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18/10/2017
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A guerra, o general e os senadores

Perguntinhas


AUTOR:  Juan GELMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


A expressão é comum e corrente: ganha-se tempo para entregar um trabalho atrasado, ou acalmar os credores, ou cumprir uma promessa à mulher, e para tantas outras coisas. Os norte-americanos, mais pragmáticos, dizem “comprar tempo”.

O General PetraeusÉ o que procura W. Bush e seu complacente comandante-em-chefe das tropas no Iraque, o general David H. Petraeus. No relatório que apresentou diante do Senado dos EUA, na segunda e na terça-feira passadas, anunciou que há progressos no Iraque, e embora qualificasse a situação no país invadido de “complexa, difícil, às vezes frustrante”, afirmou que a vitória é possível, ainda que “não será rápida nem fácil”, e que não pode haver retirada do “aumento” de 30.000 efetivos somados aos 135.000 já no lugar antes de agosto de 2008, com exceção dos 5.700 que Bush, cedendo às pressões, disse que retiraria em dezembro e que, a qualquer momento, podem regressar ao Iraque.

O senador republicano Chuck Hagel, veterano do Vietnã, formulou uma perguntinha ao general: “Onde isto vai parar? Para que seguiremos investindo sangue e dinheiro norte-americanos? O presidente pede que lhe deixem comprar tempo. Comprar tempo? Para que?” Talvez não seja impossível lhe responder. A resposta é o Irã.

Os indícios sobram. O presidente Bush guinou de ameaçar o Irã com “um holocausto nuclear” se continuasse com o enriquecimento de urânio para acusá-lo de abastecer a insurgência iraquiana com os chamados “artefatos explosivos improvisados” (IED, por suas siglas em inglês), de manufatura caseira. Abundam na imprensa norte-americana transcendências na mesma direção: dizem que existem provas contundentes, mas ninguém as apresenta. O general Peter Pace, saliente chefe do Estado Maior Conjunto, declarou em determinado momento que não havia evidência alguma no apoio dessas afirmações. Não importa muito, ela tampouco existia em relação às armas de destruição massiva de Saddam Hussein.

As passagens mais importantes das declarações de Petraeus referem-se ao Irã (www.crooksandliars.com, 10-9-07), a quem constantemente aponta como o culpado pela falta de maiores progressos no Iraque. Orgulha-se de haver capturado os líderes dos “grupos especiais apoiados pelo Irã, assim como um chefe operativo libanês do Hezbolá que apóia as atividades iranianas no Iraque”, mas se abstém de explicar quais são esses líderes e quem é o membro do Hezbolá, nada menos que numa audiência diante do Senado. E se há violência “etnosectária”, disse, deve-se em parte às “perversas ações da Síria e, especialmente, do Irã”. Tampouco esclarece em que consistem ditas ações. Não lhe incomoda inventar: afirma que suas tropas capturaram o subcomandante do “departamento 2008 de Hezbolá”, perfeitamente desconhecido, salvo para ele, cujos elementos “assassinaram e seqüestraram dirigentes do governo iraquiano, mataram e feriram nossos soldados com IED de técnica avançada proporcionados pelo Irã”. Como assegura um a pedido do grupo pacifista Mov.On.org, o general Petraeus “é um militar sempre em guerra com os fatos” (The New York Times, 10-9-07). E outra perguntinha lhe aguardava.

O senador John Warner, também republicano, espetou Petraeus: “Espero que no fundo de seu coração o senhor saiba que com essa estratégia haverá mais baixas, se mantiver o esforço de nossas tropas, a tensão de suas famílias, a tensão de todos os estadounidenses… A continuação do ‘aumento’ fará com que os EUA ganhem em segurança?” A resposta do general: “Senhor, na realidade não, estou seguro”. Algo desconcertante se não se percebe que esse “aumento” tem o Irã como objetivo. Não bastou para secar em seis meses o pântano iraquiano, e não produziu maiores mudanças no curso da guerra.

A Casa Branca insiste que a violência diminuiu, e é verdade, só que à custa de modificar o significado da palavra: os militares mortos nas estradas pela explosão de bombas artesanais já não contam (Los Angeles Times, 4-9-07); as vítimas baleadas no rosto, tampouco (Washington Post, 6-9-07); muito menos os que passam para uma vida melhor nos enfrentamentos xiítas versus sunitas (Center for Strategic and International Studies, 6-8-07). W. Bush está “comprando tempo” para desatar o que alguns comentaristas já batizaram de “a Quarta Guerra Mundial”.

Uma moeda usada para semelhante compra – em mais de um sentido – é a reaparição de Osama bin Laden nas vésperas do sexto aniversário do 11/9. O vídeo que o mostra com a barba negra e cacheada despertou dúvidas. O senador republicano Norman Coleman perguntou ao diretor da Inteligência Nacional, Michael McConnell, se essa barba era autêntica, dado que era vista sempre grisalha e escorrida nos vídeos anteriores (www.rawstory.com, 10-9-07).

É que Osama aparece cada vez que Bush necessita dele para atiçar fervores bélicos desanimados. Por ocasião da “BlackHat conference” que foi realizada em Las Vegas de 1º a 3 de agosto deste ano, o especialista norte-americano Neal Krawetz demonstrou cabalmente que a empresa IntelCenter, colaboradora próxima do Pentágono, manipula esses vídeos (http://blog.wired.com/). E, a seguir: como se explica que um sistema informático tão avançado como o norte-americano não possa localizar uma pequena agência terrorista que produz vídeos tão modestos? Talvez pelo mesmo motivo que impede as forças armadas e serviços de inteligência tão poderosos como os dos EUA de localizar Bin Laden.


Fonte:  La Bitácora de Gelman

Artigo original publicado a 17/09/2007 

Sobre o autor

Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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PAZ E GUERRA: 01/10/2007

 
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