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22/10/2017
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“Talvez os europeus e os americanos não acreditem nisto, mas a verdade é que os judeus estão a fazer um verdadeiro holocausto contra o nosso povo”


AUTOR:  Khalid AMAYREH

Traduzido por  Alexandre Leite


Palestinianos e organizações de direitos humanos que operaram nos territórios da Palestina Ocupada, acusaram Israel de estar a fazer um verdadeiro holocausto contra os estimados 1,5 milhões de habitantes da Faixa de Gaza, no seguimento de uma decisão do ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, de cortar completamente o fornecimento de combustível e de electricidade ao território costeiro.

Israel, que em 2005 retirou as suas tropas de ocupação e colonatos da Faixa de Gaza, manteve um controlo apertado em todas as fronteiras de Gaza, reduzindo o pequeno e populoso território a um grande campo de detenção.

Israel acelerou drasticamente o seu castigo colectivo aos habitantes de Gaza, depois da tomada da Faixa pelo Hamas em Junho de 2006. O exército israelense, que exerce uma enorme influência na política israelense, também tem vindo a fazer incursões quase diárias e ataques em Gaza, resultando daí mortes e ferimentos em centenas de palestinianos nas últimas semanas. Crê-se que o grosso das baixas é de civis inocentes.

  


israel corta a electricidade em gaza, por emad hajjaj 21-01-2008

 

No domingo, 20 de Janeiro, mais de 90% dos habitantes de Gaza passaram a noite às escuras, pois Israel decidiu interromper o vital fornecimento de combustíveis, ostensivamente para coagir as massas a revoltarem-se contra o Hamas, que recusa legitimar a ocupação israelense do território palestiniano.

O apagão quase total das centrais eléctricas já está a provocar efeitos catastróficos e a paralisar os serviços vitais em toda a Faixa de Gaza.

Fontes hospitalares relataram muitas mortes causadas pela paragem de fornecimento de electricidade.

 “Equipamento médico alimentado a electricidade tal como incubadoras, máquinas de diálise e máquinas de respiração artificial, bem como muitos outros equipamentos que salvam vidas, já não funcionam. Isto significa a morte certa para alguns pacientes”, disse Omar al-Shawwa, um paramédico do Hospital Shifa na cidade de Gaza.

O hospital Al-Shifa é o maior hospital em Gaza e tem estado em funcionamento em estado de emergência há dois anos, já que o fornecimento de material médico vital continua a ser restringido por Israel.

“É verdade que os judeus não estão a enviar as nossas crianças para fornos, mas eles estão a matar-nos usando outros meios”, disse al-Shawwa visivelmente triste. “Talvez os europeus e os americanos não acreditem nisto, mas a verdade é que os judeus estão a fazer um verdadeiro holocausto contra o nosso povo.”

As câmaras de televisão mostraram cenas de pôr os cabelos em pé, de crianças palestinianas cuja sobrevivência depende de determinadas máquinas médicas que funcionam a electricidade. No norte de Gaza, uma criança paralisada estava entre a vida e a morte e os membros da sua família tentavam rotativamente mantê-la a respirar usando uma bomba manual de respiração.

 Entretanto, oficiais palestinianos e da ONU em Gaza, alertaram para um desastre iminente que afectará todos os aspectos da vida em Gaza.

Hasan Abu Ramadan, um economista palestiniano, disse que a actual catástrofe humanitária na Faixa de Gaza irá aprofundar-se com o continuado bloqueio israelense de combustíveis e alimentos. Ele avisou que a Faixa de Gaza poderá passar de uma situação de profunda pobreza para uma de fome generalizada, doenças e má nutrição.

Abu Ramadan sublinhou que mais de 80% dos 1,5 milhões de habitantes de Gaza estão a sobreviver com a ajuda alimentar de organizações internacionais como a UNRWA [Agência das Nações Unidas para os Refugiados no Médio-Oriente].

Outro aviso urgente foi emitido por John King, dirigente das operações da UNRWA em Gaza

Falando numa conferência de imprensa improvisada em Gaza, no domingo à noite, King apelou à comunidade internacional para intervir imediatamente de forma a prevenir que aconteça o iminente desastre humanitário

King assinalou que civis inocentes estão a pagar um preço muito alto pelo actual conflito, dizendo que as padarias estão a deixar de fazer pão e que os hospitais estavam frios desde que os geradores de electricidade pararam devido à falta de combustível.

“A ajuda médica não está disponível, o papel não estão disponível, não há cimento para fazer sepulturas, nem estão disponíveis os caixões para os mortos. Também há uma séria falta de alimentos, e os preços dos que ainda existem são muito altos.”

King disse que toda a gente em Gaza tem agora um problema que se está a exacerbar à medida que passa o tempo. Ele afirmou que era vergonhoso que nalguns círculos, numa óbvia alusão a Israel e aos seus aliados, se estejam a arranjar argumentos para a situação em Gaza.

“Não consigo descrever por palavras o que está a acontecer em Gaza.” 

Entretanto, círculos de extrema-direita em Israel apelaram a que o governo israelense aniquile os habitantes de Gaza.

Em colonatos judeus na cidade de Hebron e nos seus arredores, na Cisjordânia, colonos judeus foram vistos a dançar numa aparente expressão de alegria pela tragédia em Gaza, com alguns deles a gritar em hebreu “morte aos árabes” e “árabes para as câmaras de gás”.

Ainda antes, colonos com armas automáticas atacaram palestinianos e vandalizaram as suas propriedades em Hebron, à vista de soldados israelenses ocupantes que observaram passivamente. Pelo menos 11 palestinianos foram atingidos, a maioria com pequenos cortes e feridas.

   


olmert e gaza, por emad hajjaj 17-01-2008

 

Desde o início de 2008, o exército de ocupação israelense assassinou perto de 40 palestinianos e feriu centenas, tendo muitos ficado com deficiências permanentes.

O banho de sangue de nível pornográfico levou o Relator Especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU sobre a situação dos Direitos Humanos nos territórios ocupados da Palestina, John Dugard, a condenar a morte indiscriminada de palestinianos por parte de Israel.

Dugard disse que Israel devia ter previsto a perda de vidas e os ferimentos provocados a muitos civis quando atingiu o edifício do Ministério do Interior em Gaza, apenas há alguns dias atrás.

As impiedosas mortes, disse Dugard, “levantam sérias questões sobre o respeito de Israel pela lei internacional e o seu empenhamento no processo de paz”.

Ele acrescentou que as atrocidades israelenses violam as estritas proibições ao castigo colectivo contidas na Quarta Convenção de Genebra.

F Ver as fotografias de Mohammed Omer em Horror in Gaza


Fonte: http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4512&lg=en

Artigo original publicado a 21 de janeiro de 2008 

Sobre o autor
Este artigo é para português de Bandeira do Portugal

Alexandre Leite é editor de  
http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt  e  membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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TERRA DE CANAÃ: 22/01/2008

 
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