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23/10/2017
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37 míseros Euros no Dia da alimentação


AUTOR:  Josu OSKOZ

Traduzido por  Fernando Esteves


A fome, que se cala e nada ostenta, está matando, aqueles que nada querem nacionalizar, pelas leis de mercado e, atualmente, pela intervenção seletiva que contempla os aproveitadores de sempre.

 

Dia 16 de outubro comemorou-se no mundo todo o Dia Mundial da Alimentação. Comemoração estranha, ofensiva mesmo, já que segundo dados da FAO, 923 milhões de pessoas sofriam, no ano passado, os efeitos da subnutrição (fala-se de um acréscimo de 75 milhões de pessoas, que já sofrem de subnutrição crônica, devido ao aumento do preço dos alimentos).

 

A subnutrição afeta, sobretudo, crianças entre os seis meses e cinco anos de idade (20 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de subnutrição aguda ou severa).Esta situação é agravada pelo fato de que as crianças não recebem alimentação adequada durante a fase de crescimento (proteína animal, como leite, ovo e carne, por exemplo). Nesta fase de desenvolvimento do cérebro, os efeitos são extremamente graves. Milhares de crianças morrem precocemente ou adoecem por conta desse estado de coisas ou, se sobrevivem, carregam as seqüelas pelo resto da vida.

Como resposta a essa situação, foi elaborado um estudo sobre o tratamento e recuperação de crianças subnutridas: o tratamento dura seis meses e custa 37 EUROS!

 

Pensando na recuperação de milhões de crianças que sofrem com a subnutrição severa , constatou-se que seriam gastos aproximadamente três milhões de euros, incluindo o tratamento completo de crianças doentes e a produção local de alimentos terapêuticos necessários.O uso de um desses alimentos terapêuticos chamado “pumply nut”, que possui 40 micronutrientes, tem salvado a vida de muitas crianças.

 

Enquanto governos injetam bilhões de ajuda aos bancos (cujos dirigentes apenas se preocupam com a vitória da economia e com o acúmulo de riquezas inacessíveis ao resto do mundo), milhares de crianças estão morrendo por não terem sequer esses míseros 37 euros. Parece que algo está errado, quando vemos os bancos pedindo bilhões aos governos para evitar a bancarrota, diante dos olhares que sempre idolatraram o “livre mercado”. Bárbaro socialismo financeiro que nacionaliza bancos e impede milhões de pessoas de comer: salvar empresas que nunca foram transparentes nem responsáveis e, diferentemente do que reconhecem os dispositivos do Direito internacional, recusam o direito a uma alimentação adequada.

 

Não é de se estranhar que os donos do mundo andem fora da lei, mesmo quando dizem o contrário. Num contexto de queda da ajuda oficial de desenvolvimento durante os anos 2006 e 2007, a ONU lembra que será necessário um aporte de 30 milhões de dólares por ano para atingir as metas do milênio. Esses 30 milhões parecem migalhas se comparamos aos custos da ocupação do Iraque e da quantia injetada nos bancos pelo governo americano. O que é uma vergonha.

 

Vergonhoso é também o fato de que executivos da AIG gastaram milhares de dólares do “resgate” financeiro num hotel (a conta chegou a 400.000 euros), ou o Fortis, convidando 50 pessoas para jantar no restaurante mais caro de Mônaco (seis mil marcos antigos por convidado). Dinheiro gasto sem conseqüência, e que poderia ser usado na ajuda aos que sentem fome. Grandes somas de dinheiro, obtidas do Estado, que são gastas em festas, desavergonhadamente, diante dos olhares de milhares de famintos. Toda essa vileza e ostentação são de doer.

 

 A fome, que cala e nada ostenta, está matando esses que não têm nada para nacionalizar, através das leis de mercado e, agora, com a intervenção seletiva, em beneficio dos de sempre. É para esses, que não estão morrendo, que devemos construir muros e alambrados para evitar sua entrada, e criar uma maneira de expulsar os que ainda estão entre nós, “sempre respeitando os direitos humanos”.

 

Recentemente, intelectuais do mundo todo denunciaram a crueldade da chamada “diretiva da vergonha”, e nos lembraram que a amnésia nada inocente da Europa impede que a Europa se recorde que, sem a mão de obra barata e o serviço que o mundo todo lhe prestou, ela, Europa, não seria a Europa. Não seria a Europa sem o genocídio dos povos autóctones da América e sem a escravidão das crianças africanas, para citar apenas dois exemplos. A Europa deve pedir perdão ao mundo ou, pelo menos, agradecer, ao invés de sancionar leis que perseguem e punem os trabalhadores, que chegam ao continente europeu após fugirem da guerra e da fome em seus países (guerra e fome, aliás, inflingidos pelos “donos do mundo”).


Fonte: 37 miserables euros en el Día Mundial de la Alimentación


Artigo original publicado em 16/10/2008

Tradução redigida em português do

Sobre o autor

Fernando Esteves é membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

URL deste artigo em Tlaxcala:
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=6160&lg=po

 


NO VENTRE DA BALEIA: 25/10/2008

 
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