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12/12/2017
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Os mesmos homens que entregaram a Islândia nas mãos do FMI, estão agora empenhados em destruir a paisagem do país

Islândia: Do colapso econômico ao desastre ecológico


AUTOR:   BJÖRK

Traduzido por  Fernando Esteves


A cantora e atriz islandesa Björk Guðmundsdóttir é uma artista reconhecida e incontestável, mas está longe de ser um gênio da política. Por ter gritado “Tibet, Tibet” e “Kosovo, Kosovo” durante shows recentes, ela foi proibida de se apresentar na Sérvia e na China. Entretanto, ela acaba de iniciar uma nova etapa, mais séria, no seu compromisso com mulheres engajadas na política, que lançaram o movimento “O Caminho de Copenhague”, para exigir da Europa medidas radicais no combate às mudanças climáticas. Sendo islandesa, Björk acaba de criar a Náttúra, uma ONG voltada à defesa do meio ambiente. O primeiro objetivo da organização é interferir nos projetos de multinacionais (Alcoa e Rio Tinto) de construir duas novas fundições de alumínio, que se reuniriam a outras três fundições já existentes na Islândia, que são, aliás, as maiores da Europa. O argumento do lobby industrial favorável a essas novas fundições é a crise financeira que se abateu sobre a Islândia, que foi obrigada a pedir à Rússia um financiamento de quatro bilhões de dólares. Björk é contra a instalação dessas multinacionais. Ela explica o motivo no texto a seguir.- FG, Tlaxcala

 

  Björk no Coolplanet em Bruxelas 

Coolplanet 2009: a ONU lança uma campanha para informar o público europeu sobre o meio ambiente.

Com o movimento chamado “Caminho para Copenhague”, orientada por Margot Wallstrom, vice-presidente da Comissão Européia, Gro Harlem Brundtland, enviado especial da ONU para tratar das mudanças climáticas e Mary Robinson, vice-presidente do Club de Madrid, e a diretora da UNRIC, Afsane Bassir-Pour e Björk.

Bruxelas, 6 de novembro de 2008, a UNRIC (Centro de informação da ONU para a Europa ocidental), lançou sua segunda campanha de informação para o público europeu, o Coolplanet 2009, para sensibilizar os cidadãos em relação aos problemas ambientais,  e mobilizá-los em apoio a um novo acordo sobre o clima. O ano de 2009 é considerado crucial para o combate mundial contra as alterações climáticas.

A campanha será anunciada por uma conferência de imprensa animada, por iniciativa do “Caminho para Copenhage” e da presidente da ONG Nattura, a cantora islandesa Björk, que é a primeira adepta da sociedade civil na campanha Coolplanet 2009. Björk, recentemente, lançou a Nattura, um movimento ecológico de proteção ao clima, que tem por objetivo promover iniciativas econômico-ambientais. O trunfo da campanha é um site que será ativado no começo de 2009.

Coolplanet 2009 foi concebido para informar e mobilizar os cidadãos europeus, os governos e a sociedade em geral. O site será um encontro de idéia e terá um mural de eventos onde todos poderão expressar idéias e iniciativas e ver o que os outros estão fazendo, disse Afsane Bassir-Pour, diretora da UNRIC.

O site terá informações sobre alterações climáticas e sobre ações cotidianas que cada pessoa pode assumir no seu dia-a-dia.

Durante a conferência de imprensa, será lançada uma parceria entre a UNRIC  e o “Caminho para Copenhage”, sob a direção de Margot Wallstrom, Gro Harlem Brundtland e Mary Robinson .

O encontro tem relação com uma importante confêrencia do “Caminho de Copenhague” e o grupo “Dernier arrêt pour agir contre le changement climatique avant Poznan” (“Última parada antes de Poznan para agir contra as mudanças climáticas”).

 

 
A Islândia, uma ilha de origem vulcânica, de paisagem única, é conhecida por seus geysers, nome oriundo de “Geysir”,o mais conhecido do país, cujo nome deriva do verbo islandês “gjosa” (jorrar). Não é de hoje o interesse de explorá-los financeiramente. Em 1894, o futuro primeiro-ministro da Irlanda do Norte, James Craig, comprou o Geysir, para que pudesse cobrar o acesso ao mesmo. Sigurdur Jonasson o comprou de volta, devolvendo-o ao povo islandês. Então, um comitê foi criado para proteger a fauna e a flora do lugar.

