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22/10/2017
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Epidemia de lucro


AUTOR:  Silvia RIBEIRO

Traduzido por  Alexandre Leite


A nova epidemia de gripe suína que dia a dia ameaça expandir-se a mais regiões do mundo, não é um fenómeno isolado. É parte da crise generalizada, e tem as suas raízes no sistema de criação industrial de animais, dominado por grandes empresas multinacionais.

No México, as grandes empresas aviárias e suínas proliferaram amplamente nas águas (sujas) do Tratado de Livre Comércio da América do Norte. Um exemplo é Granjas Carroll, em Veracruz, propriedade da Smithfield Foods, a maior empresa de criação de porcos e processamento de produtos suínos no mundo, com filiais na América do Norte, Europa e China. Na sua sede de Perote começou há algumas semanas uma virulenta epidemia de doenças respiratórias que afectou 60% da população de La Gloria, facto informado pelo jornal La Jornada em várias ocasiões, a partir das denúncias dos habitantes locais. Desde há anos travam uma dura luta contra a contaminação da empresa e sofreram inclusivamente repressão das autoridades pelas suas denúncias. A Granjas Carroll declarou que não está relacionada nem é a origem da actual epidemia, alegando que a população tinha uma gripe comum. Por via das dúvidas, não fizeram análises para saber exactamente de que vírus se tratava.

Em contraste, as conclusões do painel Pew Commission on Industrial Farm Animal Production (Comissão Pew sobre produção animal industrial), publicadas em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, sobretudo em porcos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus de distintas estirpes. Inclusivamente mencionam o perigo de recombinação da gripe aviária e da suína e como finalmente pode chegar a recombinar em vírus que afectem e sejam transmitidos entre humanos. Mencionam também que por muitas vias, incluindo a contaminação de águas, pode chegar a localidades distantes, sem aparente contacto directo. Um exemplo com o qual devemos aprender é o surgimento da gripe aviária. Ver por exemplo o relatório da GRAIN que ilustra como a indústria aviária criou a gripe aviária (www.grain.org).


A nova epidemia não é um fenómeno isolado. É parte da crise generalizada, e tem as suas raízes no sistema de criação industrial de animais, dominado por grandes empresas multinacionais." A imagem foi captada ontem no terminal de autocarros (ônibus) do Oriente. Foto María Luisa Severiano/LA JORNADA.

Mas as respostas oficiais perante a actual crise, para além de tardias (esperaram que os Estados Unidos anunciassem primeiro o surgimento do novo vírus, perdendo dias valiosos para combater a epidemia), parecem ignorar as causas reais e mais contundentes. Mais do que enviar estirpes do vírus para a sua sequenciação genómica a cientistas como Craig Venter, que enriqueceu com a privatização da investigação e seus resultados (sequenciação que, por certo, já foi feita por investigadores públicos do Centro de Prevenção de Doenças em Atlanta, Estados Unidos), o que se necessita é entender que este fenómeno vai continuar a repetir-se enquanto continuarem os criadores destas doenças.

Já na epidemia, são também as multinacionais que lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que monopolizam as vacinas e os antivirais. O governo do México anunciou que tinha um milhão de doses de antigénios para atacar a nova estirpe de gripe suína, mas nunca informou a que custo.

Os únicos antivirais que ainda têm acção contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do mundo e são propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: o zanamivir, com nome comercial Relenza, comercializado pela GlaxoSmithKline, e o oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado por Gilead Sciences, licenciado de forma exclusiva à Roche. Glaxo e Roche são a segunda e a quarta empresas farmacêuticas à escala mundial e, tal como com o resto dos fármacos, as epidemias são as suas melhores oportunidades de negócio.

Com a gripe aviária, todas elas obtiveram centenas ou milhares de milhões de dólares de lucros. Com o anúncio da nova epidemia no México, as acções da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as de Glaxo 6%, e isto é só o começo.

Outra empresa que persegue este suculento negócio é a Baxter, que solicitou amostras do novo vírus e anunciou que poderia ter a vacina em 13 semanas. A Baxter, outra farmacêutica global (no lugar 22), teve um acidente na sua fábrica na Áustria em Fevereiro deste ano. Enviou um produto contra a gripe para a Alemanha, Eslovénia e República Checa, contaminado com vírus da gripe aviária. Segundo a empresa, foram erros humanos e problemas no processo, dos quais não pode dar detalhes, porque teria que revelar processos patenteados.

Necessitamos de enfrentar não apenas a epidemia da gripe: também a do lucro.


Fonte: La Jornada - Epidemia de lucro

Artigo original publicado a 28 de fevereiro 2009

Este artigo é para português de

Sobre o autor

Alexandre Leite é membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores e à fonte.

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NO VENTRE DA BALEIA: 30/04/2009

 
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