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11/12/2017
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Terceira guerra mundial: onde é que entra o Irão?


AUTOR:  Aleksandr KOLDOBSKIJ

Traduzido por  Alexandre Leite


Nicolas Sarkozy declarou recentemente de forma não amigável para Washington que o problema nuclear iraniano poderia ser resolvido mediante sanções das Nações Unidas e da União Europeia, fazendo de seguida uma reserva sobre a “vontade de prosseguir o diálogo com Teerão”. Segundo o presidente francês a posse de armas nucleares pelo Irão é inadmissível, mas todo o mundo, incluindo este país, tem o direito de ter acesso ao “nuclear pacífico”.

É pouco provável que esta forma de abordar a questão agrade ao anfitrião George W. Bush. De facto, o presidente americano apelou recentemente ao “impedimento de o Irão aceder às tecnologias nucleares de forma a evitar um terceira guerra mundial”.

“A palavra é um representação da realidade na consciência”. Com base nesta definição lógica, impõe-se uma conclusão: se George W. Bush mencionou uma terceira guerra mundial, deve ter uma imagem real. Mas qual será o seu cenário?

Nenhuma lógica consegue explicar a ligação feita entre o Irão e uma terceira guerra mundial. O Irão não pode encabeçar uma coligação importante numa guerra mundial: nem agora, nem num futuro previsível. Tal como não pode representar um casus belli susceptível de provocar a confrontação dessas coligações. Qualquer aventura militar do Irão teria como consequência a derrota instantânea desse país e o seu desaparecimento do mapa político mundial. Entretanto, se os acontecimentos seguissem esse caminho, o Irão não poderia em caso algum esperar atrair as simpatias do mundo.

Por outro lado, a possibilidade de uma operação militar americana no Irão não pode ser excluída. As consequências de tal loucura política seriam pesadíssimas, quer para Teerão quer para Washington. O que se está a passar actualmente no Iraque pareceria uma simples briga de crianças. Mas mesmo nesse caso, uma terceira guerra mundial seria impossível. Nas condições actuais, ela só poderia ser desencadeada por uma confrontação militar entre as principais potências nucleares, o que significaria o fim da história mundial.

As posições da Rússia e dos Estados Unidos são de uma importância crucial neste cenário de uma hipotética guerra mundial, porque as armas nucleares destes dois países (ou contrário de outros, mesmo os nucleares) jogam um papel fundamental no mundo contemporâneo. Seria não só politicamente ingénuo, como também formalmente um erro, admitir que as duas superpotências não estarão envolvidas numa tal guerra. A aliança entre estes dois países torna impossível, por definição, uma terceira guerra mundial. Mas se para Bush, ela é mesmo possível, então também uma confrontação militar de grande envergadura entre os Estados Unidos e a Rússia o é.

Numa época “pré-nuclear”, usando as palavras do teórico militar alemão Karl von Clausewitz, a guerra pode ainda ser considerada como “a continuação da política por outros meios”. Mas uma guerra entre duas potências que têm uma força nuclear de envergadura mundial é, por definição, uma guerra que na qual não haverá vencedor. Todos os sonhos de obter uma vitória militar são inevitavelmente desfeitos pela perspectiva de arder nas chamas duma resposta nuclear. É só uma questão de tempo: se fores o primeiro a atacar significa que morres em segundo lugar.

Dado que o presidente dos Estados Unidos fala de uma terceira guerra mundial num discurso em que a ameaça iraniana é metida a despropósito não podemos deixar de tirar conclusões alarmantes para a Rússia. A mensagem do presidente americano é a seguinte: para conseguir os seus próprios objectivos, os Estados Unidos estão dispostos a desencadear uma terceira guerra mundial, sem ouvir nem querer prestar atenção a ninguém. A lógica elementar não consente outra conclusão.

Resta apenas esperar que as palavras de George W. Bush se inscrevam na linha dos seus discursos em que ele confundiu o Brasil com a Bolívia ou a Áustria com a Austrália (embora não se perceba com que é que se possa confundir a terceira guerra mundial). Num dos casos o assunto limitou-se a uns cartazes sarcásticos que diziam “ Na Áustria não há cangurus!”. No outro caso não se trata de ignorância, mas de um arrogante desprezo pelo futuro da humanidade, inclusive dos americanos. Trata-se de uma arrogância exercida não a nível nacional, mas a nível socio-biológico, porque a terceira guerra mundial e o desaparecimento da civilização da face da Terra, são sinónimos.


Original russo: rian.ru

Em francês http://fr.rian.ru/analysis/20071114/88074392.html  

Artigo original publicado 9 de Nouvembro de 2007 

Sobre o autor

Este artigo é para português de Bandeira do Portugal

Alexandre Leite é editor de  
http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt  e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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PAZ E GUERRA: 21/11/2007

 
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