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16/12/2017
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Ventos de rebeldia


AUTOR:  Juan GELMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Levantam-nos mais de vinte generais reformados que vão além dos limites da disciplina militar a que estão ainda submetidos e criticam publicamente a guerra desatada por W. Bush. Uma história nada habitual nos EUA: parece que, em razão dos desastres do Iraque e Afeganistão, agoniza a antiga tradição de não questionar abertamente o comandante-em-chefe. Em colunas de opinião, entrevistas na mídia e até em anúncios na TV, altos chefes rompem com a cultura de lavar a roupa suja em casa e não somente julgam o comando superior: tampouco esquecem os dirigentes políticos que afundaram o país no pântano iraquiano. Isso não ocorreu nem com a guerra do Vietnã, o que mostra a exasperação diante do desastre.

Muitos dos comandantes são republicanos, votaram em Bush e aplaudiram a nomeação de Donald Rumsfeld à frente do Pentágono. Não se pense que estiveram ou estão contra a ocupação do Iraque: sentem-se traídos pelo que avaliam como uma péssima condução da guerra. O major-general (R) John Batiste participou ativamente nas primeiras etapas de planejamento da invasão e em dezembro de 2003 aterrissou no país já ocupado no fronte da 1ª Divisão de Infantaria norte-americana. Hoje pensa que tem “a obrigação moral e o dever” de criticar as estratégias da Casa Branca e algo mais: “Sustentar um czar guerreiro é cobrir a burocracia com outro cobertor. Temos uma cadeia de comandos e é hora de que nossos líderes anotem e assumam a responsabilidade” (sexta-feira, 13-4-07). Pesado, não?

O major-general (R) Paul Eaton foi encarregado do treinamento do novo exército iraquiano nos anos 2003/2004. A quem que lhe reprovou pela falta de ética em seus comentários posteriores contra a Casa Blanca, respondeu: “O ético é isto: dar as próprias opiniões aos que estão em posição de mudar, não à mídia. Mas este governo é imune os bons conselhos” (www.signonsandiego.com, 23-9-07). Não ficou por aí: declarou que o governo Bush e seus aliados no Congresso “foram, absolutamente, o pior que aconteceu ao exército e ao corpo de marines dos EUA.” (www.thinkprogress.org , 3-10-07). Carrega dez condecorações além dessa opinião.

As ameaças de Bush em lançar bombas atômicas sobre o Irã e começar “a terceira guerra mundial” se Teerã insistir em desenvolver tecnologia nuclear está despertando uma resistência notória na força aérea e ainda nos serviços de Inteligência estadounidenses. “A oposição a um ataque (contra o Irã) tem mais consenso em Washington do que a maioria imagina”, informou o semanário Newsweek (1-10-07), com base em informações de agentes dos serviços secretos. Por sua vez, o analista militar Eric Margolis apontou que “fontes próximas ao governo dos EUA assinalam que existe uma forte oposição à guerra entre oficiais superiores do Pentágono e funcionários de alta patente da CIA e dos ministérios de Fazenda e de Relações Exteriores” (The Sunday Times, 22-9-07). Um episódio recente assim o demonstraria.

Em 30 de agosto passado, seis cabeças nucleares W80-1, armadas em mísseis de cruzeiro avançados AGM-129, partiram a bordo de um bombardeiro B-52 da base Minot, de Dakota do Norte, para a base Barksdale, em Louisiana, e “se perderam” durante 36 horas (The Times, 21-10-07). Estranho, estranho. Nenhuma arma nuclear pode ser transferida de um lugar a outro sem autorização dos altos comandos, e a ordem e as permissões do caso foram devidamente outorgadas. Ignora-se que nível da alta hierarquia castrense aprovou a operação e qual era seu objetivo declarado. O subchefe de Operações do Estado Maior, general Richard Newton III, falou de erros de procedimento e de “uma erosão do cumprimento das normas atinentes ao manejo das armas” (The Sheveport Times, 27-8-07). Quem sabe. Não “desaparecem” seis mísseis nucleares durante um dia e meio como se fossem papelão pintado.

A “desaparição” foi causada pela resistência de oficiais aviadores que, com o auxílio dos serviços secretos, investigaram e descobriram que os mísseis estavam destinados ao Oriente Médio, quer dizer, para serem lançados sobre o Irã. “A missão fracassou graças à oposição interna da força aérea e dos serviços de Inteligência”, observou o notável jornalista Wayne Madsen (www.waynemadsonreport.com, 24-9-07), para quem não faltam conexões com agentes da CIA. O que veículos como o Washington Post qualificaram de “falha” do sistema de comandos foi – agrega Madson – uma rebelião “contra um ataque norte-americano ao Irã, para o qual estava previsto o uso de armas nucleares e de armas clássicas”. Isso explicaria porque o B-52 não levantara vôo para o leste. Trata-se de imputações não verificadas ainda, mas é indubitável que um vento de rebeldia percorre as fileiras das forças armadas norte-americanas. É de esperar que sopre bem forte.


Fonte: La Bitácora de Gelman

Artigo original publicado em  1/11/2007

Sobre o autor

Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e  membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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PAZ E GUERRA: 11/11/2007

 
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