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24/10/2017
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Depois da eleição de Barack Obama : A velha historia da Rússia contra a Europa


AUTOR:  John LAUGHLAND

Traduzido por  Fernando Esteves


De acordo com um ponto de vista amplamente aceito, a eleição de Barack Obama representa uma boa nova para a Rússia. O novo presidente americano - dizem-  substituirá a atitude ofensiva de Bush para adotar uma postura mais conciliadora em relação a política externa e , por conseguinte, em relação a Moscou.

 Restam poucas dúvidas sobre o quão desastrosa foi a administração Bush tanto para a América quanto para o mundo. Qualquer que seja o fim do controle republicano da Casa Branca, parece ser bem vindo. Contudo, há muitas razões para sermos pessimistas quanto ao futuro das relações ocidente-oriente com o recém-eleito Barack Obama.

A primeira razão é, obviamente, a política externa de obama em si. O vice -presidente Joe Biden é famoso por sua posição anti-russa. No seu discurso de aceitação da candidatura pelo partido democrata,em agosto, Biden atacou a administração bush precisamente por não ter sabido confrontar a Rússia , ou seja, por haver dirigido os ataques contra o inimigo errado. Durante um discurso sobre política externa, em Cincinnati, em 25 de setembro, Biden disse que a Rússia constitui uma ameaça tanto quanto o Iran. Falou com entusiasmo da visita que fez a Misha Saakashvili , presidente da Geórgia, de quem é amigo e com quem discutiu sobre uma possível indenização que Obama faria com que a Rússia pagasse pela agressão desta contra a ‘’democrática ‘’ Geórgia.

Mas a principal razão para o pessimismo é a relação com a Europa. A principal iniciativa tomada por Dmitry Medvedev em política  externa , foi aproximar-se de lideres europeus , sobretudo no mês passado em Evian. Sua proposta de um novo pacto de segurança europeu representa uma tentativa de dar a Rússia um ponto de apoio na estrutura militar européia que atualmente a exclui e, conseqüentemente, visa  reduzir o domínio americano na região.

Essas propostas devem ser vistas como a continuação do antigo projeto geopolítico de Moscou que remonta pelo menos à assinatura dos acordos de Helsinki pela URSS em 1975.

Contudo a eleição de um democrata para a  presidência dos EUA significa que a relação a  ser reforçada é entre os Eua e a União Européia e não entre Rússia e a Europa. Os anos de administração Bush foi um período extremamente difícil para a elite pró-EUA que governa a Europa. Todo os grandes atores políticos europeus são fundamentalmente pró-Estados Unidos (e, ao mesmo tempo, anti-russos), porem seu sonho de amar a América- criando por exemplo, os Estados unidos da Europa- foi interrompido pelo descaso de Bush pelo resto do mundo ( e , evidentemente, por seu próprio país) e pela inegável estupidez de sua política externa.

Ao contrário de Bush, que gostava da reputação de caipira reacionário, Barack Obama reúne em si todos os valores de que são ciosos os lideres europeus: progresso, juventude, dinamismo, mudança , e até diversidade étnica. Durante as previas eleitorais mal conseguiam esconder sua excitação diante de um provável resultado positivo pró-Obama. Enfim, Obama escreve livros. Anos de pró-americanismo sufocado transbordarão agora , tão logo a musica do multilateralismo volte a tocar na Casa Branca. Os líderes europeus serão capazes de identificar a América com o progresso, como em sua juventude, e se derreterão toda vez que Obama propor algum plano internacional(ou seja, transatlântico) afim de disseminar os valores políticos do ocidente pelo mundo(e aumentar a influência do ocidente). Na direção oposta, vêem a Rússia como politicamente reacionária e como uma ameaça aos seus mais caros ideais.

Isso ficou evidente depois de declarações recentes de dois iminentes lideres políticos europeus. Na semana passada, em seu discurso anual,  no instituto de estudos de segurança, da União Européia, em Paris, o Alto representante da política externa e segurança da União européia, Javier Solana, falou com evidente entusiasmo da Aliança transatlântica. Ele disse: ‘’acredito, e sempre acreditei, firmemente no poder dos EUA e da Europa para agir como uma força benéfica para o mundo.’’E não fez a menor crítica à política externa dos Eua nos últimos terríveis 8 anos.


Javier Solana, Alto representante da política externa e segurança da União européia

Quando passou a falar da Rússia, o tom de voz endureceu e tornou-se mais contido. Falou da Rússia como se fosse um país com o qual era obrigado a manter relações, e o fazia relutantemente. Insinuou que a Rússia estava usando a exportação energética como arma estratégica – uma acusação grave de se fazer contra um paÍs vizinho com o qual a União Européia busca estabelecer um acordo de cooperação- e desconsiderou a proposta do presidente russo por um novo pacto europeu de segurança sob o pretexto de ser muito ‘’vago’’ para merecer atenção naquele momento. Chegou a dizer, em tom complacente, que os russos tem uma mentalidade política que os europeus devem tentar compreender, dando a entender que a Rússia sofre de uma psicose coletiva. A credibilidade pró-EUA de Solana, claro, nunca foi questionada: ele foi secretário geral da OTAN durante o ataque da Aliança contra  a Yugoslavia em 1999.

O mesmo vale para o artigo do presidente do parlamento europeu , Hans-Gert Pottering, publicado no The Guardian. Pottering também se animou com o possível plano de um  ‘’novo início transatlântico’’ após as eleições americanas, e convidou o novo presidente americano para fazer um discurso no próximo ano quando tomar posse. Ao contrário, sua reação após a  eleição de Dmitri Medvedev para a presidência da Rússia , em março, e a posse em maio, foi o silencio total nas duas ocasiões. As declarações de Pottering nos últimos meses em relação a Rússia , foram apenas para apoiar a Geórgia e atacar Bielorussia.

Sob tais condições é pouco provável que as tentativas de Medvedev de chamar a atenção e obter a simpatia da elite da união européia para os países do leste europeu dêem resultado. A divisão do continente europeu em leste/oeste , útil à estratégia geopolítica americana , provavelmente continuará.


Fonte: Russia versus Europe - the same old story


Artigo original publicado em 5/11/2008

Tradução redigida em português do

Sobre o autor

Fernando Esteves é membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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IMPÉRIO: 11/11/2008

 
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