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Escândalo !

La puta de Babilonia, entrevista com Fernando Vallejo


AUTOR:  Antonio Jáquez, 29 de abril de 2007

Traduzido por  Traduzido por Omar L. de Barros Filho


Nem uma só ponta de respeito de intelectual – menos ainda de comiseração – existe na alma, no pensamento ou na obra de Fernando Vallejo, escritor colombiano naturalizado mexicano, quando se trata de analisar o que ele chama de os horrores atuais e presentes da Igreja católica no mundo. Com a recente publicação de “La puta de Babilonia” – livro da editora Planeta, inexoravelmente destinado ao escândalo – Vallejo declara sua guerra pessoal contra a Igreja do Vaticano com argumentos históricos implacáveis… aos quais agrega seus ácidos julgamentos nesta entrevista exclusiva publicada em Proceso.

Herege de coração, o autor de origem colombiana – já naturalizado mexicano – Fernando Vallejo já exibira sua aversão pela Igreja católica em sua obra em “La virgen de los sicários” e “La rambla paralela”, por exemplo, onde, de passagem, arremeteu contra Karol Wojtyla (“Zangão” foi o menos que dirigiu ao Papa polaco), de acordo com Proceso, em sua edição 1.591.

Nunca, entretanto, Vallejo havia dedicado uma obra completa a questionar os crimes e pecados da Igreja católica, apostólica e romana até agora, quando publica “La puta de Babilonia”, um ensaio feroz, raivoso, corrosivo, no qual não deixa nem o Papa, nem dogma incólume, incluídos a existência de Cristo e a virgindade de Maria, de que, obviamente, duvida.

“A impune bi-milenária tem contas pendentes comigo desde minha infância e aqui vão ser cobradas”, adverte Vallejo, na arrancada eletrizante de seu livro, uma espécie de anti-salmo:“La puta, la gran puta, la grandísima puta, la santurrona, la inquisidora, la torturadora, la falsificadora (…) la oscurantista, la impostora, la embaucadora, la difamadora, la estafadora de viudas, la homofóbica, la corrupta, la hipócrita, la parásita (…) la jesuítica, la dominica, la del Opus Dei…”, diz sobre aquela a quem muitos consideram a “Santa Madre Igreja”.

– Que barbaridade, dom Fernando! Mas o que lhe fez a Igreja, quais são essas contas pendentes? – pergunta-se a Vallejo na entrevista a Proceso.

- Arruinou-me a infância com a ameaça do inferno. Qual inferno, como se já não bastasse o deste mundo! Ah, e fez com que minha mamãe parisse vinte filhos. Dezenove irmãos são outro inferno.

Aos 64 anos, Vallejo parece inofensivo, com seu olhar tranqüilo, voz musicada e gestos suaves. Sua prosa é outra história, sobretudo em seu novo livro: sarcástica, injuriosa, provocadora, mal humorada, personalíssima. Perguntamos a ele se seu livro não teria ganho mais credibilidade e público se fosse mais comedido em sua linguagem. Ele responde:

“Não. Eu sei o que faço. O que meus leitores estão ouvindo atrás das palavras impressas é minha voz. E não estão lendo um livro: estão lendo minha alma”.

Na entrevista, fala também de outros temas. Refere-se, por exemplo, ao seu desprezo por Gabriel García Márquez, entre outras razões pela proximidade do escritor com o ditador Fidel Castro, “Deus os faz e eles se juntam”. Congratula-se pela derrota da direita – e da Igreja – na assembléia da capital, no caso do aborto: “uma batalha foi ganha contra o obscurantismo, é um grande passo libertário para o México. Gostei quando a Igreja caiu no ridículo. Com todo o seu poder e seus aliados apenas reuniu 70 mil assinaturas”...

