HOME TLAXCALA
a rede de tradutores pela diversidade lingüística
MANIFESTO DE TLAXCALA  QUEM SOMOS ?  OS AMIGOS DE TLAXCALA   PESQUISAR 

AO SUL DA FRONTEIRA (América Latina e Caribe)
IMPÉRIO (Questões globais)
TERRA DE CANAà(Palestina, Israel, Líbano)
UMMA (Mundo árabe, Islã)
NO VENTRE DA BALEIA (Ativismo nas metrópoles imperialistas)
PAZ E GUERRA (USA, UE, OTAN)
MÃE AFRICA (Continente africano, Oceano índico)

ZONA DOS TUFÕES  (Ásia, Pacífico)
KOM K DE KALVELLIDO (Diário de um cartunista proletário)
TEMPESTADE CEREBRAL  (Cultura, Comunicação)
OS INCLASSIFICADOS 
CRÔNICAS TLAXCALTECAS 
O FICHÁRIO DE TLAXCALA  (Glossários, dicionários, fichários)
BIBLIOTECA DE AUTORES 
GALERIA 
OS ARQUIVOS DE TLAXCALA  

15/12/2017
Español Français English Deutsch Português Italiano Català
عربي Svenska فارسی Ελληνικά русски TAMAZIGHT OTHER LANGUAGES
 

Roma: Mario Monicelli na fábrica ocupada


AUTOR:  Osvaldo COGGIOLA


Na periferia industrial de Roma, na Tiburtina, a fábrica Eutelia, uma das mais importantes da área de informática da Itália, foi fechada pelos seus donos, demitindo 1200 trabalhadores. Faz mais de um més, a fábrica foi ocupada pelos operários, e posta para produzir. A 10 de novembro, os trabalhadores repeliram um ataque de bandas para-policiais (“vigilantes”). A 25 de novembro, um ato-festival foi realizado na fábrica, com oradores e grupos musicais, para receber solidariedade e divulgar a luta. Lá fui eu, levar meu apoio e saber o que rolava.

O ato era bastante pequeno, pouco numeroso. Os oradores sindicais (FIOM-CGIL) apelavam para a sensibilidade das autoridades, fustigavam os donos pela sua “má gestão da empresa”, crticavam a mídia. Até que um orador, bem mais velho, tomou a palavra e, falando com energia, responsabilizou o capitalismo, e chamou à unidade dos ocupantes da Eutelia com os outros trabalhadores da Itália que lutam pelos mesmos motivos, em especial os sardos e venetos da Alcoa (que dois depois enfrentaram a polícia, em manifestação nas ruas de Roma) (ver em baixo).

Quem era ele? Ninguém menos que Mario Monicelli, o diretor e roteirista de “L' Armata Brancaleone”, “I Compagni”, “I Soliti Ignoti”, “Brancaleone nelle Crociate”, “Romanzo Popolare”, “Amici Miei”, “Parenti Serpenti”, e tantos outros filmes, que já não são só parte dos clássicos do cinema italiano, mas da própria cultura universal (viraram até expressòes usadas na linguagem corrente). O ùnico “regista” italiano que conseguiu reunir, num só filme, Albertone Sordi e Totò, os dois maiores comediantes do cinema italiano em todos os tempos.

Lá estava ele, com seus 95 anos (sim, noventa e cinco), falando com a energia de um garoto, chamando à unidade dos trabalhadores, sublinhando e encorajando o papel das mulheres na luta de classes, ele que o filmou como ninguém no fantástico “I Compagni”, de 1961 (Mario Monicelli, Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Annie Girardot: muito tempo passará até outro filme reunir quatro génios como esses...), quando os movimentos feministas, na Europa e no mundo, apenas engatinhavam.

Fui falar com ele, ele sentado no meio dos operários, o vencedor dos Festivais de Veneza e Berlim, bebendo seu cafezinho. A conversa não foi fácil, ele está começando a ter problemas auditivos (embora se negue a usar aparelho de ouvido), mas foi o suficiente para me dizer que continua “mais comunista do que nunca”. E falava com qualquer um que quisesse falar com ele, eu inclusive.

