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21/10/2017
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Victor Nzuzi, líder camponês do Congo diz: as guerras na Republica Democrática do Congo devem-se às riquezas que as multinacionais querem roubar


AUTOR:   Rebelión

Traduzido por  Fernando Esteves


Há dois meses, a Espanha  recebeu o encargo da ONU  para a intervenção militar mais importante, à nível mundial,  das forças de paz  na República do Congo

Esta intervenção, que conta com 17 000 soldados , pretende resolver uma série de confrontos que já fizeram, até agora, ao longo de duas guerras, mais de 5 milhões de vítimas .

Contudo , surgem vozes cada vez mais fortes denunciando a verdadeira natureza de tal intervenção militar .

Victor Nzuzi, líder componês da Republica do Congo, membro do JUBILEU SUL e da VIA CAMPESINA, não esconde sua convicção quando critica o conluio entre as multinacionais e as forças militares, inclusive as da ONU.

Na Europa acredita-se que as forças de paz da onu são elementos de estabilização e pacificação de regiões em conflito. Como você vê isso em relação ao Congo?

Quando a França interveio em Rwanda , após os massacres dos anos 90, através da Operação Turquesa, os militares franceses pediram ao ditador Mobutu para abrir um corredor humanitário para que a população civil pudesse escapar aos massacres da guerra de Rwanda. Desgraçadamente , atrás da população civil, vários militares armados entraram no Congo, passaram pela fronteira, e os militares franceses , sob o pretexto de os desarmar, deixou-os passar. Já no Congo, os militares de Rwanda começaram a prender a população civil em campos de refugiados.

Tudo isso se passou diante dos olhos da ONU e do Alto Comissariado para os refugiados , que deixou que tudo isso acontecesse.

Tudo isso, supostamente, com a aprovação do ditador Mobutu , que não se beneficiava mais do apoio financeiro que recebia do Ocidente durante a guerra fria.  A França disse : se você aceitar os refugiados de Rwanda, nos continuaremos te ajudando’’. Foi assim que a guerra se deslocou para o Congo.

Por sua vez, Mobutu também utilizou os militares , quando enfrentou a revolução de Kabila pai.

Hoje, porem, a situação assume contornos dramáticos na Republica Democrática do Congo.  Não apenas pelas milícias de Rwanda que acharam refugio no Congo, mas também por causa dos conflitos internos entre o povo do Congo mesmo.

Desde o fim do mês passado, há uma rebelião interna no exército, da qual se tornou protagonista o general Nkunda , que é alvo de um mandado internacional de prisão.

Por outro lado , há o exercito do Lord Resistance Army,  uma rebelião ugandense  que se refugiou no Congo. Trata-se de um exercito que mata pessoas tanto em Uganda como no Congo. Joseph Pony, o líder, também se encontra sob mandado de prisão expedido pela Corte Internacional .

Agora , a comunidade internacional pede ao Congo para desarmar os militares de Rwanda, mas não diz nada sobre os militares que entraram no Congo com o apoio da ONU.  A comunidade internacional deve assumir as responsabilidades.

Essas responsabilidades ainda não foram assumidas?

Te direi sinceramente: fiquei muito surpreso quando o general espanhol Vicente Diaz foi designado para comandar a força militar da ONU no Congo[1]. É um general que vem do Iraque. Combateu no Afeganistão e em Kosovo. Isso me preocupa porque todos nós sabemos o que aconteceu nesses paises.

Nos perguntamos se a tomada de poder pelas forças da ONU não tem por objetivo promover a divisão do Congo , encorajando Rwanda a anexar parte do país. Ou até encorajando independências como a do Kosovo.

Esse general chega num momento em que o povo do Congo se opõe às forças da ONU.  Pois a população está se perguntando como , com 17 000 soldados, a ONU  não consegue acabar com a guerra.

No norte, o povo do Congo vê as forças da LRA matando enquanto a ONU não faz nada. Foi por isso que a população indignada destruiu os escritórios da ONU  em Dungu. Agora, vê-se com freqüência, manifestações contra as forças da ONU , como aquelas que aconteceram em Goma e  em Bukavu, porque a ONU não faz nada para deter o general Nkunda.

O papel desempenhado pela ONU  é muito criticado em varias instancias internacionais. Acusam mesmo os soldados da onu de violação dos direitos humanos.

Há provas de que os soldados da ONU estão envolvidos em negócios sujos e na pilhagem de riquezas do Congo. Mas dizem que são soldados paquistaneses, ou indianos, que fazem isso.  E afinal, diz-se, que isso é coisa dos paises do sul, onde os europeus não de metem. Não devemos acreditar nisso.

Há uma cumplicidade internacional , estimulada por empresas multinacionais que precisam do coltan (mistura de columbita-tantalita), do ouro , do petróleo e do gás . Tudo isso está por trás dessa guerra. O Congo possui 80% das reservas mundiais de coltan, um mineral imprescindível para a fabricação de telefones celulares , computadores e demais aparelhos de alta tecnologia.

Há relatórios da ONU, de 2001 e 2003, que acusam algumas multinacionais. Mas nem uma delas foi investigada.

É verdade que temos conflitos territoriais entre africanos. Mas devemos cobrar as multinacionais que fomentam invasões e guerras para explorar minerais que eram transportados para a Europa por empresas suíças ou belgas como Sabena ou Swissair.

Nós africanos, nos perguntamos porque a ONU , que assinou tratados contra a corrupção, não persegue as multinacionais envolvidas.

Mas essa situação não ocorre apenas no Congo.

 O verdadeiro motivo das guerras na Africa, não é porque os africanos adoram matar uns aos outros. São as riquezas que são monopolizadas. É preciso desestabilizar para poder pilhar as riquezas do Congo. O mesmo acontece no Sudão com o petróleo. Em Sierra Leoa , onde há diamantes, há também uma guerra. No único país da áfrica ocidental, que era rico e estável, a Costa do Marfim, também foi imposta uma guerra. Onde há riqueza, vemos que impõe-se uma guerra.

O que acontece na Bolívia não é diferente. Porque há uma revolução, um presidente indígena que tomou o poder e quer nacionalizar, então provoca-se uma desestabilização. É um estratégia internacional.

É por causa da guerra e da pobreza que ela acarreta, que os africanos não podem comprar o necessário para viver, ter acesso a saúde, habitação, vestuário, escolas para seus filhos.

Não falemos mais de generosidade da Europa. Quando os europeus e americanos gastam centenas de milhões de dólares para salvar bancos e não tem 80 milhões de dólares para gastar em saúde nos paises pobres... não falemos mais de generosidade.’’


[1] Nesse meio tempo, o general Vincente Diaz de Villegas y Herreira resignou,’’ por motivos pessoais’’ ,  de seu posto de comando da MONUC . Ban Ki Moon nomeou seu imediato, o general senegalês Babacar Gaye, por um período máximo de 6 meses, ‘’tempo suficiente para encontrar um substituto’’.


Fonte:  “Las guerras en la República Democrática del Congo se deben a las riquezas que las transnacionales se quieren llevar”

Entrevista feita em  Barcelona em 18/10/2008 no âmbito dos 2 º Dia da Dívida "A África ajuda a Europa"


Tradução redigida em português do

Sobre o autor

Fernando Esteves é membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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MÃE AFRICA: 13/11/2008

 
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