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18/12/2017
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McCain, Obama, Wall Street


AUTOR:  Juan GELMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Enquanto W. Bush exerce o muito socialista intervencionismo de Estado para salvar os gigantes das finanças norte-americanas, não só Wall Street treme: talvez, também o republicano McCain e o democrata Obama, candidatos à presidência dos EUA. Quem e como lhes seguirá aportando fundos precisamente agora, a pouco mais de três semanas das eleições? Não é uma pergunta fútil. Por exemplo, e entre outras coisas: o responsável pela campanha presidencial do republicano cobra 15.000 dólares por mês como presumível assessor da empresa Freddie Mac, uma das que originaram o caos.

Grande parte dos bancos e dos escritórios de Wall Street a um passo da quebra, que o presidente norte-americano propõe socorrer, financiou com abundância as pré-campanhas de ambos. Uma investigação do Centro de Políticas Responsáveis (CFRP, por sua sigla em inglês), prestigiosa instituição independente que esquadrinha a influência do dinheiro nas eleições e nas políticas dos Estados Unidos, revela que os bancos comerciais e de investimento, as companhias de seguros, as imobiliárias, grandes firmas de advogados e círculos financeiros vêm sustentando tanto o republicano como o democrata com somas nada pequenas. Isso não é novo no país do Norte: estima-se que os dois partidos receberam dessas fontes mais de 1,6 bilhão de dólares desde 1997.

Os setores imobiliário e financeiro, entre outros, aportaram – até agora – ao menos 30 milhões de dólares a McCain. O CFRP não pôde determinar com exatidão o montante que Obama recebeu porque a equipe de sua campanha se negou a responder às perguntas do Centro, mas este conseguiu identificar que chegou a mais de 13 milhões, a que se somaram 9,5 milhões procedentes dos bancos investidores, escritórios de advogados e outros (www.opensecrets.org, 19/9/08). Desinteressadamente, claro.

Os dois candidatos clamam agora contra Wall Street pela crise – que sacode os EUA no meio de uma guerra que já dura cinco anos e do constante aumento dos preços no mercado interno – e reclamam medidas regulatórias para ordenar as maravilhas do livre mercado. Cabe duvidar de sua sinceridade. Os bancos de investimento doaram 9,9 milhões de dólares a Obama e 6,9 milhões a McCain; os bancos comerciais, 2,1 milhões e 1,9 milhão, respectivamente. Não é pouca coisa. Lehman Brothers, Goldman Sachs e outras companhias que contemplam o abismo são as que mais contribuíram para a campanha de Obama. Merrill Lynch, Goldman Sachs e Citigroup para a de McCain.

Regular o mercado parece uma missão impossível. As elites empresariais norte-americanas – e não só – lograram que a desregulação impere e o capital especulativo domine. Democratas e republicanos compartilham responsabilidades políticas na matéria: em 1999, o Congresso derrogou a lei Glass-Steagall, de 1933, que separava a banca comercial dos bancos de investimento e, de algum modo, protegia os depositantes da especulação e dos investimentos de risco. Foi o resultado de um trabalho de lobby que durou duas décadas. A revogação dessa lei foi aprovada de maneira esmagadora: 90 contra 8 no Senado, 343 contra 86 na Câmara de Representantes (Deputados). Dos 45 senadores democratas, 38 votaram a favor; dos 207 representantes do mesmo partido, só 69 contra. É confusa a linha divisória entre uns e outros. Se é que realmente ela existe.

O Congresso democrata/republicano aprova com poucas modificações, caso haja alguma, as contínuas demandas orçamentárias da Casa Branca, que insiste em sua missão de “democratizar o mundo”, começando pelo Iraque e Afeganistão. O Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, e a catedrática Linda Bilmes calcularam, em fevereiro deste ano, que o custo direto dessas guerras – sem tomar em conta a atenção à saúde dos veteranos – decuplicam o da primeira Guerra do Golfo, triplicam quase o da guerra do Vietnã e duplicam o da Primeira Guerra Mundial (www.timesonline.co.uk, 23/2/08). O gasto com cada soldado na Segunda Guerra Mundial foi inferior a 100.000 dólares em 2007. No Iraque é superior aos 400.000 e a fatura total seria de 3 trilhões no final deste ano. É impossível imaginar os quilômetros de altura que alcançaria essa quantidade empilhada em notas de 100 dólares.

O “sonho americano” de transformar os EUA em gendarme do mundo, sob o manto da chamada “guerra antiterrorista”, tem pés de barro. A pergunta é que rumo tomarão os fatos nos EUA. A Casa Branca insistirá com a estratégia de fuga para adiante e abrirá outras frentes de guerra, no Irã, talvez? O Iraque e o Afeganistão não o aconselham. Claro que, como dizia Alexandre Dumas, um conselho só serve para não ser levado em conta.


De volta do Iraque. Foto de Nina Berman


Fonte: La Bitácora de Gelman

Artigo original publicado em 28/9/2008


Tradução redigida em português do

Sobre o autor

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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IMPÉRIO: 07/10/2008

 
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