Pensei: não sou da geração da Internet e do celular, do hi-phone e do skype, do sei lá mais o que (não consigo nem acompanhar), das viagens fáceis para qualquer lugar, e não me considero sortudo por isso (bem ao contrário); mas sou da geração à qual Monicelli (e os poucos que estavam à sua altura) ensinou, depois de passar pelo fascismo e pela guerra, coisas que, hoje, nos fazem sorrir quando vemos (ou lemos, ou assistimos) “deconstruçòes” dos “ocidentalismos” (e dos “orientalismos” ad hoc), defesas dos “multiculturalismos”, ou “re-inclusòes” dos “excluídos da história” - num festival de populismos intelectuais paternalistas de terceira categoria, que passa por “novidade”. Sem falar em algumas “criacionices” cinematográficas, hollywoodianas ou não, que, perto dos filmes de Monicelli parecem obras de estudantes desorientados de cinema do primeiro ano da ECA-USP...

Monicelli nos fez viver o sublime e o ridículo dos desempregados/ladròes amadores do capitalismo hodierno (em “I Soliti Ignoti”), nos mostrou como os “excluídos” se “incluiam” sozinhos (em “I Compagni”) e se fusionavam, no partido operário, com a intelectualidade revolucionária... e também ingénua (Mastroianni!), justamente porque revolucionária. E os dois “Brancaleone” são muito mais que “comédias italianas”: décadas antes que isso virasse “moda”, Monicelli explodiu, a tiros de gargalhada, todos os euro/cristiano-centrismos – Monicelli/Gassman, encontros como esse só acontecem dois ou très por século (outro génio do século XX, este lamentavelmente morto - prematuramente -, Bernard-Marie Koltès, acabou com todo o racismo anti-árabe que grassa na Europa, com uma só frase: “Se na França não houvesse árabes, ela seria igual à Suíça”).

Monicelli, o ùnico intelectual italiano na ocupação da fábrica, com seus 95 anos, um dos maiores diretores de cinema do século XX, e também do século XXI (quem duvidar, que assista “Lettere della Palestina”, de 2002, ou “Le Rose del Deserto”, de 2007), um jovem quase centenário, porque artista e comunista.

Vão ai algumas fotos, da ocupação da Eutélia, da luta contra a polícia dos operários da Alcoa, e uma de Monicelli comigo no ato-festival, lamentavelmente pouco clara, porque tirada com um celular chinès (mas não comunista).

Ciao, grande Mario, nos vemos na próxima ocupação de fábrica, para falarmos de internacionalismo e comunismo. Monicelli ficou até o final do ato, depois o acompanhamos até o ponto onde tomou, sozinho, o táxi que o levou à casa; eu fui andando até meu ponto de ónibus que, afinal, sou um adolescente.

 

 

   

« Il cinema non morirà mai, ormai è nato e non può morire: morirà la sala cinematografica, forse, ma di questo non mi frega niente. »

(Mario Monicelli alla consegna del Leone d'Oro alla carriera alla Mostra del Cinema di Venezia nel 1991)

 

Scontri tra gli operai Alcoa e la polizia

Repubblica — 27 novembre 2009  

ROMA - C' è voluto un colpo in testa a un operaio, scontri e tafferugli, sedie e bottiglie volate per aria, il rumore continuo e assordante di centinaia di caschi di protezione battuti sull' asfalto per ore e una piazza del centro di Roma occupata e blindata dalla mattina alla sera, ma alla fine le tute blu dell' Alcoa hanno - almeno per il momento - evitato il peggio.