 

Depois do desastre econômico, o desastre ecológico
Os mesmos homens que entregaram a Islândia nas mãos do FMI, estão agora empenhados em destruir a paisagem do país
Björk

Depois de uma turnê de 18 meses, estava entusiasmada para voltar para casa, passar umas semanas na sólida Islândia e curtir um pouco de estabilidade. Antes, fiz um show, ainda neste ano mesmo, para conscientizar as pessoas sobre o meio ambiente, e 10% da população compareceu ao show. Mas senti que não era suficiente.

Quando voltei, decidi entrar em contato com pessoas de todo o país que estão tentando começar novas empresas e implantar novos métodos sustentáveis de trabalho, mas sem sucesso até agora. Por muito tempo, a principal fonte de renda da Islândia foi a pesca. Porém, quando a atividade passou a render menos, as pessoas começaram a procurar novos meios de subsistência. Os conservadores que governam o país pensaram que dominando o potencial energético natural da Islândia resolveriam o problema.

Agora, nós temos três fundições de alumínio, que são as maiores da Europa; e, no espaço de três anos, querem construir mais duas. Essas fundições precisam de usinas de energia geotérmica, o que significa a construção de barragens que prejudicarão as paisagens intactas, as fontes de água quente e os campos de lava. E a energia desses campos geotérmicos não é renovável.

Muitos islandeses são contra a construção dessas fundições. Eles preferem desenvolver suas próprias pequenas empresas e cuidar do próprio lucro. Neste sentido, muitas batalhas foram ganhas na Islândia. Uma dessas vitórias foi a decisão do ministro do Meio Ambiente de exigir, pela primeira vez, que uma avaliação dos impactos ambientais seja feita antes de qualquer construção de barragens ou fundições.

Aí veio a crise econômica. Pessoas jovens ameaçadas com a perda de suas casas e pessoas idosas com medo de perder suas pensões. Uma catástrofe. Há muita raiva. Os seis maiores grupos de investidores na Islândia foram vaiados nas praças, durante transmissões de rádio e TV; vozes furiosas gritavam que eles haviam vendido todos seus bens, entregando-os à nação. Descobriu-se que empréstimos enormes foram transferidos para o exterior por alguns indivíduos, sem que o povo islandês soubesse. Agora o país acha-se na obrigação de pagar esses empréstimos.

O que deixa as pessoas furiosas é o fato de que os responsáveis por essa situação, na qual a Islândia se encontra, são os mesmos que tentam nos tirar dela. Muitas pessoas aqui querem que os responsáveis por esse problema retirem-se, deixando a solução para os outros. A maioria dos críticos tem por alvo David Oddsson, que foi nomeado presidente do Banco Central, após ter sido prefeito de Reykjavik durante 19 anos, e primeiro-ministro por 13. Uma vez por semana, uma multidão se reúne no centro de Reykjavik para pedir sua demissão.


Daviđ Oddsson como primeiro-ministro, com  W em 6/07/2004. Foto Eric Draper, The White House


Daviđ Oddsson como presidente do Banco Central. Foto Arnaldur Halldorsson/Bloomberg News

Depois disso houve um ataque chocante e espetacular por parte do primeiro-ministro. Cito uma petição assinada por um décimo da população: “Gordon Brown utilizou, sem qualquer justificativa, a lei anti-terrorista contra o povo islandês em favor de sua própria política. O que transformou uma situação grave num desastre nacional...hora após hora, dia após dia, as ações do governo britânico anulam os interesses islandeses.”


"Salvemos a Islândia"


 

Normalmente, não me importo com política. Vivo feliz no país da criação musical. Mas entrei nisso porque políticos parecem empenhados em destruir as paisagens da Islândia. Li, semana passada, que alguns deputados islandeses estão pressionando para que a avaliação dos impactos ambientais não seja feita, com o objetivo de que as barragens sejam construídas o mais rápido possível, para fornecer energia às duas novas fundições de alumínio.

A Islândia é um país pequeno. Não tivemos uma revolução industrial, e eu esperava que a gente pudesse pular esta etapa e ir direto para as tecnologias sustentáveis. Se tem alguém que pode fazer isso, somos nós. A mentalidade islandesa tem uma característica maravilhosa: a audácia. Somos tão adeptos a assumir riscos, que beiramos a insanidade. Na criação musical, na criação de histórias e no pensamento criativo, o risco é uma coisa boa. E depois de ter descoberto um grande número de pequenas empresas islandesas em expansão, percebi que entre elas havia essa ousadia, sobretudo na área da biotecnologia e na área de alta tecnologia.