“Pelo amor de Deus…”

A Internet fascina Vallejo: facilita suas indagações e lhe economiza contatos com gente, segundo diz em seu apartamento em La Condesa, a colônia da moda entre os intelectuais da cidade do México. Conta como montou “La puta de Babilonia”, título certamente tomado do Apocalipsis: “Esteve na cabeça desde sempre: em dois anos o passei ao papel. Com Amazon e a Internet a documentação ficou mais fácil do que pensava no início. Todos os padres da Igreja, gregos e latinos, estão lá. Orígenes, São Jerônimo, Santo Augustinho...”

“Com a Internet a erudição desapareceu. Buscas no Google, por exemplo, Miguel Cerulario (o imperador bizantino que o atual Papa citou em sua conferência de Ratisbona, provocando a ira dos muçulmanos) e, com um clic, tens uma informação imensa reunida que, antes, teria custado uma vida inteira juntar. O pior inimigo da Bíblia é a própria Bíblia; para destruí-la não se necessita mais do que conhecê-la. Leia com atenção e irá descobrir suas contradições, suas imbecilidades, suas imoralidades, suas infâmias. Quando Lutero a traduziu para o alemão, abriu a caixa de Pandora.”

“Pois bem, a Internet veio somar-se às traduções da Bíblia para línguas vernáculas que seguiram a de Lutero ao alemão. A história monstruosa da Igreja já está ao alcance de todos, e não podem ocultá-la nem um dia mais. Essa instituição delinqüente, que já não pode matar, nem torturar, nem queimar livros e gente, não poderá impedir por mais um dia que a verdade de sua impostura e seus horrores e o relato grosseiro que inventaram do tal Cristo venham à luz.”

Na primeira parte, Vallejo fala dos Papas. Há histórias loucas, como muitas das ocorridas nos tempos da Inquisição, particularmente as relacionadas com a queima de hereges. Aponta Vallejo:

“Inocêncio IV autorizou a tortura, e as câmaras da Inquisição se transformaram, então, em masmorras do inferno. Os acusados eram encerrados e isolados em celas e impedidos de ver os familiares, e lhes ocultavam os nomes de seus acusadores. Quem não confessava logo recebia como aperitivo os esmagadores de dedos, umas placas que se fechavam com um torno e que trituravam e deslocavam dedos. Não confessava? Passavam a vítima então para as botas quebra-tíbias, para sentá-la, em seguida, na cadeira ardente para descansar: uma cadeira com uma grelha sob um assento metálico coberto de pregos afiados, que se aqueciam até quase ficar em brasa (…). Ou lhe desencaixavam as mandíbulas, abrindo-as ao máximo. Pelo amor de Deus, confesse para salvar sua alma – implorava o inquisidor –, não me faças sofrer tanto…

– Que passagem obscura da Igreja lhe impressiona mais? A queima de supostas bruxas é impressionante, não? – é perguntado ao autor de “El desbarrancadero”.

– Está correto, “supostas” bruxas, pois bruxas reais nunca existiram. Fazendo o inventário dos crimes cometidos em nome de Cristo (uma invenção das muitas seitas cristãs do século II de nossa era, que nunca existiu como um ser real de carne e osso), o que mais me impressiona é justamente o que você menciona, queimar gente viva. Difícil conceber algo mais monstruoso que essa forma de matar da Inquisição. Cristo se saiu bem, somente o crucificaram. Comovamo-nos por Giordano Bruno ou por Miguel Servet!

Entretanto, disse o escritor – que também é biólogo –, nenhum Papa condenou a Inquisição de modo claro, “não com tibieza como fez Wojtyla”. A Inquisição foi fundada formalmente em 1232 por Gregório IX, de modo que está por alcançar oito séculos. “Oito séculos de impunidade! Com a Contra-reforma lhe trocaram o nome pelo de Santo Ofício. Hoje se chama Congregação para a Doutrina da Fé, e de lá – como saltou Putin, o russo da KGB, ao Kremlin –, assim saltou ao papado seu prefeito, Joseph Ratzinger. A Inquisição é a melhor prova da existência de Deus. Claro que o monstro existe! E longe de que seus desígnios sejam impenetráveis. São límpidos como turva é sua essência”.