La multinazionale americana dell' alluminio che in Italia ha due stabilimenti (Portovesme in Sardegna e Fusina in Veneto) ha ritirato la cassa integrazione annunciata per oltre 500 dei 700 dipendenti. Operazione che avrebbe fatto da preludio alla chiusura definitiva delle fabbriche, e quindi alla fine del lavoro, per un indotto che assorbe oltre 2000 addetti. Ieri la riunione-fiume che al ministero dello Sviluppo economico ha messo attorno ad un tavolo azienda, sindacati, governo e il presidente di Sardegna Cappellacci siè conclusa con un accordo.

L' Alcoa s' impegna a ritirare la cassa integrazione, il governo a cercare una via d' uscita per il costo delle tariffe elettriche e per la multa da pagare alla Ue. Se ne riparlerà fra 15 giorni in un nuovo vertice già fissato per il prossimo 9 dicembre. Tutto, infatti, è nato dai soldi che Bruxelles rivuole indietro dagli americani: la Ue chiede ad Alcoa il pagamento di una multa di 420 milioni di euro per avere usufruito di aiuti di Stato sotto forma di sconti alla bolletta elettrica. Alcoa non ci sta, annuncia di volersene andare dall' Italia (dove l' energia costa il 20 per cento in più rispetto al resto dell' Europa).

Gli operai occupano gli stabilimenti, fanno lo sciopero della fame, si arrampicano sui tralicci: fino a ieri , giornata clou di una protesta che ha visto lottare, accanto agli operai, i sindaci dell' Inglesiente e che ha visto in piazza, oltre ai leader sindacali, Antonio Di Pietro dell' Idv, accolto con più freddezza rispetto all' entusiasmo dimostrato qualche giorno fa dai dipendenti dell' ex Eutelia, l' azienda di tlc impegnata in una altrettanto difficile vertenza che rischia di lasciare per strada migliaia di lavoratori.

Ore di grande tensione, dunque: i manifestanti, «sequestrati» in piazza Barberini, hanno cercato di sfondare il cordone degli agenti per raggiungere Palazzo Chigi o via Veneto, sede dell' ambasciata americana. Sono volati calci, pugni, spintoni e una bastonata che ha colpito un dipendente Alcoa. Ma fra i contusi ci sono stati anche tre agenti della polizia, che precisa di non aver usato alcun manganello. Un clima difficile, dovuto al fatto che sulla vertenza rischia di cadere l' intera economia di un pezzo della Sardegna e del Veneto.

Ecco perché accanto agli operai, ieri, c' erano anche i sindaci di diversi comuni. Da Carbonaia a Santadì, da Villamassargia a Inglesias: «Siamo qui perché se chiude Alcoa chiudono i nostri paesi - dice Franco Porcu, primo cittadino di Villamassargia - come facciamo a chiedere i soldi per le condotte fognariea chi non ha un lavoro». Ecco perché gli operai hanno giocato il tutto per tutto per non andare in cassa integrazione: «nell' alluminio, una volta fermati, gli impianti non si fanno più ripartire - dicono - e noi vogliamo il lavoro».

Ma se per Alcoa è tempo di tregua, per l' ex Eutelia la partita è tutta da giocare. Ieri notte a Palazzo Chigi si è tenuto un vertice fra governo e sindacati: Cgil, Cisl e Uil vogliono il commissariamento della società. Letta ha chiesto intanto all' azienda di pagare gli stipendi non versati (da agosto) entro il 5 dicembre. Sotto Palazzo Chigi, centinaia di dipendenti in attesa.



Fonte: o autor

Artigo original publicado em 5 de dezembro de 2009

Artigo redigido em português do

Sobre o autor

Tlaxcala é a rede internacional de tradutores pela diversidade lingüística. Este artigo pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor e à fonte.

URL deste artigo em Tlaxcala:
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=9529&lg=po


NO VENTRE DA BALEIA: 16/12/2009

 
 IMPRIMIR IMPRIMIR 

 ENVIAR ESTA PÁGINA ENVIAR ESTA PÁGINA

 
VOLVERVOLVER 

 tlaxcala@tlaxcala.es

HORA DE PARÍSI  5:36