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12/12/2017
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Marx, o primeiro verdadeiro globalista


AUTOR:  William BOWLES

Traduzido por  Alexandre Leite


Se não fez mais nada, a completa pilhagem dos recursos naturais do planeta trouxe à evidência a necessidade de algum tipo de regulação global (e globalmente aplicável) do que resta do precioso quinhão de vida do planeta. Mas poderá o capitalismo cumprir essa tarefa? Não apenas isso, tem vontade de o fazer e será que mesmo uma espécie de capitalismo ‘reformado’ é capaz de o fazer, sabendo que a pulsão básica do capitalismo é expandir ou morrer.

O toque de rebate de Marx e dos socialistas do século XIX foi o Internacionalismo, ‘Proletários de todo o muno, uni-vos’, convencido como estava da natureza globalizante do capitalismo industrial, procurando expandir o mercado capitalista a todos os recantos onde desse para ganhar alguns trocos. E ao fazer isso, Marx previu correctamente que o capitalismo industrial iria criar uma classe trabalhadora organizada e politicamente consciente por onde quer que se espalhasse, que eram na altura a secção mais avançada da classe trabalhadora, e que seria a classe trabalhadora organizada, ‘conduzida’ por uma organização revolucionária, que acabaria com o capitalismo e o substituiria por uma economia socialista planeada e racional.


Nizar Outhman

Lá se foi a teoria. A prática ensinou a alguns de nós valiosas lições sobre a dificuldade de construir uma economia socialista e não apenas porque só tínhamos teoria mas também porque os estados capitalistas dominantes estavam determinados em que falhasse todas e quaisquer alternativas ao capitalismo e, de forma crucial, fossem vistas a falhar.

Dito isto, é agora evidente que a escala da pilhagem é tão grande que ameaça o futuro da vida no planeta, quanto mais a possibilidade de socialismo, e isso é mais visível nos oceanos do planeta, com algumas estimativas a sugerirem que em menos de 40 anos 90% das reservas de peixe dos oceanos irá estar esgotada. Com mil milhões de pessoas totalmente dependentes do peixe como sua fonte principal de proteínas, esta é uma crise de proporções assombrosas. E a ideia dos nossos oceanos vazios de vida é simplesmente consternadora! O oceano é afinal o nosso berço, nós até choramos lágrimas salgadas.

O facto é que, ao contrário de ser o aumento populacional a causa do esgotamento de recursos naturais (Malthus dá assim mais uma volta no caixão), são os insaciáveis apetites das nações alegadamente desenvolvidas, talvez 10% da população mundial, os responsáveis pelo massacre.

Cerca de 10 milhões de tubarões são mortos todos os anos só por causa das barbatanas das azaradas criaturas, para satisfazer os desejos de um punhado de japoneses endinheirados. A carcaça é atirada de volta ao oceano.

Todos os anos, milhões de toneladas de atum são sugadas do oceano só para nós podermos comer uma maldita sanduíche de atum, e não é que isto sejam necessidades, são luxos sem os quais podemos muito bem passar. Mas como é que se regula 70% do planeta quando a nossa economia ‘global’ é um vale tudo?

A questão é simples: pode o capitalismo resolver a crise com a qual nos confrontamos sem assinar a sua própria sentença de morte, e estará disposto a tentar? A história mostra-nos que a resposta é um retumbante não, a ambas as perguntas.


Alfons Kiefer

Está Cuba a mostrar-nos o caminho a seguir?

Há uma certa ironia no facto de Cuba, pela força das circunstâncias, ter tido que se empenhar na construção de uma economia sustentável. Mas não é um acaso que a única economia socialista no mundo se tenha empenhado nesse caminho revolucionário pois é literalmente o único país do planeta capaz de cumprir uma tal tarefa. Isso é em parte por causa do embargo dos EUA, que dura há décadas, em conjunto com o colapso da União Soviética, mas isso em nada diminui o que foi alcançado. Independentemente das razões, Cuba mostrou-nos não apenas que é possível mas também que é impossível sem uma economia socialista e planeada.

Imaginam uma outra nação insular, o Reino Unido, empenhando-se numa comparável rota para o futuro? Cuba é, apesar de tudo, um país pobre que durante décadas foi deliberadamente despojado de recursos e, como outros países que tentaram construir o socialismo, tem falta de infra-estruturas desenvolvidas. Em poucas palavras, era o menos equipado para enfrentar uma tarefa tão hercúlea, ainda por cima ter de a fazer à sombra ‘del Norte’.

Tudo o que Marx escreveu há 150 anos atrás apontava na direcção que somos agora forçados a considerar. Mas será preciso um colapso ecológico para nos fazer enfrentar o assunto e será então tarde de mais??

Esta não é uma questão académica, é agora uma questão de sobrevivência. Mas será que só quando não houver latas de atum nas prateleiras ou peixe no prato é que a nossa população sobrealimentada e sub-informada irá acordar para a realidade da situação?

No passado, a luta pelo socialismo baseava-se numa justiça económica e política para todos os trabalhadores, e isso não mudou, mas o que mudou foram os efeitos do interminável ‘crescimento’, isto é, a expansão do ‘mercado’ capitalista atingiu finalmente os seus limites, o próprio planeta.

Mas se julgam que isto serviria como uma espécie de despertar dos nossos assim chamados líderes, pensem melhor. Consegue um leopardo mudar as suas pintas? Em vez disso, é vista como mais uma oportunidade de fazer dinheiro! Pior ainda, a responsabilidade por acabar com esta loucura foi atirada para cima de nós mas crucialmente sem nenhum poder correspondente para fazer algo de significativo sobre a situação. Pelo contrário, somos coagidos a apertar os nossos cintos, e até criminalizados por fazer tanto lixo! Lixo que nós não criámos mas que somos forçados a comprar quando vamos ao supermercado. Nós ficamos com as culpas e os accionistas da Tesco* ficam com os lucros.

*Tesco é uma rede internacional de hipermercados baseada no Reino Unido


Fonte: Marx, the first real globalist

Artigo original publicado a 17 de junho de 2009 

Este artigo é para português de

Sobre o autor

Alexandre Leite é membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística e editor do blog http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt/. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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TEMPESTADE CEREBRAL : 24/06/2009

 
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