Com o bom senso de que disponho, não consigo explicar e menos ainda justificar a rapidez com que o nosso país caiu em relação ao nível de 2009, ao ponto de perdermos uma parte da nossa soberania nacional para o FMI e nos encontrarmos sob sua tutela.
É pelo menos estranho que ninguém, até agora, se tenha dado o trabalho tão simples que consiste em analisar o curso da nossa ecónomia desde então até hoje, com factos e números, para que nós, os não-iniciados, possamos compreender as verdadeiras razões de esta queda vertiginosa e sem precedentes e dos acontecimentos que occasionaram a perda da nossa independéncia nacional acompanhada de uma humiliação internacional.
Ouvi falar de uma dívida de 360 bilhões, mas constato ao mesmo tempo que muitos outros países tem a mesma ou até maiores. Não poderá ser então esta a principal razão da nossa desgraça. O que me desagrada também é a dimensão do exagero nos golpes desferidos ao nosso país à nível internacional ; uma tal acção manifestamente altamente concertada contra um país financeiramente insignificante torna-se suspeita. Cheguei então a conclusão que algumas pessoas nos querem encher de vergonha e medo para nos submeter ao FMI que é um factor fundamental da política expansionista dos E.U.A.. Todo esse discurso sobre a solidariedade europeia não passa de poeira nos olhos para nos esconder o facto de se tratar claramente de uma iniciativa americana que tem por objectivo nos mergulhar numa crise financeira largamente artificial, para que o nosso povo viva no medo, se torne ainda mais pobre, perca realizações e conquistas preciosas acabando finalmente de joelhos e aceite ser dominado por estrangeiros. Mas para que serve isto tudo ? Quais serão os projectos por realizar, quais podem ser os objectivos à alcançar ?
Se bem que eu sempre tenha sido e ainda sou um fervoroso adepto da amizade greco-turca, devo no entanto confessar que fico assustado com o súbito estreitamento das relações entre os nosso dois governos, as reuniões dos ministros e outros funcionários, os deslocamentos à Chipre e a visita do Sr Erdogan. Suspeito que a política americana esteja atràs disso tudo, com os seus planos encobertos relativos à nossa posição geográfica, à existéncia de jazigos sub-marinos, ao regime de Chipre e ao mar Egeu, aos nossos vizinhos do Norte e a atitude arrogante da Turquia ; planos até aqui postos em xeque unicamente pela desconfiança e oposição do povo grego.
Todos à nossa volta acabaram mais ou menos por tomar lugar no comboio US em marcha. Nós que continuamos à ser a única nota discordante, pese a instauração da junta militar e a perda de 40% de Chipre, os nossos abraços com Skopje (ARYM) e os ultranacionalistas albaneses, nós que, apesar de todos esses successivos golpes, ainda não nos tornamos suficientemente «ajuizados».
Consequentemente, somos um povo que deve ser suprimido e é precisamente o que està à acontecer hoje. Convido os ecónomistas, os políticos e os analistas à provar-me o contrário. Não vislumbro outra explicação plausível que a de uma golpada internacional de bastidores, contando com a participação de Europeus pró-americanos, como Merkel, com o Banco Central Europeu e a midia reaccionária internacional que urdiram esta «armadilha», com vista à fazer de uma nação livre um povo reduzido à escravidão. Pessoalmente não consigo encontrar outra explicação. Reconheço no entanto não dispôr de conhecimentos específicos e que o meu raçocínio só assenta no bom senso. Mas talvez existem muitas outras pessoas à chegarem à mesma conclusão – assim que o veremos nos próximos dias.
De qualquer maneira, quero preparar a opinião pública e sublinhar que, se a minha análise está certa, então esta crise financeira (a qual, repito, nos foi imposta) não é mais que a primeira bebida amarga à tragar na deslumbrante festa que se vai seguir e que levará desta vez à pôr em causa questões nacionais tão vitais que nem quero imaginar onde isto nos pode levar.
Só espero estar enganado.
Fonte: 
Artigo original publicado a 27 avril 2010
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