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14/12/2017
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Irão, o euro e o dólar


AUTOR:  Michael R. KRÄTKE

Traduzido por  Alexandre Leite


Há poucos dias, a República Islâmica do Irão cumpriu a sua ameaça: não 
se aceitam dólares, e todas as transacções económicas externas do país 
passam a fazer-se em euros ou em ienes. Já desde Setembro, uma boa 
parte das exportações petrolíferas iranianas não se efectuavam em 
dólares, mas sim em ienes: o Japão é, de longe, o principal importador 
de petróleo iraniano, sendo o Irão o terceiro fornecedor dessa 
potência pacífica. Agora, também os parceiros comerciais europeus e 
asiáticos do terceiro exportador mundial de petróleo têm de aceitar 
que Teerão já não recebe a moeda dos Estados Unidos.

O Banco Central iraniano propõe-se aligeirar a sua reserva de dólares, 
até deixá-la abaixo dos 20% (e possivelmente irá mais longe, até 
substituí-los completamente por euros ou ienes). É verdade que o 
depósito iraniano de dólares apenas soma 60 mil milhões, mas isso - 
lançado no mercado - bastaria para acelerar o declive do dólar. O 
passo seguinte, já anunciado muitas vezes, parace ser apenas uma 
questão de tempo: a abertura de um mercado de valores petrolíferos 
iraniano, no qual só se negociará em euros. Até agora, há duas bolsas 
de renome associadas a este negócio, a NYMEX de Nova Iorque e a 
londrina IPE (International Petroleum Exchange); ambas pertencem a 
empresas norte-americanas, e em ambas se negoceia com dólares. Se 
aparecer uma bolsa petrolífera iraniana, o grosso dos importadores 
europeus e asiáticos lançar-se-iam de cabeça a ela imediatamente. 
Seria um novo revés para a posição predominante do dólar.
As consequências são claras. Qualquer um poderia então comprar 
petróleo em euros, os europeus, os chineses e os japoneses 
desvincular-se-iam da cambaleante moeda, os preços do petróleo 
serenavam. Os bancos centrais asiáticos poderiam reduzir drasticamente 
as suas reservas de dólares, permanentemente ameaçadas de 
desvalorização.

O poderio mundial dos EUA baseia-se no seu mega-poder militar e num 
regime monetário mundial, através do qual a moeda dos Estados Unidos 
reina de facto como o dinheiro do mundo: quase 80% do comércio mundial 
e 100% do comércio petrolífero mundial fazia-se até há pouco tempo em 
dólares (5 mil e quinhentos milhões diários, 1,5 mil milhões por ano), 
e os mercados financeiros do mundo são também predominantemente 
mercados de dólares. Está fora de discussão: o sistema do petro-dólar, 
em vigor há 40 anos e já muito rodado, é um dos pilares deste regime. 
Centenas de milhares de milhões flúem anualmente para os EUA, 
procedentes dos ganhos dos exportadores do petróleo. Com os 
petro-dólares, estas mega-empresas compram valores americanos - 
sobretudo dívida pública norte-americana - e financiam assim o 
gigantesco défice da balança da conta corrente e do orçamento dos 
Estados Unidos. Bastaria que uns quantos grandes exportadores de 
petróleo passassem do dólar para o euro (ou para o iene), para o 
sistema descarrilar.

Os EUA têm por isso todos os motivos para temer um efeito dominó: 
outros países exportadores de petróleo poderiam seguir o exemplo do 
Irão; na Venezuela, Rússia e Noruega, dizer adeus ao dólar já é algo 
praticamente decidido. A acção iraniana oferece uma bem-vinda 
oportunidade para o fazer. A Arábia Saudita especulou em voz alta 
várias vezes sobre o assunto, garantindo assim êxitos diplomáticos na 
disputa com o grande irmão norte-americano. Também a França se 
comprometeu oficialmente a favor de um papel mais forte do euro no 
negócio petrolífero internacional. Ainda durante o regime de Saddam 
Hussein, o Iraque mudou as suas contas do comércio petrolífero dos 
dólares para os euros (depois da conquista do país, em Abril de 2003, 
isso foi imediatamente corrigido).

A iniciativa iraniana revela aos americanos sobretudo uma coisa: a 
fuga do dólar já começou irreversivelmente. Na Ásia, na América Latina 
e no Médio Oriente há países que procuram romper a vinculação das suas 
moedas ao dólar. Cada vez menos bancos centrais fora dos EUA estão 
dispostos a, e em situação de, segurar o dólar à custa das suas 
próprias economias.

A guerra das sanções contra a pretensa potência atómica iraniana será 
agora, depois da decisão de Teerão, mais discutível do que nunca. Os 
EUA estão agora forçados a fazer a sua jogada, e o governo de Bush não 
se caracteriza pelas suas jogadas inteligentes. Depois das sanções vem 
a opção da guerra quente. Já que o Irão não capitula, e enfrenta a 
política de sanções dos Estados Unidos com meios económicos legítimos, 
é previsível uma escalada. É na preponderância do dólar que se baseia 
a capacidade militar dos EUA para pagar, quando lhes parece 
necessário, o crédito de guerras que já nem o estado norte-americano 
nem a sua economia o permitem. O Império irá contra-atacar, a pergunta 
é como e quando.


Fonte: SINPERMISO

Artigo original publicado a 2/11/2007 

Sobre o autor

Este artigo é para português de Bandeira do Portugal

Alexandre Leite é editor de  http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt  e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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UMMA: 01/12/2007

 
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