Os islandeses são especialistas em alta tecnologia. Temos a ORF, umas das maiores companhias de biogenética do mundo; a OSSUR, fabricante de próteses; a CCP, fabricante de jogos eletrônicos, e várias outras. Temos vários médicos e profissionais da saúde. Com suas centenas de piscinas naturais de água quente em toda ilha, e sua natureza quase intacta (até agora), a Islândia poderia se tornar facilmente uma grande estação termal, onde as pessoas poderiam vir para se curar de doenças e descansar. Seria bom se o governo investisse seu dinheiro nessas empresas, ao invés de investir na Alcoa e Rio Tinto.

Flexibilidade é importante: deveríamos continuar com as três fundições de alumínio que já temos, e tentar encontrar meios de torná-las mais corretas do ponto de vista ecológico. Precisamos de cinco fundições?  Ter colocado todos os ovos na mesma cesta, no passado, provou ser muito arriscado, quando nos demos conta de que 70% da nossa receita provinha da pesca. Hoje, estamos diante de um desastre econômico por ter colocado tudo em finanças. Se construirmos mais duas fundições de alumínio, a Islândia de tornará a maior fundidora de alumínio do mundo e será conhecida apenas por essas fundições. E não haverá mais espaço para outras atividades. Se o preço do alumínio cair (o que está em vias de acontecer), será catastrófico.

A Islândia pode ser mais autônoma e mais criativa e ter uma estrutura técnica mais próxima do século 21 que do século 19. Podemos construir menos barragens, menores e mais corretas ecologicamente. Podemos usar essa crise econômica para nos tornar totalmente sustentáveis. Ensinemos ao mundo tudo que sabemos sobre energia geotérmica. Apoiemos as empresas “verdes”. Apoiemos as iniciativas de base. Levará algum tempo para colhermos os frutos, mas estes serão sólidos, estáveis e independentes do sobe e desce de Wall Street e da oscilação do preço do alumínio.

Isso ajudará a Islândia ser o que melhor tem sido: uma incrível e intocada força da natureza.


   BJÖRK JUNTA-SE AO CORO DOS MILITANTES E PAISES EUROPEUS MUDAM A MÚSICA SOBRE O CLIMA 

Jamie Smyth, The Irish Times, 11 novembre 2008 

AGENDA EUROPÉIA : deve-se dar prioridade à economia ou ao meio ambiente? O debate está acirrado na Europa e na Islândia.

Semana passada, a cantora islandesa, Björk, deu o ar da graça na conferência de Bruxelas, que teve por objetivo conquistar apoio popular para um novo acordo mundial de luta contra as alterações climáticas.

A cantora fez um discurso incisivo sobre os danos ambientais provocados na Islândia pelas fundições de alumínio, e advertiu que a crise financeira provocaria alguns políticos a acelerar os projetos de construção de fundições para, com isso, tentar encontrar uma resposta para a crise. “Normalmente eu não me interesso por política. Vivo feliz no país da criação musical. Mas acabei me envolvendo porque os políticos parecem determinados a destruir a natureza da Islândia”, declarou Björk.

A abundância de energia térmica permite que a Islândia se torne o centro mundial da indústria do alumínio, atraindo investimentos da Alcoa e Rio Tinto. As três maiores fundições estão na Islândia, que tem uma população de apenas 300.000 habitantes.

Em três anos, duas outras usinas funcionando com energia geotérmica devem ser construídas.  Segundo Björk “por causa da crise, alguns deputados estão fazendo pressão para que não se faça qualquer estimativa de impacto ambiental, para que as barragens possam ser construídas o mais rápido possível para fornecer energia para a Alcoa e a Rio Tinto e suas novas fundições”.

A campanha de Björk pelo meio ambiente atraiu críticos da área de negócios na Islândia, que tem uma taxa de crédito de 18% , inflação de 20% e uma taxa de desemprego de 10%, por causa da crise que tem afetado o país.

“A indústria de alumínio emprega mais de 1500 pessoas, e para cada coroa islandesa de lucro gerado, 30 a 40% ficam na Islândia para pagar salários, energia elétrica, assim como outros serviços locais”, diz Jon Steindor Valdimarsson, da federação das indústrias islandesas, em resposta aos artigos recentes de Björk.

