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22/10/2020
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Eles não têm vergonha?


AUTOR:  Amy GOODMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Todos os sábados, o presidente dos Estados Unidos dirige um discurso por rádio à nação. Depois disso, vem a réplica dos democratas, normalmente através de um senador ou um deputado. Sábado passado, os democratas escolheram o tenente-general reformado Ricardo Sánchez para que respondesse, o mesmo general que é acusado de autorizar torturas e tratos cruéis, desumanos e degradantes em prisioneiros no Iraque, em ao menos três processos nos Estados Unidos e Europa. Isso, em combinação com o apoio que os democratas deram ao procurador-geral Michael Mukasey, apesar de sua negativa em qualificar como tortura o chamado “submarino” (waterboarding), indica que os democratas estão cada vez mais alinhados com a política sobre a tortura do presidente Bush.

Sánchez dirigiu as operações do exército no Iraque de junho de 2003 até junho de 2004. Em setembro de 2003, Sánchez redigiu um memorando no qual autorizava numerosas técnicas, incluindo “posições forçadas”, o uso de “cães adestrados pelo exército”, para explorar o “medo dos árabes aos cachorros”, durante os interrogatórios. Sánchez estava no comando do exército quando ocorreram os abusos na prisão de Abu Ghraib.

A general de brigada Janis Karpinski, que dirigiu Abu Ghraib durante esse período, trabalhou sob as ordens do general Sánchez. Foi rebaixada a coronel, e foi a única oficial militar a ser punida. Janis Karpinksi me falou sobre outra prática ilegal, a de manter prisioneiros como "presos fantasmas", conforme são chamados: “Em diferentes ocasiões, desde o Pentágono, diretamente de parte do secretário Rumsfeld, através da general Barbara Fast, ou do general Sánchez, éramos instruídos para que mantivéssemos os prisioneiros sem designar-lhes um número de prisioneiro ou incluí-los na base de dados, e isso vai contra a Convenção de Genebra. Todos sabíamos que era contrário à Convenção de Genebra”. Também me contou que, além de manter detidos prisioneiros não incluídos na base de dados, houve outros abusos, como elevar a temperatura na prisão até os 50º ou 60º, a desidratação e a ordem do general Geoffrey Miller de tratar os prisioneiros “como cachorros”.

E não se limita só ao tratamento dos presos. Em 2006, Karpinski testemunhou em um simulacro de julgamento chamado Comissão de Crimes de Bush (Bush Crimes Commission). Revelou que várias soldados estadounidenses morreram por desidratação por se negarem a beber água. Elas temiam sair à noite e ir até as latrinas para urinar, por medo de serem violadas por seus companheiros soldados: “As mulheres, temerosas em levantar-se à noite para ir aos banheiros químicos ou às latrinas, não bebiam líquidos depois das três ou quatro da tarde. E com um calor de 50º ou mais, já que não havia ar condicionado na maior parte das instalações, morriam por desidratação enquanto dormiam”. O que [o subcomandante-geral de Sánchez, Walter Wojdakowski] disse ao cirurgião foi que, ‘Não inclua esses detalhes daqui em diante. Não mencione, especificamente, que são mulheres. Pode incluir esses detalhes em um relatório escrito, mas não o comente abertamente de agora em diante’ ”. Karpinski disse que Sánchez esteve presente nessa reunião.

O ex-interrogador do exército, Tony Lagouranis, autor de “Fear Up Harsh”, descreveu o uso dos cachorros: “Usávamos cães no centro de detenção de Mosul, que ficava no aeroporto de Mosul. Colocávamos o prisioneiro em um container. Ele era mantido acordado toda a noite com música e luzes pulsantes, em posições estressantes, e então trazíamos os cães. O preso tinha os olhos vendados, assim que realmente não entendia o que estava ocorrendo, mas nós mantínhamos o cão sob controle. O cachorro latia e saltava sobre o prisioneiro, e o prisioneiro não chegava a compreender o que ocorria”.

Reed Brody, da Human Rights Watch, deu mais detalhes sobre Sánchez: “Durante esses três meses de caos que passaram diante de seus narizes, nunca interveio. Enganou o Congresso sobre aquilo. Foi-lhe perguntado duas vezes durante uma audiência do Congresso se em alguma ocasião havia aprovado o uso de cães de guarda. Isso ocorreu antes que o memorando se tornasse público. E, em ambas ocasiões, afirmou que nunca aprovara tal medida. Finalmente, conseguimos o memorando, no qual ele aprova, textualmente, ‘explorar o medo que os árabes têm dos cães’”. Brody recusou-se a aceitar o informe militar que absolve Sánchez de todo ato ilícito: “Simplesmente não é crível que o exército siga investigando a si mesmo e que não deixe de se declarar inocente”.

Não se trata de política partidária. Trata-se do rumo moral do país. Os democratas podem estar celebrando que um general reformado tenha se voltado contra seu comandante-em-chefe. Mas o público deveria pensar sobre isso com muita cautela.

Os democratas tiveram a oportunidade de marcar um precedente, de exigir a Mukasey que condene, irrevogavelmente, a técnica do submarino antes de sua promoção a procurador-geral. E agora escolheram como seu porta-voz um general desacreditado, vinculado com os mais atrozes abusos no Iraque. O governo de Bush descartou conceder uma promoção a Sánchez, pela preocupação de que se reavivasse o escândalo de Abú Ghraib durante o ano eleitoral de 2006. Agora são os democratas que o ressuscitaram. Eles não têm vergonha?


Fonte: Original em inglês  Tradução para o espanhol de Ángel Domínguez

Artigo original publicado em  27/11/2007

Sobre o autor

Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é  editor de ViaPolítica e  membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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IMPÉRIO: 13/12/2007

 
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