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24/10/2017
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Então, Obama?


AUTOR:  Juan GELMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


 O jornal israelense Haaretz referiu-se à questão: o Instituto de Washington para Políticas no Extremo Oriente (WINEP, por suas siglas em inglês) publicou a versão final do relatório preparado por seu grupo de trabalho sobre o futuro das relações EUA-Israel. Assinala: “O título é chamativo: ‘Como aprofundar a cooperação EUA-Israel frente ao desafio nuclear iraniano’. Mas não menos interessante é a lista das pessoas que avalizaram o informe: Tony Lake e Susan Rice, da campanha de Obama, Vin Weber, James Woolsey, do campo de McCain” (www.haaretz.com, 15/6/08). Os dois candidatos à presidência, o pacifista (ou não?) democrata e o neofalcão republicano, juntos na fundamentação de uma guerra contra o Irã.

 

 

O Winep é think-tank financiado pelo Comitê Americano-Israelense de Assuntos Políticos (AIPAC, por suas iniciais em inglês), o lobby mais poderoso de Washington, pró Tel Aviv, claro. “Há uma maneira” – propõe o Haaretz – “de colocá-lo em forma de manchete: os assessores de Obama e de McCain estão de acordo: EUA e Israel devem ponderar sobre uma ação militar preventiva contra o Irã”. E, para que tal não ocorra, deve abandonar seu suposto programa de fabricação de armas nucleares. Isso é curioso: ao finalizar o ano passado, os 16 serviços estadounidenses concluíram, por consenso, sua Avaliação Nacional de Inteligência (NIE, por suas siglas em inglês), onde assentam que Teerã cancelou em 2003 a pretensão de fabricar bombas nucleares, e que é improvável que produza o urânio enriquecido necessário para isso antes de 2010 ou 2015 (www.odni.gov,3/12/07). Parece que essa conclusão desagradou a Obama e McCain.

 

O relatório do Winep sublinha que a NIE “teve a não pretendida conseqüência de mitigar o sentido de urgência da pressão (sobre o Irã)”. Preocupa-se por Israel, que não se satisfaz com distensão e contenção, à maneira da Guerra Fria, fato que pode levar a uma ação independente. Tel Aviv, além disso, não oculta suas intenções. O vice-primeiro ministro israelense Shaul Mofaz declarou publicamente que as sanções da ONU a Teerã são ineficazes, e que “não há outra alternativa” senão a guerra. O primeiro-ministro Olmert reuniu-se com W. Bush para concertar uma ação conjunta, segundo antecipou o jornal israelense conservador Yediot Aharonot. E o futuro mandatário dos EUA – seja democrata, seja republicano – já está de acordo.

 

Durante as primárias democratas, Obama falou em negociar com o Irã, mas o informe do grupo de trabalho, firmado por seus dois principais assessores, pede que se inicie “um diálogo nacional” para convencer o povo norte-americano de que o Irã é um perigo nuclear. Também recomenda que cada um dos dois candidatos nomeie um par de conselheiros com capacidade de decisão, para integrar um foro que analisaria a aplicação de “opções coercitivas (como um embargo às exportações de petróleo do Irã, ou às suas importações de produtos petroquímicos”, assim como “uma ação militar preventiva”. Claro que o documento não menciona que Israel possui 150 bombas atômicas, segundo declarou o ex-presidente Jimmy Carter (www.timesonline.co.uk, 26/5/08). Para quê recordar?

 

 

Obama opôs-se à guerra contra o Iraque desde o primeiro momento, e falou da necessidade de uma mudança nos EUA que abarcasse a política exterior. Mas seu primeiro ato, no dia seguinte em que ganhou as prévias, foi apresentar-se diante uma assembléia do Aipac, ameaçar o Irã, proclamar “Jerusalém indivisível, capital de Israel para toda a eternidade” – um chavão que até os neoconservadores retiraram de circulação –, pedir 30 bilhões de dólares adicionais de ajuda militar a Tel Aviv, e culpar dissimuladamente os palestinos pelo congelamento do processo de paz. Calou-se em relação ao fato de que, há 40 anos, tropas israelenses ocupam os territórios destinados pela ONU à criação de um Estado palestino. Os silêncios de Obama são mais eloqüentes que ele próprio.

O Partido Democrata baseou sua prédica na retirada dos efetivos do Iraque durante as eleições intermediárias de 2007 e, assim, alcançou um tênue controle na Câmara de Deputados e no Senado. Nunca conseguiu impor cláusulas vinculadas ao regresso para casa das tropas com a destinação de quantias enormes para a ocupação do Iraque e Afeganistão. O Pentágono pressiona: agora exige que antes de 4 de julho próximo o Congresso aprove uma nova partida de 165 bilhões de dólares para financiar as duas guerras. Os democratas estão dispostos a votá-la já sem condições. Cansaram.


Fonte:  www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-106444-2008-06-22.html


Artigo original publicado a/em 22 de Junio de 2008

Tradução redigida em português do

Sobre o autor

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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IMPÉRIO: 06/07/2008

 
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