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16/12/2017
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Hasta la vista, baby-O crime de Novo Hamburgo


AUTOR:  Renan ANTUNES DE OLIVEIRA


Fugiu para a Espanha o empresário que queimou a mulher viva em Novo Hambugo, no Rio Grande do Sul.

Entre todos os dias do ano que poderia ter escolhido para matar sua mulher, o assassino da jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues escolheu justo o dos Namorados, naquele ano de 2004. E entre tantos lugares possíveis, Luiz Henrique Sanfelice a matou num chamado Santuário das Mães – mãe ela era, deixou órfão um menino de quatro.

O crime foi em Novo Hamburgo. Preso, o marido matador sempre negou o crime. Não adiantou: os jurados o condenaram a 19 anos e meio de cadeia, no final de 2006.

Texto e sangue, por Liberati

Mas logo logo ele começou a ganhar as molezas conhecidas do nosso Judiciário. Descontado o tempo que durou o processo, somado ao bom comportamento dele (desde que foi preso não matou mais ninguém) e seus bons antecedentes (afinal, antes de queimar dona Beatriz ele não tinha tocado fogo em nenhuma pessoa) Sanfelice foi pro semi aberto em 2007.

Até abril de 2008 ele foi levando. Passava os dias na rua. Na hora de dormir, dava uma passada na padaria Novo Pan, vizinha do presídio, pra comer o sanduíche esperto do seu Rudimar, depois ia pra sua cela passar a noite. Um recurso da promotoria estava querendo acabar com a festa. Avisado pelos advogados que seria devolvido ao regime fechado, ele tomou doril.

O delegado Eduardo César, do Departamento Estadual de Investigações Criminais, já avisou a Interpol, a polícia internacional, pra localizar Sanfelice na Espanha – como ele tem nacionalidade espanhola, dificilmente será alcançado pela Justiça brasileira. Seus advogados juram não saber onde ele está – conversa mole para boi dormir.

O crime do qual Sanfelice escapou ao castigo aconteceu num sábado de tempo bom, depois de dias de chuva. Beatriz tomou o café com a família no que parecia ser a santa paz de um lar feliz.

Ela saiu de carro pouco depois das 9 para ir num caixa eletrônico no centro da cidade. Sua imagem aparece gravada pelas câmeras do banco sacando dinheiro às 9h22 – depois disso Beatriz desapareceu.

 
                                         Luis Henrique

De início, as autoridades apostaram que seria um sequestro-relâmpago, mas o sumiço dela se tornaria o maior caso policial da cidade e do Vale dos Sinos em décadas.

Beatriz foi encontrada morta um dia depois, o domingo 13 de junho. Ainda estava presa pelo cinto de segurança no banco do carona de seu Renault Mègane. Tão carbonizada que acabou reduzida de 65 para 40 quilos, mesmo com o peso do cinto, fivelas e molas do banco, grudados nela pelo fogo.

O inquérito policial concluiu pelo suspeito número um em crimes assim: o marido, o empresário Luiz Henrique Sanfelice, 39 então, hoje com 45. Ele a teria matado de forma premeditada, por motivos passionais e por dinheiro.

A polícia descobriu que o marido fez um seguro de 350 mil pela morte da mulher, meses antes. Na semana do crime escolheu o local, um matagal no caminho do Santuário das Mães, perto de casa e de seu escritório, calculando o tempo necessário para matá-la, queimá-la e fugir sem ser visto.

Com o plano pronto, ele teria escolhido a hora final apenas na véspera, encontrando a oportunidade depois de grampear uma conversa telefônica da mulher com o amante dela, o empresário Nelson R., no qual os dois combinavam um encontro para o sábado de manhã. Matando-a durante a hora combinada, Sanfelice queria jogar a suspeita do crime nas costas do amante.

Todo plano foi feito com antecedência e por escrito – estava num computador portátil, mais tarde apreendido e examinado por peritos policiais. Sanfelice não poderia ter deixado um rastro maior. Mas, a defesa dele acusou a polícia de ter inserido o plano no computador, sugerindo a existência de um fantástico complô para incriminá-lo.

A polícia contou ainda com a ajuda do melhor amigo de Beatriz, um empresário cinquentão – logo depois da morte ele entregou às autoridades uma coleção de vídeos pornôs que Sanfelice gravara com sua amante fixa, Andréa, e algumas prostitutas, abrindo uma janela para compreensão do inferno que era a vida conjugal do casal. As fitas estavam guardadas em seu poder a pedido de Beatriz, para serem usadas em caso de divórcio.

Logo a polícia descobriu que Beatriz e o marido eram infiéis um ao outro. Na conservadora Novo Hamburgo, mantinham um casamento de fachada, mas tumultuado – se guampeavam, discutiam o divórcio e faziam terapia de casal.