O debate na Islândia para saber se é necessário dar prioridade ao crescimento econômico ou à proteção do meio ambiente é um debate que tem se acirrado na Europa, sobretudo agora com a crise financeira que, talvez, venha afetar os objetivos da luta contra o aquecimento global. No ano passado, a Europa aceitou os objetivos “20-20-20” que determinaram para 2010, uma redução de 20% de emissões de gases de efeito estufa, aumento de 20% da utilização de energias renováveis e melhoria na distribuição de energia elétrica. Mas com a crise da economia européia, passou-se a hesitar quanto ao cumprimento dessas metas.

Por ocasião da cúpula da União Européia no mês passado, vários países argumentaram que esses objetivos implicariam em muitos prejuízos para a indústria. A Itália declarou que cumprir esses objetivos lhe custaria 18 bilhões por ano, número questionado pela comissão européia.

Outros países como Alemanha e República Tcheca querem objetivos mais flexíveis para poderem cumprir as próprias metas de redução de CO2.

Um acordo sobre a aplicação dos objetivos deve ser negociado nas cinco próximas semanas, até a cúpula dos dirigentes da União Européia (11,12 de dezembro), o que preocupa as pessoas engajadas na luta pelo meio ambiente.

“Estou preocupada com algumas coisas que ouço de alguns países europeus... como a Itália e a Alemanha. Todos devem entender que nosso compromisso não é negociável. Não há como se esquivar da salvação do planeta”, declarou a antiga presidente da Irlanda, que participou da conferência em Bruxelas.

O deputado membro do partido Fine Gael, Avril Doyle, encarregado de um elemento chave no parlamento europeu do pacote climático e energético, diz ser verdade que alguns ministros se renderam ao estado atual da economia. “Estão em estado de choque por causa do rápido declínio econômico” diz Avril. Mas, lembrando a credibilidade da UE, ela acredita que as metas 20-20-20 não estão ameaçadas, sobretudo porque se as decisões corretas não forem tomadas agora, o custo das ações futuras será, mais elevado.

“As mudanças climáticas devem ter prioridade, mais ainda que a crise financeira. Devemos lembrar que o pacote energético da UE e o próximo acordo mundial que substituirá o protocolo de Kioto, entrarão em vigor só em 2012, declarou Avril Doyle, que acredita, também, que o pacote final terá uma certa flexibilidade para que os 27 países possam se comprometer com ele sem desculpas.

O governo irlandês pressiona para que sejam levadas em conta as emissões de carbono de florestas e matas, porque o controle das emissões residenciais, de transportes e agricultura, não são suficientes para que se alcance a meta de 20% de redução de CO2. A Alemanha quer garantias de que suas indústrias pesadas que produzem CO2 não serão deslocadas para fora das fronteiras da União Européia, enquanto a Polônia quer ter certeza de que o setor produtor de eletricidade não aumentará os custos depois desses acordos.

Mas, em relação à economia européia, que deverá entrar em recessão no ano que vem, os dirigentes europeus se encontram diante da mesma e difícil questão que os políticos islandeses. Devem fazer concessões visando o bem do planeta, e sacrificar empregos e impedir o crescimento econômico a curto prazo? Devem deixar para mais tarde as ações sobre as mudanças climáticas, quando a economia retomar seu curso normal? 

Fonte: Björk joins chorus of campaigners as states change climate tune

NÁTTURÁ

NOVO SINGLE DE BJÖRK

Com participação de Thom Yorke (Radiohead), Brian Chippendale (Lighting Bolt), Matthew Herbert e Mark Bell.

Todo o lucro do single será revertido para a ONG Nattura.

O single já está disponível no site da ONG Nattura onde podem ser feitas doações.

A música “Nattura” foi especialmente composta para a campanha da ONG Nattura, com o objetivo de reunir e oferecer alternativas sustentáveis e ecológicas aos recursos naturais da Islândia. No site, as pessoas poderão propor idéias para a sustentabilidade das atividades econômicas na Islândia.

Segundo Björk, “agora, mais do que nunca, é importante realçar o respeito à natureza... acho que o lucro, os avanços tecnológicos e atividades em conformidade com o meio ambiente podem ser realizados em conjunto. Nenhuma dessas coisas precisa ser sacrificada em nome da outra”.

A música, escrita e produzida por Björk, com a participação de Thom Yorke no coro, Brian Chippendale na bateria, Matthew Herbert (baixo/sintetizador) e Mark Bell nas passagens eletrônicas adicionais. Abrindo com um turbilhão dos quatro elementos, “Nattura” tem um ritmo tribal, violento e apoteótico. Björk, em “Nattura”, celebra sua pátria, na esperança de que os islandeses utilizem sua energia de forma consciente.

