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27/06/2017
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Toni Negri: “América Latina está acabando com a dependência dos EUA”


AUTOR:   Pablo Stefanoni

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Toni Negri – um dos pensadores mais polêmicos da nova esquerda – chegou a La Paz para participar, como figura central, do seminário "Pensando o mundo desde a Bolívia". Em várias atividades, nas quais teve que lidar com o mal da altura, o autor de “Império” – que acaba de completar 74 anos – discutiu mano a mano com o vice-presidente Álvaro García Linera, leitor de todos os seus livros e simpatizante de suas posições políticas. Pouco antes de continuar rumo a Caracas, falou com Clarín sobre sua visão da atual conjuntura latino-americana.

P - Você apóia os novos governos latino-americanos como Lula, Chávez, Kirchner ou Evo Morales? Acredita que exista um retorno ao modelo desenvolvimentista e nacionalista que, em seus livros, critica de modo radical?

TN – Talvez, na superfície, as coisas poderiam ser vistas assim, mas estou convencido de que o que ocorreu na América Latina é a queda de um nacionalismo ligado a uma concepção de desenvolvimento nacional. A América Latina saiu da dependência para ingressar em uma sociedade de interdependência em que está obrigada - pelo exterior - a atuar como continente. O desenvolvimentismo e a aliança de classes que o sustentou foi a cobertura de uma situação de dependência e o desenvolvimento foi entendido dentro dessa dependência. Hoje, no marco da globalização, é completamente diferente. É impressionante a política de comércio Sul-Sul de Lula, com China, Índia, África do Sul... Está transformando as hierarquias mundiais imperiais.

P – Acredita que existam duas esquerdas na América Latina? Álvaro Vargas Llosa falou de uma "esquerda vegetariana" (Lula e Bachelet) e uma "esquerda carnívora" (Evo e Chávez)?

TN - Eu não creio que a história se repita. Estou convencido de que o socialismo científico e o terceiromundismo chegaram a seu fim. Venezuela não é Cuba. Cuba é um país que admiro por milhares de razões, entre elas sua resistência heróica, mas não é um modelo. Creio que a experiência de Chávez é extremamente contraditória, como a experiência de Lula ou de Kirchner – uma esquerda peronista é uma contradição em si mesma. O problema é qual é a linha que atravessa esta história, e creio que a primeira coisa a ressaltar é uma democracia cada vez mais poderosa e crescentemente irreversível. Não é socialista mas pode possibilitar um câmbio, por exemplo, em relação às trágicas diferenças sociais. A segunda questão central é que a América Latina saiu da dependência dos Estados Unidos, que tinha características de colonialismo.

P – Pensa que, verdadeiramente, a dependência aos Estados Unidos está se rompendo?


TN - Penso que a política neoconservadora acabou, paradoxalmente, com a doutrina Monroe que estabeleceu que a única potência no continente era os EUA. Isso se acabou porque os EUA perderam sua batalha, não só na América Latina. O ciclo estadounidense está terminado. O fracasso é militar e todos o vêem. E também é econômico e muitos começam a vê-lo.

P - Fracasso econômico em que sentido?


TN - As grandes instituições internacionais que dominavam o mercado mundial, de acordo com o Consenso de Washington, estão acabadas e o mesmo vale para o americanismo agressivo e generalizado. De todos modos, é uma situação difícil com a qual não sou nem otimista nem pessimista. Vivemos em um mundo imperial, no qual a capital do império, por assim dizer, não é Washington-Nova York-Hollywood, mas sim Brasília-Bruxelas-Calcutá etc. E não sei o que acontecerá.

P – Entretanto, muitos crêem que o império são os EUA e que o chefe imperial é George W. Bush. Como os convenceria da idéia de um império sem um centro?

TN - Pode ser que a maioria do mundo pense isso, mas já não a maioria dos estadounidenses. É claro que têm  possibilidades enormes em todos os âmbitos, mas hoje existe bastante consenso em que haverá certa hegemonia estadounidense mediante um poder soft (brando). Com um regime financeiro e monetário praticamente dominado pela China e controlado pela Europa não podem fazer qualquer coisa. O problema é que têm seus "amigos tolos" em todos os países, com um acesso desproporcional aos meios. O único país da região onde diria que exista uma pequena luz de liberdade de imprensa e certa luta política nos meios é na Argentina. No Brasil é escandaloso o nível de monopólio.

P - Falando de liberdade de imprensa, o que opina sobre o fechamento de RCTV na Venezuela?


TN – A mim parece uma espécie de ataque de raiva mais que uma política. O grande problema que Chávez ainda deve explicar é como organizar uma democracia na imprensa. É claro que hoje a imprensa venezuelana não é democrática, mas isso tampouco se consegue com nacionalizações ou estatizações. É preciso sair da simples disjuntiva privado-estatal.


Fonte:  Clarín

Artigo original publicado a  21 de Agosto de 2007

Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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Versione italiana


AO SUL DA FRONTEIRA: 03/09/2007

 
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