Sanfelice mantinha sua amante Andréa de casa montada. Beatriz trocava amantes com frequência. O último era o tal Nelson, 40, casado. Este, quando flagrado no centro da trama, disse à polícia o clássico “éramos apenas bons amigos”.

Sanfelice disse que só soube depois de preso que a mulher tivera vários amantes – negativa que a polícia acha que é só para desmontar a tese do crime passional. O marido queria convencer todos que um dos amantes seria o verdadeiro assassino. Seu advogado até prometeu para 16 de setembro de 2005 “surpreendentes revelações” que o inocentariam, mas a data passou e o anúncio jamais foi feito.

Os advogados dele montaram a tese da inocência afirmando que seu cliente queria prová-la – e aí entregaram à Justiça seu passaporte, demonstrando assim que ele não fugiria do Brasil. Claro, espertamente entregaram apenas o brasileiro, não o passaporte espanhol, utilizado mais tarde para a fuga.


Novo Hamburgo. Foto Alexandre Otavio Pinto



A vida do casal no centro do drama foi exposta sem nenhum pudor no julgamento.

Parentes, amigos, empregados e até desconhecidos distantes desfilaram pela 1ª Vara Criminal de NH para contar os detalhes sujos do casamento. Para entender o caso, a juíza Lúcia Camerini aceitou até o tititi do cabeleireiro da morta.

Uma cunhada buscou do fundo do baú o primeiro romance de Beatriz, com um tal Edwino: “Quando se conheceram ele já era casado e com filhos. Ela esperava que ele deixasse a família.” Por alguns anos Beatriz manteve o romance com Edwino conformada com a clandestinidade, até
conhecer Sanfelice. “Ela viu nele o que procurava, um pai para ter um filho”, garante a cunhada – mas houve quem dissesse que filhos ele não queria.

O fato é que Beatriz e Sanfelice se casaram e tiveram um filho – já tem gente na família querendo fazer o DNA do garoto, o órfão da história.

Poucos na família da mulher sabiam de seus romances extraconjugais. “Beatriz era independente, culta, viajada, fazia o que queria e não deixava ninguém se meter na vida dela”, conta um irmão.

Beatriz conheceu Sanfelice em 1992, quando os dois trabalharam juntos na Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo (ACI). Ela, que começara como jovem estudante de Jornalismo estagiária, já estava chefiando o departamento de comunicação. Ele, três anos mais novo, era oficce boy.

Bem-sucedida, Beatriz deu um passo além da ACI e abriu uma empresa de assessoria para várias empresas calçadistas, crescendo bastante.

O romance com Edwino é que não avançava. Quando chegou perto dos 30, Beatriz sentiu cair aquela ficha clássica: a de que ele jamais trocaria a família por ela.

Foi aí que Sanfelice apareceu na foto. Um amigo testemunhou o início do romance e notou a diferença de idade: “Ele parecia bem mais moço do que ela (tinha três anos menos). Eu acho que se aproximou por ambição, porque ele queria subir na vida e ela daria uma ótima escada”.

Seja como for, o romance parecia florescer. Sanfelice subiu na carreira e passou a cuidar do caixa da ACI. Um diretor lembra que “no turno dele, sempre faltava dinheiro. Como ele repunha, nada foi provado. Mas a política da casa era não discutir para não ter publicidade ruim. Assim, discretamente, nós o demitimos”.

Beatriz ficou do lado dele. Algum tempo depois Sanfelice se formou. Ela então abriu uma empresa em sociedade com o futuro marido e os dois prosperaram.

“Quando ela decidiu que ia se casar, a família aceitou, mas eu nunca me dei bem com ele”, conta um irmão. “Acho que foi uma coisa intuitiva, eu não gostava da ambição dele. O Luiz era um pelado, sempre sonhando com grandes negócios e querendo aparecer muito”.

Sanfelice não era propriamente um pelado. Seu pai é um comerciante bem de vida, dono de um posto de gasolina na BR 116 que é uma mina de dinheiro.

Antes e depois de trabalhar na ACI Sanfelice esteve com o pai no posto. Algumas desavenças os afastaram – mas na hora em que o filho foi acusado de assassinato o pai reapareceu, bancou despesas de advogado, defendeu o filho com unhas e dentes.

Em diferentes momentos de seus negócios com Beatriz, Sanfelice se deu bem, ganhando bastante dinheiro. Era um hábil vendedor. Negociava lotes de calçados para exportação.

Se o casal ganhava bem, gastava melhor ainda. Eles desfrutaram o sucesso: entre 1996 e 2002 visitaram a Europa e as Bahamas. Cada um mantinha relacionamentos paralelos. Beatriz era mais discreta. Amigos e conhecidos fofocavam muito, mas todos os relatos sugerem que Sanfelice vivia no mundo dos cornos – aquele no qual o sujeito apronta, mas acredita que a mulher fica quietinha em casa.