Uma grande conferência sobre desenvolvimento sustentável será realizada em Reykjavik, animada pelo Nattura.info e a Universidade de Reykjavik, como indica o seguinte comunicado:

GRUPO DE TRABALHO PARA UTILIZAÇAO SUSTENTÁVEL
DAS RESERVAS NATURAIS

Durante anos, foram feitas variadas tentativas em todos os países para encontrar meios de utilização dos recursos naturais e humanos, diferentemente dos meios utilizados pelas multinacionais. Tais tentativas conduziram a uma série de opções e sensibilizaram os islandeses quanto a suas responsabilidades com o meio ambiente. Entretanto, por diversas razões, essas tentativas não tiveram efeitos práticos visíveis. Há uma clara cisão entre, por um lado, os projetos realizáveis e sua aplicação e, de outro, os investimentos e meios de os gerar. Em tempos difíceis, quando as pessoas tentam desesperadamente encontrar alternativas para se libertar do abuso das multinacionais, fazer a ponte entre diferentes áreas do conhecimento, é imprescindível.

O novo single da Björk, “Nattura”, composto para apoiar ativamente um meio mais ecológico de utilização das fontes naturais na Islândia, em comparação com aqueles que vêm sendo utilizados até agora (indiferentes às conseqüências de suas ações), será lançado pela Rádio Nacional da Islândia (RUV), e será vendido na Internet, através site Nattura.info. Thom yorke participou da produção de “Nattura”, e pensa que a repercussão internacional será considerável.

Em conjunto com a universidade de Reykyavik e do Klak,  um instituto de pesquisa para implantação empresarial sustentável, e com o Fro, o instituto da universidade de Reykjavik para os bens públicos, Björk e os responsáveis pelo site Nattura.info, organizaram um grupo de discussão com os investidores e profissionais de varias áreas, representantes de associações para o desenvolvimento econômico, universidades e pessoas que trabalham na formulação de idéias e implantação de inovações na área do desenvolvimento sustentável. Os projetos foram reunidos visando a melhoria do desenvolvimento e promoção de empresas de todo o tipo, da industria têxtil às inovações tecnológicas do setor da biotecnologia.

O objetivo do grupo de trabalho e de outras manifestações paralelas é reunir as experiências, conhecimento e inventividade nos diferentes setores da sociedade, apoiar o desenvolvimento sustentável das empresas, dar acesso ao financiamento e ao poder de decisão, gerar um diálogo construtivo, além de incentivar a pesquisa. Esses vínculos visam a participação pública e a criação de planos de trabalho.

Depois de fomentar a ação desse grupo de reflexão na Universidade de Reykiavik, Nattura.info realizará seminários para os quais serão convidados pensadores estrangeiros de diferentes segmentos da sociedade, e serão criados grupos em seus respectivos países. O Nattura. Info abrirá um espaço para a discussão dos recursos naturais da Islândia, sua utilização e sustentabilidade. Um grupo de reflexão sobre alternativas para a indústria pesada também poderá ser acessado no site.

Os lucros gerados pela venda do single “Nattura” serão revertidos para a ONG Nattura.


  No caminho de Copenhague

Um artigo escrito por Mary Robinson, ex- presidente da Irlanda (1990) e membro do Club de Madrid, e Margot Wallström, vice-presidente da Comissão Européia . Elas fazem parte da iniciativa « Road to Copenhagen », que originou a conferência de Bruxelas, realizada há alguns dias, com a  participação de Björk e do Nattura.info. Neste artigo, elas explicam a urgência de levar a sério a conferencia sobre o clima em Copenhague em 2009.


Temos mais ou menos 2850 dias, ou 97 meses, para salvar o planeta. Depois, segundo os especialistas, alcançaremos um ponto crítico da mudança climática: ao passar por esse ponto, o aumento da temperatura poderá ultrapassar a casa dos 2ºC.

