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22/10/2020
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O duvidoso Sr. Dobbs


AUTOR:  Amy GOODMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


A verdade importa. A história e o contexto contam. "Você tem direito de criar suas próprias opiniões. Você não tem direito de criar seus próprios fatos", foram as famosas palavras do falecido senador Daniel Patrick Moynihan. Lou Dobbs, apresentador da CNN, situou-se em uma posição proeminente no debate sobre a imigração nos EUA. Já que identifica a si próprio como jornalista, tem uma responsabilidade especial em ser conseqüente com os fatos e corrigir os erros factuais. A CNN, que pretende ser uma empresa dedicada às notícias, e que se apresenta como o “nome mais confiável no mundo das notícias", tem, de modo igualmente importante, a obrigação de dizer a verdade para sua audiência.

Dobbs era conhecido principalmente como apresentador de "Moneyline", um programa pioneiro e influente da CNN, que ajudou a criar o gênero televisivo de informativos financeiros. Em "Moneyline", Dobbs entrevistava presidentes de empresas e, geralmente, elogiava-os. Há uns cinco anos, Dobbs começou a mudar de estilo, invocando uma retórica populista e defendendo a causa da classe média. Batizou essas novas coberturas como "A Guerra contra a classe média" e "Fronteiras rompidas". O tema característico de Dobbs, os imigrantes sem documentos, ou como ele os chama, estrangeiros ilegais, tem uma enorme influência no debate nacional. Assim, importa se ele estiver errado.

Em 28 de março de 2006, Dobbs declarou em seu programa: "E ninguém sabe exatamente quanto está nos custando manter na prisão o que se supõe ser cerca da terça parte de nossa população carcerária, que são os estrangeiros ilegais". Resulta, porém, que o número de não cidadãos encarcerados nas prisões estaduais e federais dos EUA é próximo de 6% , e não 33%. Leve-se em conta que estes 6% incluem também imigrantes legais.

Em 14 de abril de 2005, Lou Dobbs iniciou seu programa dizendo: "A invasão de estrangeiros ilegais está ameaçando a saúde de muitos americanos. Doenças altamente contagiosas estão atravessando nossas fronteiras, décadas depois de que tais enfermidades foram erradicadas de nosso país". A correspondente da CNN, Christine Romans, apresentou seu informe, e disse a Dobbs: "Foram registrados sete mil casos de lepra nos últimos três anos". O programa "60 Minutos" da CBS rebateu o dado pouco depois, indicando que, na realidade, haviam sido relatados 7.029 casos em 30 anos. Quando Lesley Stahl confrontou Dobbs a respeito dessas estatísticas, ele defendeu sua posição dizendo: "Bem, posso te dizer isso. Se demos essa informação, é um fato".

A repórter de Dobbs, Christine Romans, afirmou que sua fonte era "a Dra. Madeleine Cosman, uma respeitada advogada médica e historiadora da medicina". Cosman, que morreu em março de 2006, era advogada médica e uma dura ativista anti-imigração. Ela foi gravada declarando publicamente o seguinte sobre os homens mexicanos: "É preciso reconhecer que a maioria destes bastardos abusam de meninas menores de 12 anos, algumas com idade abaixo de cinco, outras com três anos, embora, é claro, alguns se especializem em meninos, outros em freiras, e outros sejam extremamente versáteis e violem meninas de 11 anos e mulheres acima de 79 anos".

Quando mostrei a Dobbs a gravação de Cosman, ele admitiu que a fonte que sua repórter usara era “uma pirada”.

Em 23 de maio de 2006, Dobbs informou sobre a visita oficial do presidente mexicano Vicente Fox. Seu correspondente, Casey Wian, qualificou-a de "incursão militar mexicana", e mostrou um mapa dos EUA com os sete estados do sudoeste destacados como "Aztlan" que, segundo afirmou Wian, "alguns ativistas militantes latinos ... reclamam como pertencentes ao México".

O gráfico provinha do Conselho de Cidadãos Conservadores (Council of Conservative Citizens - CCC) que, de acordo com o Centro Legal Sureño contra la Pobreza (SPLC, por suas iniciais em inglês), uma organização que monitora grupos racistas, é a personificação atual dos antigos Conselhos de Cidadãos Brancos das décadas de 1950 e 1960, aos que Thurgood Marshall referia-se como "a Ku Klux Klan dos endinheirados" (“the uptown Klan”).

O SPLC relatou que vários dos convidados e fontes de Dobbs tiveram vínculos com o CCC, como por exemplo Joe McCutchen, de Protejamos Arkansas Já (Protect Arkansas Now),  um dos grupos do movimento Minuteman que busca fazer justiça pelas próprias mãos, e Barbara Coe, da Coalizão Californiana pela Reforma Imigratória (California Coalition for Immigration Reform).

Outro convidado, Glenn Spencer, diretor do grupo anti-imigração American Patrol, move-se no círculo dos partidários da supremacia branca. Quando Wolf Blitzer, da CNN, recebeu Spencer como convidado em seu programa, disse à sua audiência que o SPLC havia qualificado American Patrol como um grupo racista. Quando Dobbs o convidou, em nenhum momento informou sua audiência sobre essa relação.

Em nossa conversa com Dobbs, o co-apresentador de "Democracy Now!", Juan González, falou sobre a história de como os imigrantes haviam sido usados como bodes expiatórios: os irlandeses na década de 1860, os chineses na década de 1880, e depois as pessoas que vieram do sul da Europa. Dobbs olhou para o alto, dizendo, "Estás me fazendo responsável por aquilo?" Não, e Dobbs, na realidade, sabe muito bem disso. Mas, ele deve sim ser responsabilizado por não situar o contexto histórico no importante debate sobre a reforma das leis imigratórias. O assunto da imigração não se resolverá difamando uma população inteira. O SPLC publicou recentemente um relatório sobre o aumento da violência contra imigrantes e latinos e latinas nos EUA.

A United Stations Radio Networks acaba de anunciar que Dobbs apresentará muito em breve um programa diário de rádio de três horas de duração. O sítio web assegura o seguinte: "Não se trata da direita ou da esquerda... trata-se do que está bem e do que está mal". Esperemos que Lou Dobbs siga sua própria orientação.


Original em inglês: http://www.truthdig.com/report/item/20071204_the_dubious_mr_dobbs

Traduzão espanhola de Ángel Domínguez http://www.democracynow.org/es/blog/2007/12/4/el_dudoso_sr_dobbs_4_de_diciembre_2007  

Artigo original publicado em  4/12/2007

Sobre o autor
Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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IMPÉRIO: 17/12/2007

 
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