No início da década, o setor calçadista foi atingido por uma crise. Com Beatriz dedicada mais ao filho, a renda do casal diminuiu – e os conflitos começaram a aparecer.

“Luiz não tinha os valores familiares fortes como os nossos”, diz um irmão de Beatriz. “Ele gostava de dinheiro, de aparecer, de viajar, de festas, vivia noutra onda”.

O irmão avalia que Sanfelice “era traumatizado pelo divórcio dos pais”, ocorrido quando ele era criança. “Só quando casou é que reviu a mãe, e isso por insistência da Beatriz, que quis conhecê-la”.

Um cunhado que estava no casamento lembra de uma chorosa dona Mari de Los Angeles tentando reaproximar-se de um filho “frio e distante”. A sogra ficou na casa da mãe de Beatriz, dona Gessi. As duas conversaram bastante. Mari começou pelas banalidades, contando que tem origem espanhola, que cresceu no Paraguai, que vive no Rio de Janeiro. De repente, surpreendeu a família contando uma história saída do inferno de Sanfelice. “Ela nos contou que ele sofreu abuso sexual por um parente quando era criança”, revela um cunhado.

O depoimento de dona Mari foi uma das dicas que levou a polícia, mais tarde, a estabelecer sua teoria de que Sanfelice matou Beatriz. Um perfil psicológico dele foi então produzido na delegacia de NH, com os policiais entrando na seara de Freud: “Concluímos que ele era mulherengo, machista, sádico, incapaz de amar”, disse um delegado.

No depoimento que deu à Justiça, Sanfelice jurou que amava a mulher. Na audiência em que ele se apresentou em público pela primeira vez desde que tinha sido acusado, apareceu bem barbeado, paletó de lã elegante, aparentando calma. Deu um longo e apertado abraço no pai – o único da platéia a seu favor.

Eugênio AmorimO promotor Eugênio Amorim começou o interrogatório, acusando-o de matar Beatriz “por motivo torpe e com emprego de fogo”, na “pretensão de assenhorar-se do sentimento alheio” – linguajar jurídico para ciúmes. “Eu não mataria a mãe do meu filho”, rebateu Sanfelice, com firmeza.

O marido acusado encarou a juíza, jornalistas, oficiais de justiça, policiais, o pai, parentes da morta e se disse um homem de família, um administrador bem-sucedido, um devoto de Padre Reus e um inimigo da violência – ilustrou este ponto contando que se sentiu mal quando viu cenas do filme de guerra O Resgate do Soldado Ryan.

Testemunhas o contradisseram em tudo. Uma cunhada disse que ele era desligado da família: “Ele nunca quis um filho, obrigou Beatriz a fazer dois abortos. Sempre estava preocupado primeiro com o dinheiro. Como na terceira gravidez ela decidiu bancar tudo e seguir adiante até sozinha, só aí ele concordou”.

Andréa, a amante, revelou outro lado da personalidade dele. Exibiu à polícia um vídeo no qual está sendo sodomizada por Sanfelice. Ela não lembrava do acontecido. Como na fita ela parecia passiva demais, a conclusão dos peritos é que ele a dopou com Dormonid, um remédio que entorpece e causa amnésia. A fita confirmaria o parecer psico-policial de “machista sádico”. No fim, até a dedicação dele a Padre Reus foi questionada.

Os vídeos de orgias de Sanfelice pegaram mal para ele no tribunal. Quem os entregou à polícia foi o Melhor Amigo de Beatriz – ela os tinha encontrado e queria destruí-los, mas o Amigo sugeriu que guardassem para usá-los na ação de divórcio.

O promotor perguntou a Sanfelice sobre a possibilidade do divórcio – mas a resposta dele foi um categórico não. E novamente surgiram testemunhas para contradizê-lo. Segundo a família dela, o divórcio estava nos planos de Beatriz, que só não tomava a iniciativa para não desagradar a mãe, muito carola.

O promotor então atacou baseado no testemunho da irmã e confidente da morta: disse que sabia que o divórcio era iminente porque o casamento estava em ruínas, que tinha provas de que Beatriz e Sanfelice não transavam desde 2002 – e mais segredos de alcova se derramaram no tribunal.

Sanfelice reagiu com calma. Jurou que o casamento ia bem. “Passamos maus momentos, mas estávamos nos reconciliando”, garantiu. E deu detalhes íntimos daquela que teria sido a última hora dele com Beatriz: “Nós acordamos tarde no dia dos Namorados, perto das oito. Eu lhe dei flores. Ficamos na cama, fazendo amor. Depois tomamos café e ficamos mais um pouco deitados, com nosso filho no meio” – pintou um retrato de felicidade conjugal totálica.

