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22/10/2017
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AUTOR:  Juan GELMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Mais de cem especialistas norte-americanos em política internacional consideram que, desde a ocupação do Iraque, o mundo ficou mais perigoso, a estratégia de segurança nacional saiu dos trilhos e a própria guerra carece de bússola. Assim opina a maioria dos analistas mais respeitados do país no terceiro “Índice do terrorismo”, o relatório semestral de uma consulta que realizam o Centro para o Progresso Estadounidense e a revista Foreign Policy (www.americanprogress.org, 20-8-07).

Os opinantes – democratas e republicanos por igual – foram ou são chefes militares, ex-secretários de Estado, assistentes da hierarquia da Casa Branca, conselheiros presidenciais de segurança nacional, acadêmicos prestigiosos e agentes de alto nível dos serviços de inteligência. Entre eles, 80% ocuparam cargos no governo dos EUA – mais da metade no Poder Executivo –, 32% nas forças armadas e 21% na chamada comunidade de inteligência. Seus julgamentos em nada coincidem com o otimismo de W. Bush.

Para começar: 84% sustentam que Washington não está ganhando a guerra antiterrorista; apenas 6%, o contrário. Que os riscos aumentaram para os estadounidenses e para os EUA em todo o planeta é apontado por 91%, dez pontos mais que na mesma investigação de fevereiro passado. Há quase unanimidade em relação à guerra no Iraque: 92% estimam que influi negativamente na segurança dos estadounidenses. Esse parecer recorre o espectro político inteiro: é compartilhado por 84% daqueles que se definem como conservadores.

Para seguir: a Casa Branca iniciou em fevereiro o “aumento” de suas tropas no Iraque, 28.000 efetivos mais que deviam “pacificar” Bagdá e que elevaram seu número ao nível mais alto até agora: são 165.000. W. Bush insiste em que isso está dando frutos e que há que esperar a avaliação do mês que vem para conhecer seu alcance. Já 83% dos conservadores consultados – 22% mais que há seis meses – opinam que o tão mencionado “aumento” não tem impacto algum na situação e, se tem, é negativo. Os experts adjudicaram uma pontuação de 2,9 em uma escala de 10 à atuação geral da Casa Branca no conflito. Foi reprovada.

Este estudo tem seus paradoxos, filhos da descrença. Embora um alto número de interrogados creia que o perigo terrorista para os EUA se incrementou, 88% afirmam que a retirada das tropas não provocará novos atentados em território estadounidense, ou que não há relação alguma entre as duas questões. Seis de cada dez entrevistados dizem agora que invadir o Iraque foi um erro. Ao mesmo tempo, a maioria se opõe a uma retirada imediata: 68% a reclama, mas, em termos graduais, em um lapso de ano e meio, quer dizer, só no princípio de 2009, todos os efetivos teriam voltado para casa.

Não faltam as surpresas: entre quem pede a retirada imediata, os conservadores superam ligeiramente os liberais ou moderados. Como advertência, as contradições não brilham por sua ausência. Guerra não, mas sim.

Um número de 80% considera que os EUA devem aplicar sanções ou utilizar a via diplomática para terminar com o presumido programa iraniano de obtenção de armas nucleares; só 8% exigem uma intervenção militar. A maioria se pronuncia por negociar com organizações qualificadas de terroristas, mas que alcançaram um grau de apoio popular nas urnas, como o Hamas, nos territórios palestinos ocupados, ou o Hezbolá, no Líbano. No relatório, sublinha-se que as pessoas consultadas pertenceram ou pertencem “aos níveis mais elevados do establishment nacional em matéria de política exterior”. A Lei Patriótica, que estabelece que aqueles que divergem da Casa Branca devem ser tratados como traidores da pátria, será aplicada contra eles? Cosas veredes, Sancho.

Percebem-se outras curiosidades. A Casa Branca insiste que o Irã arma e ainda treina os insurgentes iraquianos, fato possível mas não provado. Só que é o comando norte-americano o que “aluga” sunitas, devotos de Saddam Hussein e agora ex-inimigos, para “pacificar” a província de Babil, ao sul de Bagdá (The Nation, 17-8-07). Pagam-lhes 350 dólares mensais – verdes, sempre verdes –, mas quem pode garantir o êxito da compra?

O Government Accountability Office (GAO, por sua sigla em inglês), o Tribunal de Contas dos EUA, levou ao Congresso um relatório no qual destaca que “desapareceram” 190.000 pistolas e rifles de assalto AK-47 entregues às novas forças de segurança iraquianas, de 6 de julho de 2004 até dezembro de 2005. Também viraram fumaça 135.000 coletes à prova de balas e 15.000 capacetes (www.gao.com , 31-7-07). O total representa  30% das armas e equipamentos militares que o Pentágono entregou ao regime fantasma de Bagdá para combater o “terrorismo”. Não parece, entretanto, que fossem perdidos no caos iraquiano: os insurgentes costumam empregar armas de fogo curtas para obrigar o veículo do ocupante a desviar-se até onde abundam as bombas que instalaram na estrada. Como ocorria com o exército vermelho chinês em luta contra Chiang Kai-shek, seu melhor provedor de apetrechos militares são os EUA.


Fonte:  La Bitácora de Gelman

Artigo original publicado a 23 de Agodsto de 2007 

Sobre o autor

Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de  Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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PAZ E GUERRA: 06/09/2007

 
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