HOME TLAXCALA
a rede de tradutores pela diversidade lingüística
MANIFESTO DE TLAXCALA  QUEM SOMOS ?  OS AMIGOS DE TLAXCALA   PESQUISAR 

AO SUL DA FRONTEIRA (América Latina e Caribe)
IMPÉRIO (Questões globais)
TERRA DE CANAà(Palestina, Israel, Líbano)
UMMA (Mundo árabe, Islã)
NO VENTRE DA BALEIA (Ativismo nas metrópoles imperialistas)
PAZ E GUERRA (USA, UE, OTAN)
MÃE AFRICA (Continente africano, Oceano índico)

ZONA DOS TUFÕES  (Ásia, Pacífico)
KOM K DE KALVELLIDO (Diário de um cartunista proletário)
TEMPESTADE CEREBRAL  (Cultura, Comunicação)
OS INCLASSIFICADOS 
CRÔNICAS TLAXCALTECAS 
O FICHÁRIO DE TLAXCALA  (Glossários, dicionários, fichários)
BIBLIOTECA DE AUTORES 
GALERIA 
OS ARQUIVOS DE TLAXCALA  

22/10/2020
Español Français English Deutsch Português Italiano Català
عربي Svenska فارسی Ελληνικά русски TAMAZIGHT OTHER LANGUAGES
 

“A curiosidade não matou este gato”: as memorias de Studs Terkel


AUTOR:  Amy GOODMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


"Fui mais ou menos reconhecido por haver honrado as vidas daqueles de nós que não foram honrados; por dar voz a um rosto entre a multidão”. Esta é a frase com que começam as esperadas memórias de Studs Terkel, intituladas “Touch and Go” (Nada é Seguro). Fiz uma peregrinação até Chicago para ver Studs Terkel, um dos melhores jornalistas, entrevistadores e narradores do século XX.

Depois de escrever uma dezena de livros, ganhar o Prêmio Pulitzer, produzir uma obra de teatro na Broadway, ganhar a Medalha da Fundação Nacional do Livro por sua Notável Contribuição às Letras Americanas, ser reconhecido com o Prêmio à Trajetória George Polk e com a Medalha Presidencial Nacional de Humanidades, e depois de apresentar durante quase meio século um programa de rádio diário na emissora WFMT, de Chicago, Studs escreveu suas memórias, aos 95 anos de idade. “Gravo, logo existo”, escreve. “Gravo, logo existem. Quem são eles, os etcéteras da história, raramente merecedores de uma nota de pé de página? Quem são aqueles a quem raramente os poetas cantaram?”

Embora ganhasse seu Pulitzer por “The Good War” (A Boa Guerra), sua história oral sobre a Segunda Guerra Mundial, afirma que há uma geração melhor: “Foi nos anos 60, era o momento do movimento pelos direitos civis, essa geração floresceu, ao menos por um tempo, e houve um auge, um ressurgimento, era o momento do feminismo; os gays e lésbicas saíram à luz como pessoas livres. Essa foi, creio eu, a melhor geração”.



Apesar de ser um homem do século 20, segue escrevendo sobre o século 21. De fato, acaba de interpelar a AT&T por colaborar com o governo nas escutas telefônicas ilegais. Terkel assegura que isso não é novo. Foi vítima de espionagem na década de 50, durante a era McCarthy. Sobre os espiões do governo e seus aliados nas empresas de telecomunicações, os anteriores e os atuais, Terkel disse: “São antiamericanos. Thomas Paine, o mais eloqüente visionário da Revolução Americana, fala sobre um país em que qualquer cidadão comum pode olhar um rei e dizer-lhe: ‘Cai fora!’  Isso soube antes, porque meu telefone foi grampeado nos dias em que a palavra chave era ‘Comuna’ ”.

Por causa de suas opiniões, Terkel apareceu nas listas negras e perdeu seu programa, “Stud’s Place” (O lugar de Stud). Então, Mahalia Jackson, a legendária cantora afro-americana de gospel, insistiu em que Stud fosse contratado como apresentador de seu programa. A CBS exigiu que Terkel firmasse um juramento de lealdade. Quando se negou a fazê-lo, ameaçaram despedi-lo. Ela disse a eles: “Olhem, se despedirem Studs, procurem por outra Mahalia Jackson”. A CBS recuou. Studs recorda o ocorrido: “Sabes o que aconteceu? Nada. Tens que enfrentá-los até que recuem”.

Terkel é um feroz crítico da administração Bush, mas também da falta de conhecimento do contexto histórico da sociedade norte-americana, que permitiu a este governo persistir em seu comportamento, atacar Iraque e planejar um ataque contra o Irã: “Como pode ser que ao final da Segunda Guerra Mundial fôssemos a nação poderosa mais respeitada do mundo? ‘Respeitada’ é a palavra-chave. Hoje somos a mais desprezada. Como é possível? O próprio povo americano não tem memória do passado. Gore Vidal usa a expressão ‘Estados Unidos da Amnésia’. Eu digo “Estados Unidos de Alzheimer”. O quanto sabemos sobre por que estamos no Iraque? Eles dizem: ‘quando atacam nossa política, estão atacando nossos soldados’. Ao contrário, trata-se de defendê-los. Dar-lhes acolhida quando voltem para casa com suas famílias. A guerra se construiu sobre uma mentira obscena. Isso sabemos agora. O conhecimento da história nos foi negado”.

Um dos grandes ouvintes do século passado, Studs Terkel está perdendo sua capacidade auditiva. Studs me disse: “Quando Robert Browning escreveu ‘Vem e envelhece junto a mim, o melhor ainda está por chegar’, estava mentindo descaradamente. Mas o que sim podes conservar é a memória”.

Sua memória quase fotográfica é igualada unicamente por seu contínuo e apaixonado interesse pela vida das pessoas e pelos movimentos que conseguem melhorar essas vidas. Studs brinca: “Meu epitáfio já foi escrito: A curiosidade não matou este gato”. Já está trabalhando em seu próximo livro.


Fonte: Democracy Now!

Artigo original publicado em  13/11/ 2007

Sobre o autor
Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho, editor de ViaPolítica e  membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

URL deste artigo em Tlaxcala:
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4198&lg=po


NO VENTRE DA BALEIA: 25/11/2007

 
 IMPRIMIR IMPRIMIR 

 ENVIAR ESTA PÁGINA ENVIAR ESTA PÁGINA

 
VOLVERVOLVER 

 tlaxcala@tlaxcala.es

HORA DE PARÍSI  11:19