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14/12/2017
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É Abbas advogado de Israel?


AUTOR:  Khalid AMAYREH

Traduzido por  Alexandre Leite


O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, rejeitou veementemente as exigências do Hamas de que apenas as autoridades palestinianas e egípcias pudessem controlar a fronteira de Rafah.

“Nós não iremos aceitar novas condições; eles (Hamas) têm de voltar ao antigo acordo fronteiriço. Nós estamos mais preocupados com os interesses do povo palestiniano do que o Hamas. Se o Hamas realmente está com ele, que o deixe cumprir este acordo.”

Bem, será que Abbas sabe realmente do que é que está a falar? De facto, como diz o provérbio árabe, se ele sabe, é uma verdadeira calamidade, se ele não sabe, é uma calamidade ainda maior.

Eu digo isto porque o antigo acordo que regula os movimentos na fronteira de Rafah permite a Israel, o país que está a tentar dizimar 1,5 milhões de habitantes de Gaza deixando-os à fome, ter a palavra final sobre quando é que o posto fronteiriço deve estar aberto e quando é que deve estar fechado.

Todos nos lembramos de como milhares de palestinianos, incluindo estudantes, doentes, peregrinos e outros viajantes, tiveram de esperar do lado egípcio da fronteira durante semanas e meses, porque um oficial israelense do lado israelense da fronteira decidiu manter estas vítimas indefesas reféns dos seus caprichos e instintos canibais.

De facto, este estranho sadismo, que o Sr. Abbas está caninamente agora a defender, foi responsável pela morte de dúzias de palestinianos que foram deixados no deserto, como se fossem animais, não seres humanos. Vejam os importantes relatos que descrevem o infortúnio dos desamparados habitantes de Gaza e vão perceber do que estou a falar.

Como é que Israel conseguiu manter a fronteira fechada durante a maioria dos dias do ano? Bem, foi muito simples. De acordo com o “maravilhoso” acordo que Abbas está agora a exigir que o Hamas aceite incondicionalmente, o posto fronteiriço de Rafah não pode estar a funcionar sem a presença de monitores da União Europeia. Mas os próprios monitores, que vêm de vários países da UE e alguns deles podem até estar a trabalhar para os serviços secretos israelenses, estão instalados no pequeno kibbutz israelense de Kerem Shalom, a alguns quilómetros do posto fronteiriço. E de acordo com o infame acordo, eles não têm livre acesso ao posto a não ser que recebam previamente uma autorização diária por parte do exército de Israel.

Por seu lado, o exército israelense, agindo sob instruções do governo, simplesmente declarava, por rotina, a única estrada de Kerem Shalom para o posto fronteiriço de Rafah, como zona militar fechada, de forma a manter encerrada a fronteira. Claro, o exército invocava “razões de segurança” para justificar o encerramento quase perpétuo, mas toda a gente, incluindo os próprios israelenses, sabe muito bem que as genuínas preocupações de segurança têm muito pouco a ver com as medidas tomadas por Israel, e o verdadeiro motivo é punir e atormentar os palestinianos.

Como mencionado, este flagrante abuso da autoridade não aconteceu num ou dois dias, ou mesmo em dez dias por mês. Esta era a norma, o modus operandi, e a fronteira esteve fechada 26 ou até 29 dias por mês, causando enorme sofrimento aos palestinianos.

Foi um processo deliberado e calculado com a intenção de atormentar, agredir, brutalizar e humilhar as pessoas de Gaza, e foi tudo feito com o carimbo de um “acordo internacional”.

Os líderes e estados membros da UE sabiam bem o que se passava em Kerem Shalom. Mas eles foram tão desonestos moralmente e tão subservientes a Israel e aos Estados Unidos, que não mostrarem nenhuma objecção significativa à perseguição sistemática de Israel a uma população indefesa, cujos homens, mulheres e crianças se agarram à vida como fizeram muitos dos presos judeus no Gueto de Varsóvia há cerca de 67 anos atrás.

Por isso, eu gostaria de perguntar a Abbas e aos seus aliados e penduras que tanto falam e fazem barulho, dizendo servir os vitais interesses do povo palestiniano:

Como é que vocês pensam que permitir que Israel controle novamente a fronteira de Rafah vá servir os interesses do povo palestiniano? Estão bêbados? São estúpidos? São cegos? São ignorantes?

Aliás, em primeiro lugar, porque é que consideram que Israel deve estar envolvido no controlo da fronteira de Rafah? Não é uma fronteira entre o Egipto e a Palestina? Israel não declarou que terminou a sua ocupação da Faixa de Gaza? O regime sionista não tem vindo a dizer ad nauseam que já não é responsável por Gaza? Se assim é, porque é que insistem que seja o capataz dos escravos a ter a decisão final, o patrão máximo? Isto é doentio, para não dizer mais, e mostra o tipo de subserviência umbilical da vossa parte em relação aos nefandos ocupantes.

Eu percebo que haja problemas entra a Fatah e o Hamas. No entanto, trair o povo palestiniano e minar os seus interesses vitais com o objectivo de enfraquecer o Hamas e satisfazer Israel e bajular Washington, roça a traição, pura e simples.

O que mais se pode dizer sobre a colagem a um acordo inconcebível que permite que os diabólicos ocupantes nos aprisionem, atormentem e humilhem com impunidade… porque é o que o “acordo” diz.

Bem, o acordo pode ir para o inferno, mais os que os assinaram.

Resumindo, o Hamas tem razão a cem por cento. A fronteira de Rafah tem de ser gerida em conjunto pelas autoridades palestinianas e egípcias. E o regime de Ramallah pode, se quiser, fazer parte da gestão do posto fronteiriço, dentro de um processo geral de reconciliação entre Gaza e Ramallah.

No entanto, enquadrar Israel nesta situação é inaceitável. A população de Gaza já sofreu mais do que suficiente nas mãos de Israel. Não se pode permitir que para além de assassino e atormentador possa também ser aprisionador.

Será que Abbas vai perceber isto? Duvido.


Fonte: http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4581&lg=en


Artigo original publicado a 01/02/2008

Este artigo é para português de


Sobre o autor

Alexandre Leite é editor de  http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt  e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

URL deste artigo em Tlaxcala:
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4624&lg=po


TERRA DE CANAÃ: 10/02/2008

 
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