O que a polícia apurou é que Beatriz levantou, banhou-se e deu um telefonema do celular para Nelson, às 9h18. Em 1 minuto e 58 segundos de conversa ela disse que o marido queria lhe fazer uma surpresa e que, portanto, não poderia ir ao encontro marcado – Nelson foi quem passou à polícia o teor do telefonema.


A Catedral São Luiz no centro de Novo Hamburgo. Foto Alexandre Otavio Pinto



A polícia garante que àquela altura os amantes não sabiam que Sanfelice tinha grampeado o celular dela, em gravação feita na sexta por um detetive particular. A surpresa seria a cilada mortal. Beatriz saiu de casa e quatro minutos depois foi enquadrada pela câmara de vigilância do Banco do Brasil, sacando dinheiro no caixa eletrônico – sua última imagem viva.

Sanfelice disse que deixou a mulher no banco e foi para casa a pé, parando numa fruteira e na videolocadora – mas caiu em várias contradições, demais para quem teria planejado tudo em detalhes.

Mais tarde, ele foi à polícia queixar-se do desaparecimento dela, supostamente preocupado porque ela não teria voltado para o almoço – coisa que os policiais garantem que era uma farsa ensaiada. Uma testemunha viu o carro incendiando no matagal do Santuário das Mães às 9h40.

Este horário foi determinado pela polícia como o da morte. Do matagal até a casa de Sanfelice dá uma caminhada de menos de 30 minutos. E ele ficou 45 minutos sem ser visto por ninguém, exatamente das 9h30, quando esteve na locadora, até entrar em casa e ser visto pela empregada, às 10h15.

O advogado dele disse que naqueles 45 minutos Sanfelice estava no centro, entre a locadora, a fruteira e a casa. Como Novo Hamburgo tem um sistema de vigilância por câmeras no centro, o advogado pediu que suas fitas fossem examinadas, na busca de um álibi.


Beatriz Helena e irmãos



A polícia examinou as fitas na primeira semana. Ele não aparecia nas gravações. Como as câmeras são de uma empresa privada, as fitas daquele sábado foram depois apagadas.

A defesa aproveitou a mancada para alegar que a polícia apagou os vídeos para prejudicar seu cliente: a tese é que se tais fitas existissem, ele apareceria nelas. Como no caso do computador, a defesa sugere que a polícia apagou tudo, só para prejudicá-lo.

Se ninguém o viu nos primeiros 45 minutos depois do crime, todos o viram depois, reforçando as suspeitas de que alguma coisa acontecera. A empregada foi a primeira, cravando a chegada dele nas 10h15.

Outra testemunha foi a irmã da morta, Juliana, que tinha ido na casa buscar um edredon: “Eu o encontrei na frente do prédio por acaso. Estava com roupas imundas e um jeito alucinado, quase não me reconheceu, quando me viu entrou correndo e foi tomar banho”.

Os dois encontros, com Juliana e com a empregada, serviram para a polícia estabelecer que Sanfelice tomou dois banhos. Um antes de sair de casa perto das nove, e outro depois das onze, após o encontro com Juliana. No segundo, todas as roupas que vestia no encontro com a cunhada sumiram. A polícia acredita que fossem as que ele estaria usando no crime, possivelmente com manchas incriminadoras.

A polícia formulou o cenário plausível do fim: Sanfelice de alguma forma administrou Dormonid, o mesmo remédio que usara para drogar Andréa, cujos efeitos levam cerca de 30 minutos para aparecer.

Encontrou-a na saída do banco, dirigiu o carro até o Santuário – chegaram lá dentro do tempo do remédio fazer efeito, ela já estaria grogue, sem condições de reagir.

Sanfelice então teria jogado o combustível diretamente sobre o corpo e atiçado as chamas com um pedaço de eucalipto. Serviço feito, ele teria dado uma pequena corrida pela trilha do matagal para chegar em casa, procurando forjar um álibi.

Na hora do almoço, claro, nada de Beatriz chegar. Aí Luiz Henrique Sanfelice fez uma pergunta banal para a empregada, mas cuja resposta ele já sabia: “A Beatriz já ligou? Por que será que ela está atrasada?”


Fonte:ViaPolítica

Update por Paula Bianchi, repórter em Porto Alegre 

Artigo original publicado em 8 de setembro de 2009

Artigo redigido em português do

Sobre o autor

Renan Antunes de Oliveira é autor associado á Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Este artigo pode ser reproduzido livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção aos autores e à fonte.

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AO SUL DA FRONTEIRA: 17/09/2009

 
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