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19/10/2017
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Há um milhão de terroristas nos EUA?


AUTOR:  Juan GELMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Desde 2003, o Centro de Detecção de Terroristas (TSC, por suas siglas em inglês), organismo subordinado ao FBI, alimentado, além disso, pela CIA e outros serviços, elabora listas de suspeitos de preparar, ou ter a intenção de preparar, atentados em solo estadounidense. Essas listas são gordas. Em setembro de 2007, o inspetor-geral do Departamento de Justiça informou que o TSC tinha registrados 700.000 nomes em sua base de dados e que esse número crescia à razão de mais de 20.000 anotações a cada mês. Dito de outra forma: haveria, atualmente, mais de um milhão de presumíveis terroristas em solo norte-americano ou com a pretensão de entrar nele. Bastante e muitos.

O Centro proporciona às companhias aéreas os nomes de tais suspeitos, que passam a integrar uma chamada “No-fly list” com certas conseqüências. Nos vôos internos, não permitem que subam no avião ou desembarcam-nos, mas não só: os agentes do FBI designados no aeroporto costumam detê-los e interrogá-los durante horas, revistam a pessoa e sua bagagem, e submetem-nos a variadas desconsiderações. Ao menos doze Robert Johnson padeceram, e ainda padecem com esses problemas, por mero porte de nome: essa foi a alcunha de um afro-americano de 62 anos condenado por planejar a explosão de um templo hindu e de um teatro em Toronto, que figura na lista negra sem maiores especificações. O jornalista Steve Kroft, da CBS News, entrevistou doze homônimos, entre outros, um empresário, um político, um treinador de futebol, inclusive um militar. Algo semelhante aguarda a todos (www.cbsnews.com,10/6/07).

“Quase sempre tenho dificuldades para entrar em um avião, aconteceu comigo pelo menos 15 ou 20 vezes”, contou um dos Robert Johnson. Outro declarou que, para ele, o pior era a humilhação sofrida: “Tive que tirar as calças, tive que tirar os sapatos, depois tive que tirar as meias. Trataram-me como um criminoso”. Ninguém pede desculpas, a segurança antiterrorista antes de tudo. Mas os Robert Johnson não estão sozinhos: são acompanhados por viajantes de prestígio nacional e internacional, como o senador Edward Kennedy. Seu caso foi o primeiro a adquirir notoriedade.

Não era para menos: o irmão do ex-presidente assassinado, membro de uma família de estirpe e senador desde 1962, foi detido e interrogado cinco vezes em aeroportos da costa Leste dos EUA, em março de 2004. Perdeu três semanas até que retirassem seu nome da lista de suspeitos de terrorismo, e isso graças à intervenção da Casa Branca (The Washington Post, 21/8/04). Com o famoso músico britânico Cat Stevens foi pior: convertido ao islamismo, adotou o nome de Yusuf Islam, e o vôo de Londres que o levava a Washington foi desviado para o Maine. Seis robustos agentes federais esperavam-no e o submeteram a um curioso interrogatório. Viajava com sua filha para gravar um disco e, no final, foi expulso (ABC News, 1/10/04).

 

Não é a única figura estrangeira de relevo que sofre problemas semelhantes. O ex- presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela*, figura no arquivo de presumíveis terroristas e deve pedir uma permissão especial para entrar nos EUA (USA Today, 30/4/08). Nahib Berri, porta-voz do Parlamento libanês e ex-advogado da General Motors, costuma reunir-se com Condoleezza Rice, mas isso não lhe retira da lista. Também está incluído o presidente boliviano Evo Morales, a quem registraram com três nomes: Evo Morales, Juan Evo Morales Aima e Evo Morales Ayma. Os três nasceram em 26 de outubro de 1959, e tal abundância – supõe-se – é por via das dúvidas.

Para a freira McPhee, que supervisiona todos os níveis da educação católica junto ao Departamento de Educação norte-americano, foi pior do que para Ted Kennedy: teve que lutar nove meses para que a retirassem da “No-fly list”, e para que não mais a separassem da fila de passageiros para revistá-la de cima a baixo. Nada diferente sucedeu ao major-general (R) Vernon Lewis, condecorado com a Distinguished Service Medal, a mais alta distinção que o exército dos EUA oferece, e nem a Jim Robison, ex-assistente do procurador-geral da nação (AP, 14/7/08). Mas nem todos são celebridades: estima-se que mais de 30.000 passageiros apresentaram protestos por tratamentos parecidos.

 

A Casa Branca afirma que essa lista negra é a ferramenta mais eficaz para a luta “antiterrorista” nos EUA. Quem sabe se o mesmo pensa Ingrid Sanders: ia tomar um vôo de Phoenix a Washington quando lhe anunciaram que sua filha de um ano de idade estava registrada como suspeita de atividades terroristas. É apenas uma das quatorze crianças de menos de dois anos que o TSC considera possíveis terroristas (AP, 10/7/08). Não está claro contra quem Bush realmente combate. Contra os terroristas? Contra os norte-americanos?

 

* Boa notícia: o 18 de Julho, para o 90° aniversário de Nelson Mandela, o Departamento de Estado anunciou que o Prémio Nobel da Paz tinha sido retirado da lista infame, bem como todos os responsáveis do seu partido, o ANC. Em abril passado, Condi Rice tinha declarado que o assunto era “embaraçante”, mas ele terá sido necessário mesmo assim 4 meses para retirar o nome de Mandela da lista, tanto os procedimentos burocráticos usamericanos são kafkaianos. (NdE)


Fonte: www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-108154-2008-07-20.html

Artigo original publicado em 20 de Julho de 2008

Tradução redigida em português do

Sobre o autor

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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IMPÉRIO: 27/07/2008

 
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