– Wojtyla pediu perdão pelos pecados da Igreja. Basta pedir perdão para apagar tudo?

– Claro que não. É como se os nazis pedissem perdão pelas vítimas dos campos de concentração. Os crimes da Igreja não têm desculpa, seja onde for que tenham ocorrido, e deveria ser perseguida e castigada por isso. Daqui, lanço a idéia para que, no México, a Igreja católica seja proscrita. Sua impunidade de séculos deve terminar.

– Você marca Karol Wojtyla como o Papa “mais daninho”. De verdade, você o vê assim?

– Sim. O mais assassino é o genocida Lotário da Segni, aliás, Inocêncio III, o da Quarta Cruzada contra os albigenses. Mas o mais daninho é Karol Wojtyla, aliás, João Paulo II, que, em seus 26 anos de pontificado, ajudou como ninguém a subir no planeta, comprovadamente, mais dois bilhões que excretam muito mas sobre o que se diz pouco. E veja o resultado: os rios convertidos em esgotos, e o mar em um desaguadouro de cloacas, a camada de ozônio esburacada, o aquecimento global, os pólos derretendo, a proliferação de barracos e favelas, miséria, e gente e mais gente, e automóveis e automóveis, mais automóveis e mais automóveis, por onde andemos. E, sobretudo, a sorte cada vez mais desventurada dos pobres animais. Os frangos, os porcos e as vacas, produzidos em galpões e criatórios monstruosos que não são outra coisa que fábricas de carne, logo degolados ou esfaqueados nos matadouros... E quando Wojtyla disse uma palavra a seu favor? Tantas quantas disse Cristo.

– O silêncio ou a cumplicidade do Vaticano diante dos crimes de Hitler equivalem ao silêncio da Igreja frente aos horrores da guerra do Iraque?

– Benedicto tem pavor dos muçulmanos. Tanto como sentia Pio XII em relação a Hitler. E levantará sua voz contra os terroristas islâmicos tanto como este Papa covarde a levantou contra os nazis. Atualmente, o Vaticano está muito indignado porque em Israel, em um museu sobre o holocausto, colocaram uma foto de Pio XII com a legenda de que não havia feito nada para evitá-lo. Pois eu digo mais que os moderados judeus: não só não fez nada mas o alcagüetou: todo o episcopado alemão se juntou a Hitler e se derramou em panegíricos celebrando-o, e soaram os campanários em sua honra sem que o autocrata de sotainas de Roma fizesse nada para contê-los. Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, aliás, Pio XII, foi um hipócrita covarde. Ele foi o maior alcagüete de Hitler, de Mussolini e de Franco.

A cenoura e o garrote

Vallejo está muito satisfeito. Diz que tem bons motivos hoje em dia: livro novo, estreou a cidadania mexicana – na quarta-feira, dia 25, lhe entregaram sua carta de naturalização – e a aprovação da lei de descriminalização do aborto na capital. Comenta que, em seu ensaio, não lhe basta se meter com os Papas; vai também contra o próprio Cristo e, inclusive, contra textos considerados sagrados.

- Era necessário chegar tão longe em sua revanche contra a Igreja? Nem sequer como mito a  imagem de Cristo lhe desperta simpatia?

– O Cristo dos quatro evangelhos canônicos (que é o que pesa hoje em dia sobre nós, e que, no século II, era um entre muitos das muitas seitas cristãs que a chamada seita católica em seguida reprimiu e exterminou) era um homem contraditório, irado e louco, que não proferiu uma só palavra para repudiar a submissão da mulher, a escravidão e as agressões do homem aos animais. Como pode ser o paradigma do humano alguém que não viu que os animais, os mamíferos ao menos, também são nosso próximo? Não dirigiu a eles nem uma só palavra de compaixão.