6 de novembro é um dia em que um novo tipo de conferência sobre mudança climática acontecerá em Bruxelas. Mas qual a diferença entre essa conferência e as outras?  Para começar, os participantes têm um relógio mais importante a observar. Longe de ser um prenunciador de catástrofes, esse relógio nos diz que todas as nossas ações tem um determinado peso sobre o meio ambiente. A mudança climática é uma história de desespero e de esperança. Pode tanto nos matar quanto salvar. A mudanças climática vai nos testar, ameaçar e nos forçar a mudar. E tais mudanças, que não conhecemos, são assustadoras. Mas nem sempre. Ao contrário, pensamos ter razões para sermos otimistas, e muito mesmo. Porque, de fato, temos todo o know-how, os instrumentos, a tecnologia e a economia para reduzir as mudanças climáticas. Eis o tema da conferência: mudar tudo isso é possível. O protocolo de Kioto cessa em 2012, e a comunidade internacional deve decidir por um novo acordo em Copenhague em 2009. Eis porque a conferência, e a iniciativa como um todo chama-se Road to Copenhagen.  Em dezembro de 2007, o debate começou na ONU, em Bali, e neste ano, os negociadores se encontrarão em Poznan na Polônia (1 a 10 de dezembro).

Estamos engajados nessa iniciativa, pois acreditamos que, sozinha, a política não pode fazer muita coisa em relação às mudanças climáticas. São nossas escolhas e nossas exigências que fazemos à sociedade e aos políticos, que decidirão o nível de mudança climática. Ela afetará a todos. Por isso, todos nós temos o direito de expressar nossas preocupações, nossas expectativas e necessidades. Esse debate não deve se restringir a uma elite de políticos, homens de negócio e especialistas. Precisamos de um debate democrático sobre o aquecimento global e nosso futuro. Eis o objetivo do “Road to Copenhagen”: permitir ao maior número de pessoas, grupos industriais e sociedade civil, que suas vozes sejam ouvidas durante os acordos pós-Kioto.

Road to Copenhagen é uma iniciativa organizada pelo Club de Madrid, Globe Europe e Respect Table. Reúne pessoas de todas as áreas, que acreditam que podem mudar essa situação e que um mundo sustentável é possível. Essa iniciativa está embasada num site interativo, e convida a todos se engajar e discutir diretamente com políticos, ONG’s e empresas.

O encontro do dia 6 de novembro discutirá a agenda da próxima conferência sobre mudanças climáticas da ONU, em Poznan. Debateremos objetivos a longo prazo e progressos tecnológicos. Um grupo de trabalho se concentrará nos direitos humanos, justiça climática, dimensões do debate por vezes negligenciadas no debate atual da ONU, que se concentra mais nos aspectos tecnológicos e econômicos, e menos no contexto humano e social. Esse debate é parte importante do comunicado que será enviado por nós aos negociadores da ONU em Poznan.

Por que a dimensão humana é tão importante? Em 1820, a Inglaterra era o país mais rico do mundo. A renda média por pessoa era três vezes maior do que na região mais pobre do mundo, a África subsaariana. Hoje, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo, e sua renda média por pessoa é cerca de 20 vezes maior do que a renda média na mesma região, a África subsaariana. Em 2050, o aumento da população mundial, estimada em 2,6 milhões de pessoas, se concentrará, sobretudo, nas regiões mais pobres do mundo. Essas regiões não têm um crescimento econômico proporcional, são regiões politicamente instáveis e serão mais duramente afetadas pelas mudanças climáticas.

Jeffrey Sachs fala de um paradoxo entre uma economia mundial unificada e uma sociedade mundial fragmentada, onde a armadilha da pobreza alimenta a si mesma e não se corrige. É um processo preocupante que forma um “desvio de viabilidade” que deve ser detido. Wangari Mathai, premiada com o Nobel, formula assim o problema: “Não pode haver desenvolvimento sustentável se não houver desenvolvimento igualitário; e não pode haver desenvolvimento igualitário sem igualdade entre os sexos”. É claro que não poderemos reduzir as mudanças climáticas se não levarmos em conta a pobreza e não garantirmos a justiça climática.

Alcançar o desenvolvimento sustentável e chegar a uma economia de baixa emissão de co2, não depende somente de inovações tecnológicas, mas isso exige inovações de grande envergadura a nível social e político. Lembremos que a tecnologia não é capaz de eliminar a pobreza, respeitar os direitos humanos, deter o aquecimento global e construir uma sociedade sustentável. Só o homem é capaz disso. É esse o objetivo do Road to Copenhage, e deveria ser também o objetivo da conferência de Copenhagen em 2009: a justiça climática para todos.

Mary Robinson, Mary Robinson, membro do Club de Madrid,
Margot Wallström, vice-presidente da Comissão Européia

Fonte: On the Road to Copenhagen


Fonte: After financial meltdown, now it's smeltdown

Artigo original publicado em 28/10/2008

Tradução redigida em português do

Sobre o autor

Fernando Esteves é membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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NO VENTRE DA BALEIA: 23/11/2008

 
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