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24/10/2017
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Os cães do assassino de Trotsky


AUTOR:  Dália ACOSTA

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


Havana – O homem que matou León Trotsky por encomenda dos serviços secretos soviéticos e passou 20 anos em uma prisão mexicana sem falar, no final de seus dias radicou-se na capital cubana, onde costumava, diariamente, passear com seus cachorros pela Quinta Avenida do bairro residencial de Miramar.


Ramón Mercader


E foi nesta Quinta Avenida onde o cineasta cubano Tomás Gutiérrez Alea (1928-1996) viu pela primeira vez aqueles cães e entendeu que eram os exemplares corretos para seu último filme, no qual narra a história de uma família da alta burguesia cubana, que se isola em sua mansão para ignorar as mudanças que se sucederam ao triunfo da Revolução em 1959. Os cachorros do catalão Ramón Mercader del Río (1914-1978), então conhecido na ilha como Jaime Ramón, foram vistos por muitas pessoas no mundo nas seqüências de "Los sobrevivientes" (1978), uma das obras-primas do diretor de "Memorias del Subdesarrollo"(1968) e "Fresa y Chocolate" (1993).

"Nunca houve cães assim em Cuba, nem voltará a haver", disse à IPS o escritor cubano Leonardo Padura, que trabalha nos últimos detalhes de um romance sobre as "peripécias, intrigas e perseguições" que cercaram, no México, o assassinato de Trotsky (1879-1940), um dos principais líderes da chamada Revolução de Outubro (Rússia, 1917).

"Um romance como esse somente pode se escrever obcecado com esta história", comentou o jornalista e narrador, autor de obras literárias que prescrutam a realidade cubana atual como "Vientos de Cuaresma" (1994), "Pasado perfecto" (1995), "Máscaras" (1997), "Paisaje de Otoño" (1998), "La novela de mi vida" (2001) e "La neblina del ayer" (2005).

"O homem que amava os cães", um título com que Padura pretende render homenagem ao escritor norte-americano Raymond Chandler (1888-1959), é narrado em três linhas paralelas: o exílio de Trotsky de 1929 até sua morte em 1940, a preparação e execução de seu assassinato, e o destino posterior do assassino ou "braço executor", em Moscou e depois em Cuba.

Padura conta a peregrinação do exilado Trotsky por Alma-Ata (Cazaquistão), Turquia, França, Noruega e sua estada definitiva em uma "casa-fortaleza" em Coyoacán, cidade do México. E, por outro lado, segue os passos de Mercader del Río desde seus tempos como soldado do Exército Popular espanhol, Moscou, França, Nova York e México. Como em seus livros policiais, onde a trama é apenas um pretexto para submergir na sociedade cubana, o romancista parte do que considera um dos assassinatos mais significativos do século XX, para afundar na luta pelo poder após a morte de Vladimir Ilich Lenin (1870-1924) e a ascensão do fascismo.

"(Joseph) Stalin e Trotsky pensavam de duas maneiras diversas sobre a revolução. Stalin, para consolidar seu poder, aferrou-se à sua teoria do socialismo em um só país, e restringiu todo indício de democracia e pluralidade. Trotsky, com sua teoria da revolução permanente, pensava que a vitória na Rússia era só um passo para depois seguir pela Europa".

"Mas Stalin praticamente traiu a possível revolução chinesa em 1926-1927, não permitiu uma aliança entre as forças de esquerda na Alemanha que poderiam evitar a subida de Adolf Hitler ao poder, manietou a Internacional Comunista e, na Espanha, durante a guerra civil (1936-1939), exigiu que se lutasse pela vitória sem fazer a revolução. Era o menos brilhante, mas demonstrou ser o mais astuto e sibilino.”

“Trotsky era brilhante, orador, culto, mundano, famoso e mítico. Eliminar Trotsky se converteu em uma exigência para que Stalin pudesse conseguir a supremacia e o poder absoluto, inclusive a possibilidade de reescrever a história e roubar um protagonismo que nunca teve. O final é conhecido desde o início, o importante é o como. Por que se frustrou a grande utopia do século XX? É o que, simbolicamente, quero levar para o romance. A perversão começou nos próprios anos 20 e o assassinato de Trotsky colocou o ponto final em qualquer salvação dessa utopia", afirmou o autor.

"É algo que também tem a ver conosco. O ser humano não pode viver sem utopia", acrescentou. Há três anos o romancista cubano segue trabalhando na obra que, espera, seja publicada no outono de 2008, pela editora Tusquets, de Barcelona. Durante esse tempo buscou documentos originais, leu livros de história e ficção, consultou mapas urbanos e aprendeu quase de memória os diários do exílio de Trotsky.

Em todo o processo prévio à escrita, Padura sempre tropeçou com o mesmo obstáculo: o silêncio de Mercader del Río. "Esteve 20 anos no cárcere no México e não falou, no tempo em que viveu em Moscou desapareceu e em Cuba foi um fantasma. E imaginei que em alguma oportunidade deveria haver sentido muitos desejos de contar sua história", explica. No romance, Jaime Ramón relata tudo a um joven cubano estudante de veterinária que, apesar de sua promessa de não dizer nada a ninguém, 20 anos depois passa todos os detalhes a um amigo escritor. Os cães se convertem na conexão entre Mercader del Río e o jovem que, por sua vez, marca a distância necessária entre a história e a ficção.

"Como Ramón Mercader amava os cachorros também o homem que ele assassinou os amava. Trotsky tinha quatro galgos russos e quando parte para o exílio em Alma-Ata, leva um com ele. O mesmo amor era compartilhado também pelo jovem veterinário cubano. Qualquer um deles pode ser o homem que amava os cães", comenta.

Pesquisa recomendada
León Trotsky - wikipedia
Leonardo Padura: con la pluma y con la espada
Cuba: Crónicas de una pluma célebre y crítica 
Literatura-Cuba: La neblina de la crisis

Fonte: http://ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=86670

Artigo original publicado em 27/11/2007

Sobre o autor

Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e   membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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TEMPESTADE CEREBRAL : 13/12/2007

 
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