Em seu livro, Vallejo afirma que Cristo é “um plano forjado por Roma, centro do império e do mundo helenizado, a partir do ano 100, reunindo traços tomados dos mitos de Átis, da Frígia, Dionísio, da Grécia, Buda, do Nepal, Krishna, da Índia, Osíris e seu filho Horus, do Egito, Zoroastro e Mitra, da Pérsia, e toda uma série de deuses e redentores do gênero humano que o precederam em séculos, e ainda em milênios, e que o mundo mediterrâneo conheceu em razão da conquista da Pérsia e da Índia por Alexandre Magno”.

Entra em detalhes: “Atis morreu pela salvação da humanidade, crucificado em uma árvore, desceu ao submundo e ressuscitou no terceiro dia. Mitra teve doze discípulos; pronunciou um Sermão da Montanha, foi chamado de Bom Pastor, se sacrificou pela paz do mundo e ressuscitou aos três dias. Buda ensinou no templo aos 12 anos, curou enfermos, caminhou sobre a água e alimentou quinhentos homens com uma cesta de biscoitos; seus seguidores faziam votos de pobreza e renunciavam ao mundo; foi chamado de Senhor, Mestre, a Luz do Mundo, Deus dos Deuses, Altíssimo… Krishna foi filho de um carpinteiro, seu nascimento foi anunciado por uma estrela no oriente e esperado por pastores que lhe presentearam com especiarias…”

- No México, os priístas* costumavam justificar seus crimes e corrupção dizendo que quem falhavam eram os homens, não as instituições. Escutei alguns clérigos dizerem o mesmo. A julgar por seu livro, você considera que a Igreja e seus homens são a mesma porcaria…

- Os priístas somente foram corruptos. A Igreja, além de corrupta, até quando conseguiu foi genocida e assassina: até meados do século XIX, quando Pio Nono perdeu, pelas mãos do Ressurgimento** italiano, o poder temporal que lhe restava, e os dentes e as garras, e o Santo Padre, de corrupto e assassino que havia sido até então, como bem sabiam seus súditos imediatos, os habitantes da cidade de Roma e dos Estados Pontifícios, passou a ser um santarrão. Sim. Todos estes travestis tonsurados são uma solene porcaria e desde aqui lhes declaro guerra. Sua hora chegou.

– Como você explica a longa sobrevivência de uma instituição tão profundamente corrupta e inclusive criminosa – segundo seu livro – como a Igreja católica, apostólica e romana? Se é tão má, por que durou tanto? De acordo com Savater, o mito de Cristo é parte da explicação. Em que você acredita?

– Durou tanto porque é a puta mais puta entre as mais putas. Porque desde que, em 312, subiu no carro da vitória do imperador Constantino, o genocida, sempre soube deitar no leito dos poderosos, por mais criminosos que fossem: Carlomagno, Carlos V, Mussolini, Franco, Hitler... Porque sempre foi a grande rameira do poder. Os comunistas foram seus inimigos porque não a deixaram se aproximar. Essa meretriz trata sempre de estar com quem ganha. Se permite, ela sobe em sua cama.

– Em seu livro apenas há referências de passagem sobre o papel da Igreja nos países latino-americanos? Como você julga o papel “evangelizador” da Igreja? O que pensa da Virgem de Guadalupe?

– O papel “embrutecedor”, queres dizer. Quanto à Virgem de Guadalupe, não é ninguém: uma a mais entre as Onze Mil Virgens. Não vale mais que um prêmio em um festival de cinema, do mesmo tipo que no mundo de hoje existem uns cinco mil.

Em nossos dias mexicanos, dominados politicamente pelo conservadorismo vulgar do PAN***, a Igreja cavalga de novo… embora caia do cavalo. Em vão prega contra os casamentos homossexuais e contra o aborto, seguindo as diretrizes do Santo Padre…

- E como você as vê? Você simpatiza com personagens como o cardeal Norberto Rivera e o bispo Onésimo Cepeda?

