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22/10/2020
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Al Gure, Rajendra Pachauri e Ted Glick

Das guerras do petróleo às guerras pela água


AUTOR:  Amy GOODMAN

Traduzido por  Omar L. de Barros Filho


O Prêmio Nobel da Paz foi outorgado no fim da semana passada em Oslo, Noruega. Al Gore compartilhou o prêmio com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, por suas iniciais em inglês), da ONU, que representa mais de 2.500 cientistas de 130 países. A cerimônia solene ocorreu enquanto os Estados Unidos bloqueavam qualquer progresso significativo na Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Bali, Indonésia, ao mesmo tempo que, no Senado dos EUA, os republicanos jogavam por terra o projeto de lei aprovado pela Câmara, que aceleraria a adoção de fontes de energia renovável em detrimento das grandes corporações do petróleo e do carvão.

Gore clarificou o cenário: “Assim que, hoje, vertemos outras 70 milhões de toneladas de contaminação causadora do aquecimento global à fina camada da atmosfera que cerca nosso planeta, como se fosse um esgoto aberto de águas negras. E amanhã verteremos uma quantidade ainda maior, com as concentrações acumuladas absorvendo mais e mais o calor do sol.”

“Como resultado disso, a Terra tem febre. E a febre está aumentando. Os especialistas avisaram-nos que não se trata de uma infecção passageira que se curará por si própria. Pedimos uma segunda opinião. E uma terceira. E uma quarta. E a conclusão a que se chega constantemente, cada vez pronunciada com maior alarme, é que há um problema básico. Nós somos o que está mal, e nós devemos corrigi-lo”.

Gore prosseguiu: “Em 21 de setembro passado, quando o hemisfério Norte se afastava do sol, os cientistas informaram com um alarde sem precedentes que a camada de gelo do Pólo Norte está ‘desaparecendo’. Um estudo estimou que poderia sumir completamente durante o verão em menos de 22 anos. Outro novo estudo, que será apresentado durante esta semana por investigadores da Marinha dos EUA, adverte que isso poderia ocorrer em tão somente sete anos. Sete anos desde o dia de hoje”.

Como os céticos com a mudança climática explicarão isso? (Atualmente, as grandes corporações estão celebrando a ruptura da calota de gelo polar, já que se abre uma rota marítima pelo norte, entre o Atlântico e o Pacífico, gerando assim uma via mais barata para realizar ainda mais transportes desnecessários). É difícil imaginar que o Pólo Norte, o legendário território de gelo e neve, desaparecerá completamente em uns poucos anos.

Também se perderá o imenso arquivo de dados arqueológicos presos no gelo: milhares de anos da história climática da Terra ficaram registrados nas camadas geladas que se encontram a quilômetros de profundidade. Os cientistas estão, recém agora, começando a compreender como ler e interpretar a história. O grande derretimento de gelo, certamente, terá efeitos catastróficos sobre o ecossistema do Norte, que tem espécies, como o urso polar, já próximas da extinção.

Rajendra Pachauri, cientista hindu, aceitou a homenagem em nome do IPCC. Pachauri é um cuidadoso cientista dotado de habilidade política suficiente para presidir o trabalho do IPCC, apesar do permanente antagonismo dos Estados Unidos. Assinalou o efeito sem proporções que a mudança climática exerce sobre o povo pobre do mundo: “O impacto da mudança climática sobre algumas das comunidades mais pobres e vulneráveis do mundo poderia ser extremamente inquietante... em termos de: acesso à água potável, ao alimento suficiente, condições estáveis de saúde, recursos do ecossistema e segurança dos assentamentos”.

Pachauri prediz guerras pela água e migrações em massa. “A migração, habitualmente temporária e freqüente das zonas rurais para as urbanas, é uma resposta normal às calamidades, tais como inundações e fome generalizada”.

Gore invocou a memória de Mohandas Gandhi, afirmando que ele “despertou a maior democracia do planeta e forjou uma vontade compartilhada com o que chamava ‘Satyagraha’ — ou ‘a força da verdade’. Em cada país, a verdade — uma vez conhecida— tem o poder de nos tornar livres”. A Satyagraha, como a praticou Gandhi, é a aplicação disciplinada da resistência não violenta, exatamente o que Ted Glick está fazendo em Washington, D.C.

Glick dirige o Conselho de Emergência Climática. No dia seguinte ao da cerimônia do Prêmio Nobel, quando cumpria seu 99º dia de jejum ingerindo somente líquidos, sentou, em protesto, com outras 20 pessoas, na oficina do líder da minoria do Senado, Mitch McConnell.

Os republicanos do Senado estão bloqueando neste momento um projeto de lei federal sobre energia que criaria fundos para o desenvolvimento de fontes energéticas renováveis nos Estados Unidos, e que retiraria bilhões de dólares de isenções das grandes petroleiras e empresas do carvão.

Glick me disse: “Temos que estar dispostos a ir para a prisão. O próprio Al Gore falou, há um par de meses, que os jovens teriam que ocupar as instalações industriais de carvão para evitar que sejam construídas. Isso é certo. Os jovens deveriam fazê-lo. As pessoas de meia idade deveriam fazê-lo. As pessoas mais velhas deveriam fazê-lo. E Al Gore deveria fazê-lo. Levemos esta crise a sério”.

Enquanto Glick protestava, começaram a circular na imprensa informações sobre as pressões políticas contra o projeto de lei da energia por parte do consultório jurídico do candidato republicano à presidência, Rudolph Giuliani. Segundo os informativos da Bloomberg, a Bracewell & Giuliani LLP foi contratada pelo gigante da energia Southern Co. para derrotar o projeto de lei. Em um almoço de arrecadação de fundos, a 1.000 dólares o lugar, realizado em agosto passado, quando se dirigia aos membros da indústria do carvão, Giuliani disse: “Temos que aumentar nossa dependência do carvão”.

Enquanto as arcas de Giuliani engordam com o dinheiro das grandes petroleiras e empresas de gás e carvão, Glick perdeu mais de 18 quilos de peso, e a temperatura da Terra segue aumentando.


Fonte: From Oil Wars to Water Wars e De las guerras por el petróleo a las guerras por el agua (Traduzido para o espanhol por Ángel Domínguez e Democracy Now! )

Artigo original publicado em 11/12/2007

Sobre o autor
Tradução redigida em português do 

Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.

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NO VENTRE DA BALEIA: 21/12/2007

 
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