Tenho a certeza que quando o nosso muito querido, e recém-nascido pacifista for absolvido pelo Tribunal Internacional de Justiça será muito mais eficaz como pacificador. Ele até podia ser o primeiro a preencher a lacuna existente entre os inimigos da região. Esta é uma oportunidade que não podemos perder e nem nos deveríamos preocupar com o seu fracasso, porque o tio Bush pode sempre nomeá-lo primeiro-ministro do Iraque. Não creio que ninguém vá ter saudades do Blair, mas que se lembrem dele, sim.

Enquanto escrevia estas palavras dirigidas a Blair pensei numa ideia adicional: se é verdade que ele vai ser o novo enviado especial para a paz no Médio Oriente, então eu também quero solicitar um posto apropriado para mim. Espero vir a ser o Rabino-chefe da Grã-Bretanha.

[1] Convenção de Genebra, PARTE II PROTECÇÃO GERAL DAS POPULAÇÕES CONTRA DETERMINADAS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA, artigo 13 – As disposições do título II têm em vista o conjunto das populações dos países no conflito, sem qualquer distinção desfavorável, particularmente de raça, nacionalidade, religião ou opiniões políticas, e destinam-se a aliviar os sofrimentos causados pela guerra.


Fonte: http://peacepalestine.blogspot.com/2007/06/gilad-atzmon-taking-piss-envoy.html
Artigo original publicado o 28 de junho de 2007
Sobre o autor
Traduzido para português por Cristina Santos, membro de
Tlaxcala, rede de tradutores pela diversidade linguística. Esta tradução  pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.
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TERRA DE CANAÃ: 04/07/2007

 
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