– No enterro do professor Hank González, um dos homens mais honestos que o México produziu, Norberto Rivera disse que “bendito seja nosso irmão Hank porque multiplicou os bens de Deus”. E Onésimo vai às corridas de touros para oferecer a alternativa aos pombinhos de toureiro e se jacta de que é muito macho e come carne. O anterior nos descreve muito bem este par de homens ilustres, orgulho da Igreja. E não me pergunte pelo padre Maciel porque sinto muita inveja dele. Com semelhante jardim florido e não ter compartilhado uma só dessas florzinhas com o próximo! Que ávido!

¬- Você afirmou que lhe agradaria muito polemizar com Norberto, Onésimo, o cardeal de Guadalajara Sandoval Íñiguez “e o santo varão” Carlos Abascal.

- Estou pronto para debater com eles. E mais: dou tempo de vantagem a eles para que digam o que quiserem. Creio que o debate poderia ser em um auditório da UNAM. Proponho que o encontro seja em 13 de maio, dia da Imaculada Conceição”.

– Seu livro antecipa que o dia do aiatolá se aproxima e que “a Grande Besta Negra vem sobre nós”. Será um obscurantismo pior?

– Na Colômbia de meus tempos dizíamos: “essa é uma carga da qual não se escapa”. Se os muçulmanos não nos invadem, la Puta de Babilonia nos devolverá às trevas medievais. Adeus Século das Luzes! Adeus Revolução Francesa! Adeus movimentos libertários do século XIX e princípios do XX! Adeus, adeus!

– Parece que a Igreja quer se modernizar. Acaba de suprimir o limbo, por exemplo, o que pensa?

– Se já não existe o limbo, onde estão agora os indígenas da América anteriores à Conquista, e as crianças inocentes que morreram antes de Cristo? Ou as crianças inocentes que estão nascendo na China, onde estão? Ao limbo eram mandadas as crianças e os justos. Por que não suprimem o purgatório? Este foi uma fonte de enriquecimento da Igreja, base das indulgências, que produziu a reforma protestante: essa foi a intenção, tirá-los do purgatório para que entrassem diretamente no céu.

Não podem eliminar o inferno. Se o suprimem, têm que acabar com o céu. Se não existe inferno, todo mundo tem que ir para o céu. O grande anzol do catolicismo é o céu. A outra grande razão é que o ser humano quer perdurar, ser eterno; a cenoura que moveu a Igreja ao humano é a promessa da eternidade e o garrote é a ameaça do inferno.

– Seu livro deixa claro que você é seu herege perfeito. Não teme a Deus? Não necessita o homem de Deus e de algum tipo de religião, ainda que seja como bálsamo? Não se arrependerá no último minuto?

– Quando Napoleão perguntou por Deus ao astrônomo Laplace, este lhe respondeu: “Senhoria, eu não necessito dessa hipótese”. O mesmo lhe respondo agora. É claro que não me arrependerei: eu morrerei na obstinação final do pecado, serei inimigo da Igreja até meu último alento.

Notas do tradutor
* Priístas: partidários do Partido Revolucionário Institucional, do México.
** Ressurgimento: movimento carbonário liderado por Giuseppe Mazzini, no século XIX, que buscava a unificação da Itália. Dele participou também Giuseppe Garibaldi, cujo nascimento, há 200 anos, se comemora em 4 de julho de 2007.
*** Partido de Ação Nacional do México, do presidente Felipe Calderón


Fonte: Proceso
Traduzido do Espanhol para o Português por Omar L. de Barros Filho, jornalista, diretor de redação de
ViaPolítica e membro de Tlaxcala, rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta página é Copyleft para qualquer uso não comercial. Pode ser reproduzida livremente, sob a condição de que sejam respeitadas integralmente as menções de autor, tradutores e fonte.
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