HOME TLAXCALA
a rede de tradutores pela diversidade lingüística
MANIFESTO DE TLAXCALA  QUEM SOMOS ?  OS AMIGOS DE TLAXCALA   PESQUISAR 

AO SUL DA FRONTEIRA (América Latina e Caribe)
IMPÉRIO (Questões globais)
TERRA DE CANAà(Palestina, Israel, Líbano)
UMMA (Mundo árabe, Islã)
NO VENTRE DA BALEIA (Ativismo nas metrópoles imperialistas)
PAZ E GUERRA (USA, UE, OTAN)
MÃE AFRICA (Continente africano, Oceano índico)

ZONA DOS TUFÕES  (Ásia, Pacífico)
KOM K DE KALVELLIDO (Diário de um cartunista proletário)
TEMPESTADE CEREBRAL  (Cultura, Comunicação)
OS INCLASSIFICADOS 
CRÔNICAS TLAXCALTECAS 
O FICHÁRIO DE TLAXCALA  (Glossários, dicionários, fichários)
BIBLIOTECA DE AUTORES 
GALERIA 
OS ARQUIVOS DE TLAXCALA  

21/10/2017
Español Français English Deutsch Português Italiano Català
عربي Svenska فارسی Ελληνικά русски TAMAZIGHT OTHER LANGUAGES
 
(Ou porque é que o caminho do inferno está pavimentado de boas intenções)

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados visita o Saara Ocidental


AUTOR:  Atenea ACEVEDO

Traduzido por  Cristina Santos


Acabo de saber que António Guterres, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) desde Julho de 2005, chegou a Argel com o objectivo, segundo fontes do ACNUR, de “ter uma visão pessoal directa da situação dos saarauis”. A sua agenda inclui uma visita a um dos campos de refugiados próximo de Tinduf, a El Aiún, capital do Saara Ocidental sob a ocupação marroquina, e a Rabat.

A reacção natural ante tal notícia deveria ser de júbilo, sobretudo entre aqueles que também festejaram com pompa e circunstância a chegada de Obama ao poder e a nomeação de Christopher Ross, personagem central na chamada “guerra contra o terrorismo”, como mediador da ONU entre Marrocos e o Frente Polisário.

No entanto, antes de deitar foguetes é necessário e urgente pôr em perspectiva a visita de Guterres com alguns dados pontuais:

A primeira e única vez que o responsável máximo do ACNUR visitou os campos de refugiados foi em 1976, ano em que o Alto Comissário era o príncipe Sadruddin Aga Khan. Marrocos já tinha organizado a Marcha Verde para colonizar os territórios até hoje ocupados e tinha atacado a população saarauí com napalm e fósforo, forçando-a ao exílio numa guerra aberta com o Frente Polisário que duraria até 1991. O ano de 1976 também marcou a proclamação da República Árabe Saarauí Democrática como Estado, até a data reconhecido como governo no exílio por 85 países.

O Alto Comissário actual declara querer conhecer a realidade dos campos de refugiados na Argélia e a vida saarauí nos territórios ocupados. Para tal, passará dois dias num campo (de um total de cinco) e três entre El Aiún e Rabat.

Sem dúvida, a primeira impressão da precariedade da vida num campo de refugiados é como uma bofetada que abala a nossa hipocrisia tão ocidental, a nossa indiferença e o nosso pouco apreço pela abundância também constituída como um valor muito ocidental. Certamente, os refugiados saarauis, sem terem essa intenção e desde a mais generosa hospitalidade, obrigam a uma reflexão sobre as consequências dilacerantes e a escassa assunção de responsabilidade do colonialismo e do neocolonialismo. No entanto, pergunto-me se o trabalho que deveria realizar um funcionário como Guterres, se as decisões de uma organização como a que ele dirige se podem basear numa visita que nem um turista aceitaria se se tratasse duma capital europeia. Como é que se pode conhecer a realidade de um povo em 48 horas? De onde virá a firmeza para levar a cabo o referendo pela independência? Até quando é que a vida saarauí dependerá da ajuda internacional e da boa vontade das associações de benevolência?

Haverá quem pense que mais vale 33 anos depois do que nunca e que dois dias é melhor do que nada. Não comparto a vossa alegria. O papel da ONU e das suas agências (e o que dizer da MINURSO?) na questão do Saara Ocidental revela uma maquilhagem de má qualidade que reflecte a verdadeira face da burocracia internacional, essa enorme agência de viagens que translada o seu pessoal “de alto nível” de um lado para o outro de um planeta onde cada vez há mais pessoas deslocadas e refugiadas. Receio que as declarações de António Guterres nos próximos dias serão do mesmo tipo.

 

 



Fonte: http://my.opera.com/mujerypalabra/blog/2009/09/09/la-burocracia-internacional

Artigo original publicado a/em 9 de Setembro de 2009.

Este artigo é para português de


Sobre a autora

Cristina Santos é colaboradora de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção à autora, à tradutora e à fonte.

URL deste artigo em Tlaxcala:
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=8710&lg=po


MÃE AFRICA: 18/09/2009

 
 IMPRIMIR IMPRIMIR 

 ENVIAR ESTA PÁGINA ENVIAR ESTA PÁGINA

 
VOLVERVOLVER 

 tlaxcala@tlaxcala.es

HORA DE PARÍSI  12:27